terça-feira, 9 de abril de 2013

Vulpiano Cavalcânti: Um brasileiro


| Luciano Capistrano –  luciano.capistrano@natal.rn.gov.br | Historiador/SEMURB – Professor/Escola Estadual Myriam Coeli
http://2.bp.blogspot.com/-skbHOyTWALU/Tt07hgx0fZI/AAAAAAAALqc/AqhBQnPibmc/s1600/rn_medico_vulpiano_cavalcanti.jpgNascido em Fortaleza, no dia 15 de março de 1911, em março completou 102 anos do seu nascimento. Seu nome: Vulpiano Cavalcânti de raújo.Homem de ideal socialista, formou-se em medicina no Rio de Janeiro, logo volta ao eará, atua como médico na cidade de Redenção. Naquele município começa sua atuação profissional, desde cedo dedicada ao atendimento de todas e todos, sem discriminação, marca de um profissional humanista, formado na base solidária. Naquela época, já militante do Partido Comunista, enfrentou os velhos coronéis, denunciando a situação de exploração vivida pelo povo cearense, fruto da desigualdade social, uma sociedade marcada pela grande concentração de terras. O médico humanista vivencia as agruras do homem do campo nordestino. Militante defensor de um mundo mais justo, pautou sua vida profissional na luta intransigente pelo direito de todos a uma saúde gratuita e de qualidade. Seus embates políticos no Ceará, o fará procurar outros lugares. Encontra então, a cidade de Mossoró, chega a cem terras Potiguares a convite do ex prefeito Duarte Filho.
Na capital do oeste potiguar Vulpiano Cavalcânti participa com Evaristo Nogueira, Joel Paulista, Antônio Tenório, Jonas Reginaldo Fernandes, Manoel Torquato, Chico Guilherme, José Moreira e Lourival Góis. Companheiros de ideais, atuam na organização do Partido Comunista, mesmo na clandestinidade. Na terra de Santa Luzia sofreu sua primeira prisão no Rio Grande do Norte. Preso, foi transferido para Natal em um avião, durante toda a viagem sofreu diversas ameaças. Seu crime: atender bem seus pacientes. Médico-cirurgião, foi responsável por diversos casos bem-sucedidos registrados nos anais da medicina norte-riograndense.
Meu caro leitor, falar de Dr. Vulpiano é fazer uma referência ao médico, ao homem, ao militante social, aquele que não aceitou como natural as injustiças praticadas contra as camadas sofridas do povo brasileiro. Em Memória Viva, Dr. Vulpiano relata um dos atos mais deploráveis praticados nas dependências de uma unidade militar. A Base Aérea de Natal, símbolo de combate as forças nazifascistas,  Natal cidade Trampolim da Vitória, teve sua história manchada pela dor e o sofrimento de um homem do bem. O Dr. Vulpiano Cavalcânti, em seu relato ao jornalista Carlos Lyra, denuncia uma corja de covardes transvestidos de oficiais da aeronáutica.
Vejamos alguns trechos:
“Despido, fui espancado por eles a socos, pontapés e cassetetes de borracha. Tudo isso na presença do cel. Ferraz Koller, comandante da base. Foi a prisão mais dolorosa, mais torturada que passei”.
“Depois desse introito, fui jogado numa cela de quatro palmos de largura por sete palmos de altura, fechada a chapa de ferro [...] A maior ventilação que recebia era deitado, porque embaixo tinha algum ar nessa porta [...] Nessa prisão eu respirava, também, pelo teto, por um pequeno buraco, que servia para o tenente Câmara urinar, acertando sempre na minha face. Urina e fezes”.
É meu caro amigo leitor, estamos nos referindo a década de 1950, volto a repetir, em uma unidade militar nascida do esforço de guerra contra o autoritarismo. Natal conhecida por sua tradição na aviação aérea, tem infelizmente, a marca da insensatez praticada em nome de um poder que falava em liberdade do outro lado do Atlântico, enquanto  do lado de cá dos trópicos muitos eram torturados nos cárceres da Base Aérea de Natal.
A sociedade Potiguar, a sociedade Brasileira, tem o direito à verdade. Esperemos que saiam das trevas as violações dos Direitos Humanos praticados por aqueles que deveriam defender as garantias constitucionais dos cidadãos brasileiros.
Que a Comissão da Verdade resgate a história de Dr. Vulpiano: um brasileiro.


Fonte do Texto: http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/vulpiano-cavalc-nti-um-brasileiro
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