quinta-feira, 26 de agosto de 2010

As oligarquias que apoiam seus pés imundos nas espáduas do povo.

Texto original em: http://adrianoamicusplato.blogspot.com/

No princípio era Geisel e Geisel nomeou Golbery do Couto e Silva que nomeou Tarcísio Maia para governador do Rio Grande do Norte que em 1979 foi sucedido providencialmente por seu primo Lavoisier Maia.

Lavoisier indica para assumir o cargo de prefeito do Natal o filho de Tarcisío Maia, José Agripino Maia, que em 1982 beneficiado pelo voto camarão se torna governador do estado.

Lavoisier se casa com Vilma e gera Márcia e Lauro Maia, atualmente deputada e ele candidato a deputado estadual, Vilma ex-governadora e candidata a uma vaga no senado, enquanto Lavoisier é deputado estadual.

Para eleger Wilma prefeita de Natal José Agripino protagonizou o episódio conhecido como rabo de palha que segundo o blog do sindicato dos bancários de brasilia (www.bancariosdf.com.br) se deu da seguinte forma:

"José Agripino Maia toma posse em 15 de março de 1983 e, dali a dois anos, será flagrado numa reunião com auxiliares e 120 prfeitos, acertando o que constituiria a maior fraude elitoral da história do Rio Grande do Norte.

Dessa vez, José Agripino queria eleger prefeita de Natal sua secretaria de Promoção Social, Wilma Maia, em 1985. Tinham como adversário o deputado estadual Garibaldi Alves Filho (PMDB), sobrinho de Aluízio e hoje presidente do Senado. O plano foi todo armado em quatro reuniões, no Centro de Convenções, Zona Sul de Natal.

José Agripino simplesmente instruiu os prefeitos a comprar títulos eleitorais, distribuir presentes, incentivar tumultos nos processos de votação e apuração e, ainda, usa veículos oficiais com placas frias para transportar eleitores do interior para a capital. O caso ficou conhecido como Escândalo Rabo-de-Palha, rótulo fornecido pelo próprio José Agripino, que ao final de uma reunião pediu:

- Não podemos deixar rabo-de-palha.

Caros Amigos reproduz aqui parte da conversa. Laudo do Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, diz que a voz é do governador.

José Agripino -Os pobres estão indecisos. É em cima desse povo que você tem que atuar. Com uma feirazinha, com um enxoval, com umas coisinhas".

José Agripino se envolveu também em outros escândalos como os relacionados ao ganhe JÁ.

José Agripino gerou ainda Felipe Maia que é deputado Federal e candidato a reeleição.

Para não tornar o texto prolixo é necessário apenas dizer que esse grupo político acima citado faz parte do mesmo clã oligárquico que impera soberano sobre Mossoró há vários anos.

A oligarquia Alves fica para uma próxima ocasião, porém para concluir esse pobre texto feita nas coxas resta apenas a moral da história, ou seja, a nota indignada do blog:

Que povo besta é esse que fica segurando cartaz e correndo atrás desse pessoal que faz da política um feudo graças a esses ignorantes vassalos.

RN: Como nasceu a Oligarquia Maia

Caros Amigos - Ano XII Número 133 Abril 2008

OS RABOS-DE-PALHA DE UM FILHOTE DA DITADURA
Léo Arcoverde

O SENADOR JOSÉ AGRIPINO MAIA (DEM-RN) É APRESENTADO PELA MÍDIA GRANDE COMO UM ÍCONE DA MORAL, SEMPRE ENTREVISTADO PARA DENUNCIAR AS MAZELAS DO GOVERNO LULA E PONTIFICAR SOBRE ÉTICA POLÍTICA. SEU PASSADO, PORÉM, NÃO O ABONA.
Do meio para o fim dos anos 1970, para fazer parte do grupinho oligárquico que havia duas décadas comandava a política do Rio Grande do Norte, uma condição era suficiente e necessária: aderir à estratégia de renovação do regime autoritário, preparando-se para a transição. Isto é, a bênção dos militares era mais que bem-vinda. O industrial Osmundo Faria, dono da salina Amarra Negra e de vasto latifúndio no agreste, estava para ser anunciado sucessor do governador Cortez Pereira (1971-1975). Não tinha experiência em cargo eletivo – era suplente do senador Dinarte Mariz. Mas contava com o apadrinhamento de ninguém menos que o ministro do Exército, general Dale Coutinho, ex-chefe da repressão no Nordeste. Era, no dizer do político gaúcho Leonel Brizola, o "filhote da ditadura" da vez.


Original em: http://radarpotiguar.blogspot.com/2008/04/rn-como-nasceu-oligarquia-maia.html

RIO GRANDE DO NORTE, DOS ALVES, DOS MAIA E DOS BOCÓS

Podres poderes

As desavenças políticas entre o senador Garibaldi Alves e o deputado federal Henriquinho Eduardo Alves foram parar na “Carta Capital” que traz uma extensa reportagem sobre o assunto assinada pelo jornalista Gilberto Nascimento.

A briga, claro, é de araque. A estratégia deles é ”dividir o poder para continuar reinando”. Garibaldi e Henriquinho são primos e integram a oligarquia Alves que domina a política potiguar há 50 anos juntamente com os Maias. Mas como isso é possível, Ailton? Ora, o natalense 100% é 99% idiota. Confiram, abaixo, a reportagem:

A política no Rio Grande do Norte sempre foi um latifúndio dividido entre duas famílias, os Alves e os Maia. Quem ingressava nas fileiras de uma virava automaticamente adversário da outra. Um breve armistício foi acertado em 2006, quando as famílias se uniram para tentar, em vão, derrotar a governadora Wilma Faria, do PSB, ela mesma uma ex-Maia.

As coisas pareciam ter voltado ao normal, com Alves e Maia nos seus respectivos lugares. Parecia. Um cisma na família Alves promete aquecer a disputa eleitoral em 2010.

Depois da morte do ex-ministro Aluízio Alves, em 2005, aos 84 anos, começou uma clara disputa pelo seu espólio. Titular dos ministérios da Administração, no governo Sarney, e da Integração Nacional, no governo Itamar Franco, Aluízio era o político com maior poder e projeção entre os Alves.

Hoje estão em campos opostos o seu filho Henrique, líder do PMDB na Câmara dos Deputados, e o sobrinho e senador Garibaldi Filho, também peemedebista. Henrique é um apoiador incondicional do presidente Lula e da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência. É aliado da governadora Wilma Faria e defende a aliança no estado com o PT e o PSB.

Garibaldi, ex-presidente do Senado, é da base do governo federal, mas, no momento, tende mais para a candidatura tucana de José Serra. É a favor de uma aliança com o senador José Agripino Maia, líder do DEM no Senado e um dos mais ferrenhos opositores de Lula. Garibaldi declarou apoio à candidata de Maia ao governo, a também senadora do DEM Rosalba Ciarlini. Henrique deve se alinhar à candidatura do hoje vice-governador Iberê Ferreira (PSB), que assumirá em abril quando Wilma renunciar ao cargo para concorrer ao Senado.

Garibaldi e o neoaliado Agripino são candidatos à reeleição, contra Wilma. Os três pleiteiam as duas vagas ao Senado. A ambiguidade de Garibaldi pode prejudicá-lo. As pesquisas já indicam uma polarização entre a candidata de Lula, Wilma, e o anti-Lula, Agripino.

Duas razões levaram Garibaldi a preferir a candidata do DEM ao governo: o senador não engole a derrota para Wilma na disputa ao governo em 2006, a primeira e única em sua carreira política. O outro motivo é muito prático: o suplente de Rosalba no Senado é o seu pai, Garibaldi Alves, 84 anos, irmão de Aluízio. Se Rosalba for eleita, Garibaldi pai concluirá o mandato.

Henrique e Garibaldi foram juntos, no dia 13 de outubro, falar com o presidente Lula sobre a divisão do PMDB no estado. O senador fez questão de comunicar pessoalmente sua decisão a Lula. Henrique sabia o que Garibaldi iria dizer, mas o acompanhou com a esperança de que Lula conseguisse demovê-lo. O senador disse que “ainda era cedo” para se definir em relação a Dilma. Lula disse esperar que o tempo “se encarregue de resolver os impasses”.

Os dois primos podem decidir a pendenga no voto, internamente. Mas Garibaldi diz ter esperanças em um acordo. “Eu e o Henrique somos primos e amigos fraternos. Estamos buscando a possibilidade de alguma convergência, embora não tenhamos ideia de como ela possa se dar. Estamos tentando de tudo, justamente para evitar bater chapa. Aí, sim, então, seria um rompimento”, comentou o senador.

Esse é o primeiro racha na família peemedebista. Os primos fazem campanha juntos há 39 anos. Começaram na política em 1970, com uma dobradinha: Henrique para federal e Garibaldi, estadual. Repetiram a chapa em 1974, 1978 e 1982. Depois, Garibaldi foi eleito prefeito de Natal e começou a construir uma carreira própria. Havia comentários de que Aluízio Alves favorecia o filho Henrique. Mas nunca houve problema entre os primos, enquanto o ex-ministro continuava atuante na política local. Com a morte de Aluízio, Henrique passou a comandar o PMDB no estado.

Apesar do imbróglio, o deputado diz que a reeleição de Garibaldi é prioridade. “Não faria sentido nenhum projeto do PMDB que não passasse pela reeleição de Garibaldi”, garantiu. Enquanto o senador balança entre Dilma e Serra, Henrique está fortalecido no governo. Ele é o relator do pré-sal e conseguiu aprovar, na terça-feira 3, sua proposta de divisão das receitas obtidas com a cobrança de royalties de empresas de petróleo, o que agradou ao governo.

Para acessar o site da “Carta Capital” , clique aqui.

Este artigo foi publicado em 7/11/09 às 13:54 e está arquivado sob Notas. Você pode acompanhar todas as respostas a este artigo através da alimentação por RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou criar um trackback do seu próprio sítio.

Brasil desigual

Famílias tradicionais do Nordeste consolidaram poder com verba da Sudam e Sudene

Por Rodrigo Miotto, repórter iG em São Paulo, 31 de março, 2002

O golpe nas pretensões presidenciais da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL-MA), passou pela Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia). Foi por conta das investigações no extinto órgão que o R$ 1,34 milhão apreendido na sede da Lunus acabou na tela das tevês e nas páginas dos jornais.

O início das pretensões presidenciais do pai de Roseana, José Sarney, passou pela Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), espécie de irmã mais velha da Sudam. Hoje, as duas extintas agências provocam dor de cabeça para políticos nordestinos, invariavelmente representantes de oligarquias. Mas foram as próprias superintendências que impulsionaram essas oligarquias. São contemporâneas. "Em certos Estados, as oligarquias transformaram-se em intermediários dos investimentos da União", diz Francisco de Oliveira, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo.

A Sudam e a Sudene não criaram o sistema oligárquico no Norte e no Nordeste. A existência desse tipo de dominação política e econômica já era quase secular. As superintendências deram margem a novas oligarquias, ou oligarquias com roupagens diferentes, dentro de uma política reforçada pelo período militar, acrescenta Oliveira.

Bases cada vez mais sólidas

O idealizador da Sudene foi o economista Celso Furtado, durante o governo de Juscelino Kubitscheck. Com pífios investimentos e péssimo quadro social, o Nordeste destoava de outras regiões do País. Em 1959, a agência saiu do papel e começou a destinar recursos para os Estados nordestinos.

Os cofres da Sudene recebiam recursos de empresas que tinham desconto no Imposto de Renda para investir em projetos na região. Aquelas que se instalavam no local também pagavam menos impostos. Intermediários desses recursos, os políticos locais não demoraram a fixar bases cada vez mais sólidas no meio da população. Respaldados pelas finanças e, logo mais, pelo regime ditatorial, alternavam amigos e familiares no poder.

Além do impacto eleitoral dos investimentos, já de início havia as fraudes. Logo nos primeiros anos da década de 60, os incentivos fiscais geravam denúncias de corrupção na Sudene. A idéia de Furtado também foi desviada. As verbas, no início, não atingiam a prioridade pensada pelo economista, que incluía o combate à seca e o impulso à industrialização. A pavimentação e a abertura de estradas tiveram, entretanto, lugar privilegiado. "O dinheiro repassado para obras públicas muitas vezes servia para encher o baú da oligarquia", diz o cientista político Clóvis Brigagão, diretor do Centro de Estudos das Américas da Universidade Cândido Mendes.

Glauber Rocha e Sarney

Pouco mais de seis anos passados da criação da Sudene, José Sarney derrotava a famosa e violenta oligarquia comandada pelo então senador Vitorino Freire. Em 31 de janeiro de 1966, Sarney ocupou a cadeira do governo do Maranhão. Com dez anos de vida política, Sarney se elegeu com um discurso moralista e de ruptura. Seria uma nova maneira de fazer política, sem miséria e truculência. Rendeu um documentário do diretor Glauber Rocha. Sarney saiu da cadeira cinco anos depois, mas deixou gravada a influência, que permanece até hoje. Menos de uma década e meia depois, foi parar na Presidência da República.

No mesmo ano da posse de Sarney, o regime militar criou a Sudam, nos moldes da Sudene. Desta vez, a idéia era povoar a Amazônia. Não fugiu à regra da irmã mais velha e logo foi alvo de denúncias de desvios e fraudes. Ainda em 1966, Jader Barbalho elege-se vereador em Belém do Pará. Sem grande prestígio na política, vai galgando postos e no início da década de 80 já espalha seu domínio pelo Estado. "É um caso clássico o da Sudam; muito dinheiro transforma-se num meio de consolidação", diz o sociólogo da USP, lembrando que Jader "é político novo, dos anos 70", com raízes no MDB e sem ligações com a velha oligarquia da região.

Collor e ACM

Políticos novos, entretanto, não são a família Arnon de Mello em Alagoas. Arnon Affonso de Farias Mello chegou ao governo do Estado em 1951, derrotando a família Góes Monteiro, que, mais adiante, recuperou o poder. As famílias foram alternando-se. No final da década de 70, Fernando Collor de Mello começa a substituir a influência do pai Arnon no Estado. Acabou na Presidência da República cerca de uma década depois. Alagoas também está dentro da área de atuação da Sudene.

Na Bahia, Antonio Carlos Magalhães estréia na vida política na década de 50 e começa a construir a mítica imagem de homem poderoso a partir dos anos 60. Dali em diante, só perdeu a hegemonia sobre o controle do Estado em uma única gestão. A Bahia, vale lembrar, também é área de atuação da Sudene.

AA: Cidadão Kane tropical

Nos anos 40, começou a carreira política de Aluizio Alves, talvez o maior fenômeno populista da região Nordeste. Após uma participação no Congresso Constituinte de 1945, iniciou uma caminhada vitoriosa pelo Rio Grande do Norte, colocando-se como a esperança do povo diante das velhas estruturas coronelistas.

Chegou ao governo do seu estado em 1960 e, daí em diante, o poder não saiu mais do seu controle, com os Alves ocupando dezenas de cargos públicos e madantos eleitorais: seu filho Henrique Eduardo Alves é deputado federal desde 1970 e, agora, é candidato ao governo para suceder o primo Garibaldi Alves Filho, que já foi deputado e senador; uma irmã gêmea de Henrique, Ana Catarina, é deputada federal, candidata à reeleição e já disputou a prefeitura da capital, Natal, contra o próprio irmão.

Na Assembléia Legislativa do RN, os Alves mantêm sempre dois ou três deputados; um irmão de Aluizio, Agnelo Alves, que já foi prefeito de Natal, agora é prefeito de Parnamirim, a terceira cidade do estado, depois de ter sido senador na suplência do ex-ministro Fernando Bezerra, hoje adversário da família.

Conseqüências materiais da trajetória de Aluízio Alves: a afiliada da TV Globo, o maior jornal do estado, quase uma dezena de rádios, agência de propaganda, produtora de vídeo, postos de gasolina, lojas, instituto de pesquisa, provedor e portal de internet, revista e outros negócios espalhados entre filhos e sobrinhos do patriarca.

Com a influência de Aluízio Alves, os investimentos públicos no estado já foram fáceis via Sudene, Banco do Nordeste e muitos outros órgãos de financiamento.

Agências das Oligarquias

Pensadas para desenvolver o Norte e o Nordeste, as estatais "acabaram se convertendo em máquinas políticas, em agências a serviço das oligarquias locais", afirma a cientista política Maria Celina D'Araújo, professora da Universidade Federal Fluminense e da Fundação Getúlio Vargas.

Fortes em suas regiões, as oligarquias também tinham canais influentes no primeiro escalão do governo. A posse de ministérios e órgãos importantes é sinônimo de mais dinheiro no caixa local.

Recursos e fortunas

Os recursos e incentivos às duas regiões por meio das superintendências e de parte do Orçamento da União alavancaram a economia da região, sem, necessariamente, ter reduzido as disparidades sociais e até mesmo a miséria.

Na década de 60, o PIB (Produto Interno Bruto) do Nordeste cresceu 3,5%, contra 6,1% do Brasil. Já com a Sudene em pleno funcionamento, a região teve um incremento de 8,7% na década seguinte, período do "milagre econômico", contra 8% do País.

De 1980 a 1990, a "década perdida" rendeu crescimento de 3,3% para o Nordeste e de 1,6% para o País. De 1991 a 2000, foram 3,3,% contra 3,1%. No Norte, a participação no PIB nacional subiu de 2,16% no início da década de 70 para 4,34% em 2000.

Parte significativa do capital do Nordeste se baseou em incentivos fiscais. Nos últimos cinco anos, projetos da Sudam e da Sudene consumiram cerca de R$ 10 bilhões com esses incentivos. Entre subsídios e renúncias, o Nordeste, em 2000, somou R$ 5,9 bilhões em investimentos. A Amazônia, R$ 7,8 bilhões. No País todo, foram R$ 42,5 bilhões.

Rombos de bilhões

Significativas também são as fraudes. De acordo com dados da CPI do Finor (Fundo de Investimentos do Nordeste), cerca de 10% de todos os recursos do órgão, subordinado à Sudene, foram desviados desde sua fundação, em 1974. O rombo na Sudam é estimado em R$ 1,8 bilhão. O da Sudene, em R$ 2,2 bilhões. A conta é modesta. Dados do próprio governo, trabalhados pela CPI, estima que US$ 110 bilhões de todos os investimentos públicos feitos na Amazônia teriam sido desviados.

"Não houve nenhuma fiscalização externa. Eram investimentos caros e acabaram destinando as verbas para empresas dos aliados. Era cabra no jardim", diz Maria Celina. "Sem fiscalização, a Sudene foi apropriada pelas oligarquias locais; e a Sudam, pelo coronelismo", concorda a cientista política Lúcia Hippolito. Junto ao incremento da economia dessas regiões, cresceu também o patrimônio dos políticos dominantes locais.

Sarney

"Há 40 anos, o Sarney não tinha nada; hoje ele é o todo poderoso da mídia e tem uma fortuna incalculável; com o Jader Barbalho é a mesma coisa", afirma Francisco de Oliveira. O patrimônio da família Sarney inclui quatro emissoras de TV, o maior jornal impresso do Estado, 14 emissoras de rádio, uma ilha e diversas propriedades. Um levantamento da revista "Veja" estima em R$ 125 milhões a fortuna da família.

Jader

Jader, de origem bastante modesta, possui fazendas, emissoras de TV, de rádio, jornal e diversas propriedades. Ainda segundo a "Veja", o patrimônio do ex-senador seria de, no mínimo, R$ 30 milhões.

ACM e Arnon de Mello

A família de ACM também tem jornal, emissoras de TV, rádio e diversas empresas. A família Arnon de Mello igualmente. Além da fortuna, outra característica comum entre os políticos dominantes do Nordeste é a posse dos meios de comunicação.

Privatizações

Para alguns, fatos como a queda de ACM e de Jader no Senado e o caso Roseana são sinal de decadência da oligarquia do Norte e do Nordeste. O presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), Walder de Góes, diz que o processo de privatização pelo qual passou o Brasil na década de 90 "ajudou a reduzir as ações de corrupção".

Pelo raciocínio, a venda de estatais deslocou parte dos investimentos da esfera pública para a esfera privada, inibindo as fraudes. No entanto, de acordo com Góes, "a redução do poder pelo lado da privatização precisa ser complementada por mudança na cultura política". Para ele, existe uma "cultura leniente com a corrupção" nessas regiões. "As oligarquias ainda mantêm forte influência sobre a população. Veja o caso de ACM na Bahia e o da família Sarney no Maranhão. Apesar de tudo, ainda continuam com eleitores fiéis", diz o presidente do Ibep.

Para Francisco de Oliveira, a queda das oligarquias passa pela disputa do poder por novos grupos. "O controle oligárquico tende a diminuir, o que não quer dizer que será muito democrático. Às vezes, as formas perversas de utilização do dinheiro continuam sem ser necessariamente uma oligarquia."

Fonte: http://www.ig.com.br com Jornal de Hoje (Natal/RN)