terça-feira, 25 de dezembro de 2012

TURISMO NO RIO GRANDE DO NORTE

Autor – Rostand Medeiros

NA TERRA DO “JÁ TEVE” E DO “JÁ FOI”, O TURISMO OBTEVE UM GRANDE SUCESSO ECONÔMICO. MAS LOGO VEIO A  QUEDA. MUITOS ESPERAM QUE A COPA DO MUNDO DE 2014 AJUDE O TURISMO DO RN A VOLTAR AO SEU PASSADO DE GLÓRIA. SERÁ QUE ISSO VAI ACONTECER?  

image025O turismo no Rio Grande do Norte se tornou uma das principais atividades econômicas do estado. Esta atividade já possuiu um dos principais papeis no processo de desenvolvimento do estado, ocupando o posto de segunda fonte de renda estadual (Receita estimada de US$ 216.131.752 em 2002, segundo dados da SETUR-RN) e de maior empregador da iniciativa própria.
Em apenas cinco anos o número de visitantes que estiveram o Rio Grande do Norte praticamente dobrou – saiu de 1.423.886 em 2002, para 2.096.322 em 2007. Além disso, os atrativos se mostraram extremamente interessantes para os turistas. Dados indicavam que 91% dos turistas entrevistados desejavam retornar para uma nova visita.

image013De 5 voos internacionais em 2003, o RN passou a receber 23 voos internacionais em 2005, sendo 5 regulares, operados pela TAP. Em 2002 o turismo gerava 80 mil empregos diretos. Em 2005 a atividade foi responsável por mais de 120 mil empregos diretos e 600 indiretos, em todo o estado. E nesse mesmo ano, a participação do turismo na economia potiguar excedeu o petróleo, o camarão, o melão e a castanha de caju, juntos e fez crescer a atividade imobiliária no estado, que passou a se voltar muito para o mercado internacional.
O Rio Grande do Norte passou a ser referência nacional em turismo internacional, com a maior quantidade de voos charters, conforme dados da própria EMBRATUR. Outra coisa importantíssima foi a implantação da política de Interiorização do Turismo. Isso acarretou a criação em 2005 de dois importantes polos turísticos: o Polo Turístico Costa Branca e o Polo Turístico do Seridó. Este último já roteirizado, em parceria com o SEBRAE, e o primeiro com o projeto de roteirização sendo executado em 2006. O próprio Polo Turístico Costa das Dunas, do qual faz parte Natal, Pipa e Touros, foi institucionalizado em 2005.
image016
Mas o Rio Grande do Norte, que já foi o segundo destino turístico mais procurado em 2006 no Nordeste, caiu para a quarta posição em 2010.
Com efeito, mesmo registrando rentabilidade, o turismo no Rio Grande do Norte vem em queda vertiginosa, principalmente no critério da chegada de visitantes estrangeiros. Se em 2010 foram 46 mil, o número está aquém dos anos anteriores. Em 2007, foram 255 mil, contra 299 mil do ano anterior e quase 350 mil em 2005.
Em termos de porcentagem  entre 2006 e 2010, o turismo internacional recuou 60,4% no Estado. Levantamento da OMT cita que o Rio Grande do Norte recebeu 46 mil turistas estrangeiros em 2010 – ano mais recente da pesquisa, enquanto aplicou R$ 30 milhões nesta área.
Em Pernambuco e Ceará, concorrentes diretos do Rio Grande do Norte, a redução não ultrapassou 16%. De acordo com dados do Ministério do Turismo, o Rio Grande do Norte recebeu  117,6 mil turistas estrangeiros em 2006. O Ceará, um dos principais concorrentes dentro do Nordeste, recebeu 108 mil.Um fluxo 8,1% menor que o do Rio Grande do Norte. Em 2010, a situação se inverteu. Enquanto o Rio Grande do Norte recebeu 46 mil turistas estrangeiros, para o Ceará seguiram 94,7 mil – mais que o dobro.
image017Apesar de estados como o Ceará não terem tido o pico que o Rio Grande do Norte teve recentemente, outras unidades da federação continuaram investindo na promoção internacional, inclusive na Argentina e na Europa, através de diversas parcerias.
Estudiosos e pesquisadores apontam que um destino turístico,por alguma razão perde seu mercado, a reconquista é sempre mais difícil. O ideal seria manter constantes ações promocionais, independente do cenário macroeconômico. Com a queda dos recursos investidos na divulgação dos atrativos turísticos, levando em consideração o cenário de crise internacional, a tendência é criar um grande hiato até a retomada do fluxo turístico nos mesmos patamares vivenciados anteriormente.
Apesar do recuo, o Rio Grande do Norte ainda é o estado brasileiro onde o turismo tem maior participação na economia formal. De acordo com estudo realizado pelo IPEA, a participação é de 4,4% – a maior do Brasil. O índice coloca o Rio Grande do Norte na frente de estados como São Paulo e Rio de Janeiro, maiores portas de entrada de turistas estrangeiros.
image018
A Copa do Mundo da FIFA de 2014 no Brasil e a escolha de Natal como uma das cidades sede deste evento mundial podem alterar esta situação. Entre os efeitos positivos do mundial de seleções no turismo potiguar está o de praticamente dobrar o fluxo de turistas internacionais durante o evento.
A capital potiguar receberá quatro jogos da Copa do Mundo, que acontecerão no novo estádio Arena das Dunas, com capacidade de receber 43 mil expectadores e com entrega prevista para dezembro de 2013.
Segundo um estudo da Fundação Getúlio Vargas, encomendado pelo Ministério do Turismo, apontam que cerca de 600 mil turistas virão ao Brasil no mês da Copa do Mundo. Eles realizarão cerca de 2 milhões de viagens na cidades sedes. No Rio Grande do Norte, esse segmento deverá ter 84.979 visitas – um dos menores entre as 12 cidades-sede do Mundial, mas representará um incremento de 82,4% no fluxo de estrangeiros na capital potiguar.
Já os números do Estudo Programa SEBRAE 2014: Mapa de Oportunidades para as Micro e Pequenas Empresas nas cidades-sede, encomendado pelo SEBRAE Nacional à Fundação Getúlio Vargas (FGV), 22,7% das 356 oportunidades de negócios geradas pela Copa em Natal, grande parte se destinará para o setor do comércio/serviços.
image020Especialistas apontam que na a copa de 2014 deixará três grandes legados para as cidades sedes: 1) Visibilidade mundial – O Brasil está na mídia mundial desde o final da Copa da África e permanecerá na mídia até 2018; 2) Obras de mobilidade urbana e infraestrutura que serão realizadas nas 12 cidades sedes; 3) Uma melhor qualificação e capacitação da mão-de-obra.
Dentre as várias áreas relativas a comércio e serviços, o turismo, quando associado a toda uma  cadeia (cultura, artesanato, gastronomia), tem posição de destaque. É o primeiro lugar no ranking, com mais de 30% das oportunidades.
Dado o volume de estrangeiros que os estudos mostram que virão para Natal em 2014, um aspecto extremamente importante aponta para a questão da preparação das cidades-sede para receberem estes visitantes, corrigindo suas deficiências de infraestrutura e transmitindo uma imagem positiva. Estas melhor preparação garante o retorno dos turistas estrangeiros após a Copa.
A questão da capacitação dos profissionais da área turística para o período da Copa do Mundo de 2014, e após, está entre as prioridades dos setores do governo federal que atuam na área do turismo.
Entre os resultados já obtidos, destaca-se o programa de capacitação viabilizado através de parceria do Governo do Estado com o Ministério do Turismo no valor de R$ 440 mil.
A primeira fase prevê capacitação de 900 pessoas, entre bombeiros e policiais civis e militares. Na segunda fase o projeto deverá capacitar 400 taxistas e permissionários que trabalham na Grande Natal. Esta capacitação consiste em aulas de inglês básico, novas tecnologias e noções sobre a história do RN e seus principais pontos turísticos.
image026
Outra questão relativa ao turismo potiguar e a Copa do Mundo de 2014 é sobre os novos hotéis na área da Via Costeira.
Projetada parcialmente durante o governo de Cortez Pereira, com base numa ideia bem mais antiga, da época de Juvenal Lamartine, a Via Costeira teve seu projeto final definido por Tarcísio Maia, foi iniciada por Lavoisier Maia e concluída por José Agripino. O primeiro empreendimento hoteleiro ali instalado foi o Natal Mar Hotel, em dezembro de 1984.
Os atuais 28 mil leitos conseguem suprir a demanda de turistas que visitam a cidade, porém o advento da Copa do Mundo de 2014 aponta a necessidade de novas unidades hoteleiras. A última inauguração de hotel na Via Costeira foi em 2006 com o hotel do grupo catalão SERHS.
Segundo empresários locais existe a necessidade de acelerar a ampliação do número de leitos para a Copa do Mundo de 2014. Eles acreditam que efetivando a conclusão dos 11 empreendimentos planejados para a área e atualmente parados, Natal vai ganhar mais 7 mil leitos e dessa forma, atingir a marca de 33 mil; exigência da FIFA para as cidades-sede do evento. Estes novos leitos vão gerar cerca de 3.800 empregos indiretos, com a garantia de ter todas as obras concluídas em até 30 meses, a tempo para atender a demanda da Copa de 2014.
image012Pesquisas realizadas pela Secretaria Estadual de Turismo calculam que o consumo médio diário feito pelos visitantes (cerca de R$ 150) multiplicado ainda pelo número médio de diárias (sete dias) projeta um aporte de R$ 2,8 bilhões na economia potiguar e a arrecadação de aproximadamente R$ 425 milhões em tributos.
Entretanto os investimentos na Via Costeira estão sujeitos a instabilidades jurídicas em decorrência de questões ligadas a área de preservação do meio ambiente.
A Via Costeira foi definida como sendo uma Área de Proteção Permanente (APP) em um relatório técnico coordenado pela Advocacia Geral da União (AGU) em 2010, onde a área não poderia receber novas construções. É o que defendem IBAMA, Ministério Público Federal e Estadual, além da Superintendência do Patrimônio da União (SPU/RN).
O IBAMA argumenta que as construções ajudam a degradar o meio ambiente no local, visto que a Via Costeira fica numa região de Dunas e as novas edificações poderiam gerar sérios problemas ambientais. Já o Governo do Estado, prefeitura e entidades do setor turístico acreditam que por ter sido projetada para atender o desenvolvimento do turismo, a área pode sim receber novas construções.
O que o trade turístico espera é que o episódio envolvendo a paralisação da construção do hotel da BRA não aconteça novamente.
Esta obra teve início em 2005, mas no ano seguinte teve um dos andares embargados por ter ultrapassado a altura máxima permitida pelo pano Diretor à época (15 metros a partir do solo).
image022Em 2007, a Procuradoria da República enviou uma petição a Justiça Federal, exigindo a demolição do pavimento irregular. No mesmo ano a BRA recorreu. Em 2008, o Tribunal Regional Federal da 5ª Região emitiu liminar afirmando que o hotel não deveria ser derrubado. Apenas em 2012 um acordo começou a ser definido junto ao IBAMA, que se mostrava contra a liberação da construção. Os proprietários do empreendimento prevêem que no primeiro semestre de 2013 será reinício a obra, cuja conclusão está prevista para 2015.
Em recente entrevista (Novo Jornal, 15/12/2012), o empresário hoteleiro e ex-secretário estadual de turismo Ramzi Elali, têm a esperança que o diálogo em torno do caso do hotel da BRA influenciasse na análise das demais áreas não edificadas da Via Costeira. Para este empresário já deveria existir uma regra clara para a utilização da área em prol do mercado turístico e da própria população de Natal. Ramzi comentou que o importante é que “se utilize do bom senso e a compreensão para se recuperar a área, colocar ponto final e começar a desenvolver o turismo no estado”.
Uma notícia alvissareira para o turismo potiguar está no convênio que a EMBRATUR firmou convênio com o Governo do Rio Grande do Norte para intensificar a promoção dos nossos atrativos turísticos nos Países Baixos. A intenção é captar voos diretos entre Amsterdam e Natal.
Existe um voo direto semanal entre Amsterdam e Natal, em operação desde 2003, comporta 180 passageiros, porém a frequência é dividida com Fortaleza. Na atualidade a única rota aérea vinda do exterior, utilizando Natal como destino é a que parte de Lisboa, sendo operacionalizada pela empresa aérea portuguesa TAP.
A verba destinada pela EMBRATUR é de R$ 527 mil. As ações previstas são viagens de familiarização dos operadores de turismo com a nossa região, a vinda de jornalistas especializados desta área (as chamadas “press trips”), a produção de material promocional, campanhas publicitárias e pesquisas qualitativas.
image004A Holanda está entre os 20 primeiros países emissores de turistas para o Brasil. No ano passado, 72.162 holandeses estiveram aqui, dos quais 37% deles o lazer. Eles geralmente permanecem em torno de 19 dias e cada turista holandês gasta, em média, 81 dólares por dia no Brasil.
Mas se por um lado ações são planejadas para melhorar o turismo no Rio Grande do Norte, por outro existem problemas relacionados com a cobrança do ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, sobre o preço dos combustíveis de aviação. Este custo representa entre 40 a 45 % no preço final das passagens aéreas e nos últimos três anos o aumento médio deste insumo foi quase de 60%.
No aeroporto de Guarulhos (SP), o mais movimentado do Brasil, as companhias aéreas pagam R$ 2,65 pelo litro do querosene de aviação para voos nacionais e R4 1,98 o litro para voos internacionais. Isso cria uma situação inusitada; se um turista compara pela empresa área TAM uma passagem de São Paulo para Recife, vai desembolsar R$ 1.470,70. Mas se o mesmo turista desejar comprar pela mesma empresa uma passagem ligando São Paulo a Buenos Aires (Argentina), vai pagar R$ 1.171,46.
Foto postada no blog www.canindesoares.comEste turista terá então uma economia de R$ 299,24, adquirindo uma passagem aérea para o exterior. Desta maneira, será que voltaremos a ter aquele turismo tão ativo e pulsante, do qual participei como Guia de turismo?

FONTE: http://tokdehistoria.wordpress.com/2012/12/19/4693/

QUANDO A PREOCUPAÇÃO ERA ENGORDAR

I0039507-18(04152x05234)
Pode parecer estranho em uma época onde o padrão de beleza feminino é a Gisele Bündchen (não para mim) e diante da verdadeira epidemia de obesidade que atinge a humanidade (entre eles eu), que houvesse uma época em que os jornais natalense publicavam anúncios de duvidosos remédios que prometiam engordar em tempo recorde.
Realmente no século passado a nossa população se sobressaia pelo excesso de pessoas magras. Na época da Segunda Guerra Mundial está comprovado que muitos dos nossos soldados tinham uma alimentação limitada na vida civil e ganhar uns quilinhos a mais era preciso.
Quem pesquisa jornais antigos encontra com perturbadora frequência a notícia de mulheres que morriam no parto. Logicamente que as más condições da saúde pública e da higiene sanitária nos hospitais explicam muito da razão desta situação, mas também as deficiências alimentares da época ajudaram a ceifar a vida de muitas mães de família.
Naquele tempo, uma mulher sem maior estrutura corporal, muito magra, era tida como “doente”, como não tendo as condições adequadas para procriar, de ser mãe. Visto ser este o papel principal das mulheres de uma época onde o mercado de trabalho feminino era limitadíssimo.
Na nossa sociedade muita coisa mudou para melhor neste tema. Certamente este anúncio publicado no jornal natalense “A República” em 3 de junho de 1939 deverá se tornar bem raro de ser repetido.

Por Rostand Medeiros
FONTE: http://tokdehistoria.wordpress.com/2012/12/22/quando-a-preocupacao-era-engordar/

SECA NO NORDESTE – POR QUE SOMOS TÃO POBRES?



zaqweObserve bem esta fotografia, nos seus mais pequenos detalhes. Ela foi feita na comunidade rural de Negros dos Riachos, no município de Currais Novos, região do Seridó potiguar. O local, como o nome sugere, é formado por remanescentes de um quilombo, da mesma forma que muitos outros espalhados pelo Brasil. Na imagem, a professora Marcia Carla se prepara – com toda a emoção que o momento provoca – para se despedir definitivamente das seis crianças, depois do convívio de alguns anos na escola local. O sorriso da professora substitui um choro evidente, quase audível, encoberto pelas lentes dos óculos.
Flagelados da seca do Ceará durante a seca de 1877-1879Estes seis pequenos brasileirinhos, excluídos do que possa haver de mais básico ao ser humano – como roupas, por exemplo –, estão cumprindo uma rotina diária bem diferente daquela a que teriam direito se a riqueza da 6ª maior economia do planeta fosse distribuída de forma justa por meio de políticas públicas que realmente fizessem o Brasil ir para frente.
Depois de parar e posar para a foto, eles vão caminhar alguns quilômetros e transportar na cabeça, em galões de zinco, alguns litros de água para tomar um banho. Quem conhece, sabe como pesa um galão de água deste tamanho na cabeça. A cisterna, reservatório de água que aparece atrás do grupo, está vazia por causa da seca que castiga o Nordeste brasileiro de forma tão inclemente como não se tinha registro nos últimos 85 anos. Comprar água de um carro-pipa para abastecê-lo é impossível.
No alcance da lente do fotógrafo, só o cinza da paisagem, interrompida aqui e ali pelo verde tímido da algaroba. O chão está seco, esturricado. A poeira transportada pelo vento cola na pele, nos cabelos, nas roupas e deixa os personagens com uma maquiagem natural de terra. A única luz da fotografia vem do sol de fim de tarde no sertão, lambendo-lhes o lado esquerdo do rosto.
Jornal natalense A República, edição de 6 de agosto de 1915.
Nos braços da professora Márcia, o menor do grupo. Quantos anos terá? O que lhe reserva o futuro? Os outros cinco, que formam uma espécie de escadinha demográfica da casa, sorriem para nós, pois neles a inocência e a falta de consciência das coisas, natural para a idade, ainda não lhes despertou para a realidade a que estão submetidos. São felizes, ponto final.
Quase todo o Brasil cabe nesta foto. Ela nos cobre de vergonha da cabeça aos pés e surge diante de nós para refutar, sem direito a argumento contrário, qualquer idéia de país rico, líder de um bloco econômico chamado Bric, e que vai sediar uma Copa do Mundo em 2014 e uma Olimpíada em 2016. Que triste e desigual país é este? Por que ainda somos tão pobres e temos tantos problemas em encarar esse fato? Conviveremos até quando com esta imagem?
Este é o pedaço do Brasil onde nunca chegará a água da Transposição do Rio São Francisco, a jóia da coroa do PAC I, por onde já escorreram mais de 8 bilhões de reais. O que há no projeto criado por Lula – ele próprio a encarnação do brasileiro que fugiu de uma fotografia como esta e tornou-se o presidente mais popular do Brasil – são canais vazios formados por placas rachadas no solo seco entre a Bahia e Pernambuco.
Edição de 26 de março de 1942, no Jornal do Commércio, de Recife, Pernambuco. Este é o pedaço do Brasil onde, a cada dois anos, a rodovia muito próxima desta casa onde moram estas seis crianças são rasgadas por LandRovers transportando pessoas que chegam, desembarcam, dão abraços, beijos, posam para fotografias, fazem promessas de melhoras e somem no rastro da poeira – para voltar, de novo, dois anos depois. Fora a isso, eles só são assistidos por pessoas como a professora Márcia. Por isso o choro travestido de sorriso na hora da despedida.
Daqui a cem anos, quando não estivermos mais aqui, é bem provável que esta cena possa ser repetida para outro fotógrafo de forma absolutamente igual em pose, gestos, contexto e geografia. Também por outras professoras Márcias que vão lá, tentam mudar uma realidade tão difícil por meio do conhecimento. E também por outras crianças, e outras cisternas vazias, e outros galões, e outras terras ressequidas, e outras nudezes.

Texto - Paulo Araújo
Fonte - http://www.thaisagalvao.com.br/
P.S. – PESQUEI O TEXTO DO JORNALISTA PAULO ARAÚJO NO BLOG DA THAISA GALVÃO E ACRESCENTEI UMA FOTO E DUAS NOTSAS DE JORNAIS DE NATAL E RECIFE SOBRE O VELHO PROBLEMA DA SECA.

Copiado de http://tokdehistoria.wordpress.com

Alguns ditados populares e seus significados

.
Tanto os provérbios quanto os ditados populares constituem uma parte importante de cada cultura.
Muitas vezes usamos certas expressões, mas não temos idéia do que elas significam. São ditados ou termos populares que através dos anos permaneceram sempre iguais, significando exemplos morais, filosóficos e religiosos. Historiadores e escritores sempre tentaram descobrir a origem dessa riqueza cultural, mas essa tarefa nunca foi nada fácil. O grande escritor Luís da Câmara Cascudo já dizia que: "os ditados populares sempre estiveram presentes ao longo de toda a História da humanidade". No Brasil isso não é nenhuma novidade. Muitas vezes ocorrem expressões tão estranhas e sem sentido, mas que são muito importantes para a nossa cultura popular.

Veja aqui algumas dessas expressões ou ditados populares:

Bicho-de-sete-cabeças

Tem origem na mitologia grega, mais precisamente na lenda da Hidra de Lerna, monstro de sete cabeças que, ao serem cortadas, renasciam. Matar este animal foi uma das doze proezas realizadas por Hércules. A expressão ficou popularmente conhecida, no entanto, por representar a atitude exagerada de alguém que, diante de uma dificuldade, coloca limites à realização da tarefa, até mesmo por falta de disposição para enfrentá-la.

Com o rei na barriga

A expressão provém do tempo da monarquia em que as rainhas, quando grávidas do soberano, passavam a ser tratadas com deferência especial, pois iriam aumentar a prole real e, por vezes, dar herdeiros ao trono, mesmo quando bastardos. Em nossos dias refere-se a uma pessoa que dá muita importância a si mesma.

Ver (ou adivinhar) passarinho verde

Significa estar apaixonado. O passarinho em questão é uma espécie de periquito verde. Conta uma lenda que alguns românticos rapazes do século passado adestravam o bichinho para que ele levasse no bico uma carta de amor para a namorada. Assim, o casal de apaixonados tinha grandes chances de burlar a vigilância de um paizão ranzinza.

Com a corda toda

Antigamente, os brinquedos que possuíam movimento eram acionados torcendo um mecanismo em forma de mola ou um elástico, que ao ser distendido, fazia o brinquedo se mexer. Ambos os mecanismos eram chamados de "corda". Logo, quando se dava "corda" totalmente num brinquedo, ele movia-se de forma mais agitada e frenética. Daí a origem da expressão.

Favas contadas

De acordo com o pesquisador Câmara Cascudo, antigamente, votavam-se com as favas brancas e pretas, significando sim ou não. Cada votante colocava o voto, ou seja, a fava, na urna. Depois vinha a apuração pela contagem dos grãos, sendo que quem tivesse o maior número de favas brancas estaria eleito. Atualmente, significa coisa certa, negócio seguro.

Fazer ouvidos de mercador

Orlando Neves, autor do Dicionário das Origens das Frases Feitas, diz que a palavra mercador é uma corruptela de marcador, nome que se dava ao carrasco que marcava os ladrões com ferro em brasa, indiferente aos seus gritos de dor. No caso, fazer ouvidos de mercador é uma alusão a atitude desse algoz, sempre surdo às súplicas de suas vítimas.

Tapar o sol com a peneira

Peneira é um instrumento circular de madeira com o fundo em trama de metal, seda ou crina, por onde passa a farinha ou outra substância moída. Qualquer tentativa de tapar o sol com a peneira é inglória, uma vez que o objecto é permeável à luz. A expressão teria nascido dessa constatação, significando atualmente um esforço mal sucedido para ocultar uma asneira ou negar uma evidência.

O pomo da discórdia

A lendária Guerra de Tróia começou numa festa dos deuses do Olimpo: Éris, a deusa da Discórdia, que naturalmente não tinha sido convidada, resolveu acabar com a alegria reinante e lançou por sobre o muro uma linda maçã, toda de ouro, com a inscrição “à mais bela”.
Como as três deusas mais poderosas: Hera, Afrodite e Atena disputavam o troféu, Zeus passou a espinhosa função de julgar para Páris, filho do rei de Tróia. O príncipe concedeu o título a Afrodite em troca do amor de Helena, casada com o rei de Esparta.
A rainha fugiu com Páris para Tróia, os gregos marcharam contra os troianos e a famosa maçã passou a ser conhecida como "o pomo da discórdia" – que hoje indica qualquer coisa que leve as pessoas a brigar entre si.

Afogar o ganso

No passado, os chineses costumavam satisfazer as suas necessidades sexuais com gansos. Pouco antes de ejacularem, os homens afundavam a cabeça da ave na água, para poderem sentir os espasmos anais da vítima. Daí a origem da expressão, que se refere a um homem que está precisando fazer sexo.

Ave de mau agouro

Diz-se de pessoa portadora de más notícias ou que, com a sua presença, anuncia desgraças. O conhecimento do futuro é uma das preocupações inerentes ao ser humano. Quase tudo servia para, de maneiras diversas, se tentar obter esse conhecimento. As aves eram um dos recursos que se utilizava. Na antiga Roma, a predição dos bons ou maus acontecimentos (Avis spicium, em Latim) era feita através da leitura do vôo ou canto das aves. Os pássaros mais usado para isso eram a águia, a coruja, o corvo e a gralha. Ainda hoje perdura, popularmente, a conotação funesta com qualquer destas aves.

Santinha do pau oco

Expressão que se refere à pessoa que se faz de boazinha, mas não é. Nos século XVIII e XIX os contrabandistas de ouro em pó, moedas e pedras preciosas utilizavam estátuas de santos ocas por dentro. O santo era “recheado” com preciosidades roubadas e enviado para Portugal.

Mais vale um pássaro na mão que dois voando

Significa que é melhor ter pouco que ambicionar muito e perder tudo. É tradição de antigos caçadores. Eles achavam melhor apanhar logo a ave que tinham atingido de raspão, antes que ela fugisse, do que tentar atirar nas que estavam voando e errar o alvo.

Apressado come cru

Quando não existia o forno microondas, era preciso muito tempo para a comida ficar pronta, ou então comê-la crua. Nessa época, a culinária japonesa ainda não estava na moda e comida crua era vista com maus olhos. Assim, a expressão passou a ser usada para significar afobamento, precipitação.

Chorar as pitangas

Pitangas são deliciosas frutinhas cultivadas e apreciadas em todo o país, especialmente nas regiões norte e nordeste do país. A palavra deriva de pyrang, que, em tupi-guarani, significa vermelho. Sendo assim, a provável relação da fruta com lágrimas, vem do fato de os olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas, quando se chora muito.

Farinha do mesmo saco

“Homines sunt ejusdem farinae” esta frase em latim (homens da mesma farinha) é a origem dessa expressão, utilizada para generalizar um comportamento reprovável. Como a farinha boa é posta em sacos diferentes da farinha ruim, faz-se essa comparação para insinuar que os bons andam com os bons enquanto os maus preferem os maus.

Aquela que matou o guarda

Tratava-se de uma mulher que trabalhava para D. João VI e se chamava Canjebrina, que, como informam os dicionários, significa pinga, cachaça. Ela teria matado um dos principais guardas da corte do Rei. O fato não foi provado. Mas está no livro “Inconfidências da Real Família no Brasil”, de Alberto Campos de Moraes.

Sangria desatada

Diz-se de qualquer coisa que requer uma solução ou realização imediata. Esta expressão teve origem nas guerras, onde se verificava a necessidade de cuidados especiais com os soldados feridos. É que, se por qualquer motivo, se desprendesse a atadura posta sobre as feridas, o soldado morreria, por perder muito sangue.

Colocar panos quentes

Significa favorecer ou acobertar coisa errada feita por outro. Em termos terapêuticos, colocar panos quentes é uma receita, embora paliativa, prescrita pela medicina popular desde tempos remotos. Recomenda-se sobretudo nos estados febris, pois a temperatura muito elevada pode levar a convulsões e a problemas daí decorrentes. Nesses casos, compressas de panos encharcados com água quente são um santo remédio. A sudorese resultante faz baixar a febre.

Cor de burro quando foge

A frase original era “Corra do burro quando ele foge”. Tem sentido porque, o burro enraivecido, é muito perigoso. A tradição oral foi modificando a frase e “corra” acabou virando “cor”.

Pagar o pato

A expressão deriva de um antigo jogo praticado em Portugal. Amarrava-se um pato a um poste e o jogador (em um cavalo) deveria passar rapidamente e arrancá-lo de uma só vez do poste. Quem perdia era que pagava pelo animal sacrificado. Sendo assim, passou-se a empregar a expressão para representar situações onde se paga por algo sem ter qualquer benefício em troca.

De pequenino é que se torce o pepino

Os agricultores que cultivam os pepinos precisam de dar a melhor forma a estas plantas. Retiram uns “olhinhos” para que os pepinos se desenvolvam. Se não for feita esta pequena poda, os pepinos não crescem da melhor maneira porque criam uma rama sem valor e adquirem um gosto desagradável. Assim como é necessário dar a melhor forma aos pepinos, também é preciso moldar o caráter das crianças o mais cedo possível.

Salvo pelo gongo

O ditado tem origem na na Inglaterra. Lá, antigamente, não havia espaço para enterrar todos os mortos. Então, os caixões eram abertos, os ossos tirados e encaminhados para o ossário e o túmulo era utilizado para outro infeliz. Só que, às vezes, ao abrir os caixões,os coveiros percebiam que havia arranhões nas tampas, do lado de dentro, o que indicava que aquele morto, na verdade, tinha sido enterrado vivo (catalepsia – muito comum na época).
Assim, surgiu a idéia de, ao fechar os caixões, amarrar uma tira no pulso do defunto, tira essa que passava por um buraco no caixão e ficava amarrada num sino. Após o enterro, alguém ficava de plantão ao lado do túmulo durante uns dias. Se o indivíduo acordasse, o movimento do braço faria o sino tocar. Desse modo, ele seria salvo pelo gongo. Atualmente, a expressão significa escapar de se meter numa encrenca por uma fração de segundos.

Elefante branco

A expressão vem de um costume do antigo reino de Sião, situado na atual Tailândia, que consistia no gesto do rei de dar um elefante branco aos cortesãos que caíam em desgraça. Sendo um animal sagrado, não podia ser posto a trabalhar. Como presente do próprio rei, não podia ser vendido. Matá-lo, então, nem pensar. Não podendo também ser recusado, restava ao infeliz agraciado alimentá-lo, acomodá-lo e criá-lo com luxo, sem nada obter de todos esses cuidados e despesas. Daí o ditado significar algo que se tem ou que se construiu, mas que não serva para nada.

Comer com os olhos

Soberanos da África Ocidental não consentiam testemunhas às suas refeições. Comiam sozinhos. Na Roma Antiga, uma cerimônia religiosa fúnebre consistia num banquete oferecido aos deuses em que ninguém tocava na comida. Apenas olhavam, “comendo com os olhos”. A propósito, o pesquisador Câmara Cascudo diz que certos olhares absorvem a substância vital dos alimentos. Hoje o ditado significa apreciar de longe, sem tocar.

Amigo da onça

Segundo estudiosos da língua portuguesa, este termo surgiu a partir de uma história curiosa. Conta-se que um caçador mentiroso, ao ser surpreendido, sem armas, por uma onça, deu um grito tão forte que o animal fugiu apavorado. Como quem o ouvia não acreditou, dizendo que , se assim fosse, ele teria sido devorado, o caçador, indignado, perguntou se, afinal, o interlpcutor era seu amigo ou amigo da onça. Atualmente, o ditado significa amigo falso, hipócrita.

Estar com a corda no pescoço

O enforcamento foi, e ainda é em alguns países, um meio de aplicação da pena de morte. A metáfora nasceu de anistias ou comutações de pena chegadas à última hora, quando o condenado já estava prestes a ser executado e o carrasco já lhe tinha posto a corda no pescoço, situação que, de fato, é um sufoco. Hoje, o ditado significa estar ameaçado, sob pressão ou com problemas financeiros.

Como sardinha em lata

A palavra sardinha vem do latim sardina. Designa o peixe abundante na Sardenha, conhecida região da Itália. É um alimento apreciado e nutritivo, de sabor bem peculiar. As sardinhas, quando enlatadas em óleo ou em outro molho, vêm coladas umas às outras. Por analogia, usa-se a expressão popular sardinha em lata para designar a superlotação de veículos de transporte público.

O pior cego é o que não quer ver

Em 1647, em Nimes, na França, na universidade local, o doutor Vicent de Paul D’Argenrt fez o primeiro transplante de córnea em um aldeão de nome Angel.
Foi um sucesso da medicina da época, menos para Angel, que assim que passou a enxergar ficou horrorizado com o mundo que via. Disse que o mundo que ele imagina era muito melhor. Pediu ao cirurgião que arrancasse seus olhos.
O caso foi acabar no tribunal de Paris e no Vaticano. Angel ganhou a causa e entrou para a história como o cego que não quis ver. Atualmente, o ditado se refere a a alguém que se nega a admitir um fato verdadeiro.

Andar à toa

Toa é a corda com que uma embarcação remboca a outra. Um navio que está “à toa” é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar. Uma mulher à toa, por exemplo, é aquela que é comandada pelos outros. Jorge Ferreira de Vasconcelos já escrevia, em 1619: Cuidou de levar à toa sua dama. Hoje, o ditado significa andar sem destino, despreocupado, passando o tempo.

Casa de mãe Joana

Este dito popular tem origem na Itália. Joana, rainha de Nápoles e condessa de Provença (1326-1382), liberou os bordéis em Avignon, onde estava refugiada, e mandou escrever nos estatutos: “Que tenha uma porta por onde todos entrarão”.
O lugar ficou conhecido como Paço de Mãe Joana, em Portugal. Ao vir para o Brasil a expressão virou “Casa da Mãe Joana”. A outra expressão envolvendo Mãe Joana, um tanto chula, tem a mesma origem, naturalmente.

Onde judas perdeu as botas

Como todos sabem, depois de trair Jesus e receber 30 dinheiros, Judas caiu em depressão e culpa, vindo a se suicidar enforcando-se numa árvore.
Acontece que ele se matou sem as botas. E os 30 dinheiros não foram encontrados com ele. Logo os soldados partiram em busca as botas de Judas, onde, provavelmente, estaria o dinheiro.
A história é omissa daí pra frente. Nunca saberemos se acharam ou não as botas e o dinheiro. Mas a expressão atravessou vinte séculos. Atualmente, o ditado significa lugar distante, inacessível.

Quem não tem cão caça com gato

Significado: Se você não pode fazer algo de uma maneira, se vira e faz de outra.
Histórico: Na verdade, a expressão, com o passar dos anos, se adulterou. Inicialmente se dizia “quem não tem cão caça como gato”, ou seja, se esgueirando, astutamente, traiçoeiramente, como fazem os gatos.

Da pá virada

Significado: Um sujeito da pá virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio.
Histórico: a origem da palavra é em relação ao instrumento, a pá. Quando ela está virada para baixo, é inútil não serve para nada. Hoje em dia, “pá virada” tem outro sentido. Refere-se a uma pessoa de maus instintos e criadora de casos ou a um aventureiro.

Deixar de Nhenhenhém

Significado: Conversa interminável em tom de lamúria, irritante, monótona. Resmungo, rezinga.
Histórico: Nheë, em tupi, quer dizer falar. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, eles não entendiam aquela falação estranha e diziam que os portugueses ficavam a dizer “nhen-nhen-nhen”.

Estar de paquete

Significado: Situação das mulheres quando estão menstruadas.
Histórico: Paquete, já nos ensina o Aurélio, é um das denominações de navio. A partir de 1810, chegava um paquete mensalmente, no mesmo dia, no Rio de Janeiro. E a bandeira vermelha da Inglaterra tremulava. Daí logo se vulgarizou a expressão sobre o ciclo menstrual das mulheres. Foi até escrita uma “Convenção Sobre o Estabelecimento dos Paquetes”, referindo-se, é claro, aos navios mensais.

Pensando na morte da bezerra

Significado: Estar distante, pensativo, alheio a tudo.
Histórico: Esta é bíblica. Como vocês sabem, o bezerro era adorado pelos hebreus e sacrificados para Deus num altar. Quando Absalão, por não ter mais bezerros, resolveu sacrificar uma bezerra, seu filho menor, que tinha grande carinho pelo animal, se opôs. Em vão. A bezerra foi oferecida aos céus e o garoto passou o resto da vida sentado do lado do altar “pensando na morte da bezerra”. Consta que meses depois veio a falecer.

Não entender patavina

Significado: Não saber nada sobre determinado assunto. Nada mesmo.
Histórico: Tito Lívio, natural de Patavium (hoje Pádova, na Itália), usava um latim horroroso, originário de sua região. Nem todos entendiam. Daí surgiu o Patavinismo, que originariamente significava não entender Tito Lívio, não entender patavina.

Jurar de pés junto

A expressão surgiu das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para confessar seus crimes.

Testa de ferro

O Duque Emanuele Filiberto di Savoia, conhecido como Testa di Ferro, foi rei de Chipre e Jerusalém. Mas tinha somente o título e nenhum poder verdadeiro. Daí a expressão ser atribuída a alguém que aparece como responsável por um por um negócio ou empresa sem que o seja efetivamente.

Erro crasso

Na Roma antiga havia o Triunvirato: o poder dos generais era dividido por três pessoas. No primeiro destes Triunviratos, tínhamos: Caio Júlio, Pompeu e Crasso. Este último foi incumbido de atacar um pequeno povo chamado Partos. Confiante na vitória, resolveu abandonar todas as formações e técnicas romanas e simplesmente atacar. Ainda por cima, escolheu um caminho estreito e de pouca visibilidade. Os Partos, mesmo em menor número, conseguiram vencer os romanos, sendo o general que liderava as tropas um dos primeiros a cair. Desde então, sempre que alguém tem tudo para acertar, mas comete um erro estúpido, dizemos tratar-se de um “erro crasso“.

Lágrimas de crocodilo

O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima. Daí a expressão significar choro fingido.

Fila indiana

Tem origem na forma de caminhar dos índios americanos, que, desse modo, encobriam as pegadas dos que iam na frente.

Passar a mão pela cabeça

Significa perdoar, e vem do costume judaico de abençoar cristãos-novos, passando a mão pela cabeça e descendo pela face, enquanto se pronuncia a bênção.

Gatos pingados

Esta expressão remonta a uma tortura procedente do Japão que consistia em pingar óleo fervente em cima de pessoas ou animais, especialmente gatos.
Existem várias narrativas ambientais na Ásia que mostram pessoas com os pés mergulhados num caldeirão de óleo quente. Como o suplício tinha uma assistência reduzida, tal era a crueldade, a expressão “gatos pingados” passou a significar pequena assistência sem entusiasmo ou curiosidade para qualquer evento.

Queimar as pestanas

Antes do aparecimento da eletricidade, recorria-se a uma lamparina ou uma vela para iluminação. A luz era fraca e, por isso, era necessário colocá-las muito perto do texto quando se pretendia ler o que podia dar num momento de descuido queimar as pestanas. Por essa razão, aplica-se àqueles que estudam muito.

Sem papas na língua

Significa ser franco, dizer o que sabe, sem rodeios. A expressão vem da frase castelhana “no tener pepitas em la lengua”. Pepitas, diminutivo de papas, são partículas que surgem na língua de algumas galinhas, é uma espécie de tumor que lhes obstrui o cacarejo. Quando não há pepitas (papas), a língua fica livre.

A toque de caixa

A caixa é o corpo oco do tambor que foi levado para a a Europa pelos árabes. Como os exercícios militares eram acompanhados pelo som de tambores, dizia-se que os soldados marchavam a toque de caixa. Atualmente, refere-se a uma tarefa que se tem de fazer rapidamente, eventualmente a mando de alguém ou mesmo à força.

Maria vai com as outras

Dona Maria I, mãe de D. João VI (avó de D. Pedro I e bisavó de D. Pedro II), enlouqueceu de um dia para o outro . Declarada incapaz de governar, foi afastada do trono. Passou a viver recolhida e só era vista quando saía para caminhar a pé, escoltada por numerosas damas de companhia. Quando o povo via a rainha levada pelas damas nesse cortejo, costumava comentar: “Lá vai D. Maria com as outras”. Atualmente aplica-se a expressão a uma pessoa que não tem opinião e se deixa convencer com a maior facilidade.

Fonte: CASCUDO, Luís da Câmara. Locuções Tradicionais no Brasil. São Paulo, Editora Global/2008. Quer comprar o livro? Clique aqui
 
Copiado de http://saibahistoria.blogspot.com.br/2010/07/blog-post.html

Revolta dos Malês: Guerreiros de Alá na Bahia


Com uma espada na mão e o Corão na outra, os africanos conhecidos como malês puseram Salvador em pânico numa madrugada de 1835, usando o Islã para unir os escravos contra a opressão.

Os poucos soldados da polícia de Salvador que foram acompanhar o que parecia outra averiguação de rotina sobre escravos rebeldes, numa madrugada sonolenta de janeiro de 1835, provavelmente tiveram a pior surpresa de suas vidas ao dar de cara com aquela cena. De espada em punho, um bando enfurecido de uns 50 homens negros partiu para cima dos incrédulos policiais, gritando “mata soldado” e palavras de ordem em idiomas africanos. De repente, o papel da escolta do juiz de paz Caetano Galião, que comandava a diligência, deu lugar a uma reação desesperada para tentar salvar a própria pele. Carregando afobados as espingardas, os soldados nada puderam fazer para impedir o avanço dos guerreiros africanos, que mataram um patrulheiro e feriram outros quatro, ganhando a seguir as ruas da cidade. Começava o que ficaria conhecido como “Levante dos Malês”, uma rebelião comandada por muçulmanos em plena Bahia.

Esse primeiro esquadrão de revoltosos, impelido a começar o levante algumas horas antes do combinado devido à delação de outros africanos, alertou os demais grupos malês da cidade para se unirem ao combate. No fim das contas, centenas de muçulmanos e seus aliados enfrentaram o Exército nas ruas de Salvador durante a madrugada, no que foi a maior revolta urbana de escravos das Américas. A documentação da época sobre o levante não é muito clara quanto ao objetivo final dos rebeldes, mas há indícios de que eles pretendiam implantar um Estado comandado por africanos islâmicos, no qual até os negros e mulatos nascidos no Brasil teriam um status subalterno.

Aos poucos, as investigações do governo baiano sobre o levante foram revelando uma rede clandestina de propaganda islâmica, que unia os escravos que já tinham vindo da África como muçulmanos a outros convertidos no Brasil e a africanos adeptos de outras religiões. Graças ao ambiente um pouco menos sufocante da escravidão urbana na Bahia, os malês conseguiram criar uma organização rebelde bem diferente da representada pelos quilombos, em geral formados por escravos que escapavam de grandes propriedades rurais. “A maioria das mais de 20 conspirações e levantes escravos acontecidos na Bahia na primeira metade do século 19 envolveu escravos rurais dos engenhos do Recôncavo”, afirma o historiador João José Reis, da Universidade Federal da Bahia, autor de Rebelião Escrava no Brasil – A História do Levante dos Malês, 1835, um dos principais estudos sobre o tema.

A África e o Brasil que produziram a rebelião malê eram bem diferentes da situação que favoreceu a existência do quilombo de Palmares por quase 100 anos durante o século 17. E isso a começar pela própria região de origem dos negros trazidos para a Bahia no final do século 18 e começo do 19. Em vez das tribos de agricultores angolanos que predominavam no início da colonização, a principal fonte de novos escravos para Salvador e os engenhos de açúcar baianos eram os belicosos reinos da África Ocidental, onde hoje é a Nigéria. “Eram as civilizações mais desenvolvidas da África negra”, afirma o historiador Décio Freitas, ex-professor da Universidade Federal de Alagoas.

Donos de tecnologia comparável à da Europa medieval e totalmente integrados às rotas de comércio que uniam a África ao Ocidente, povos como os iorubás, os jejes e os haussás chegaram a formar Estados poderosos, muitos deles já influenciados pelo islamismo. Contudo, naquela época, tais nações não estavam durando muito, dizimadas por uma série catastrófica de conflitos. O destino dos guerreiros derrotados ou o de sua família tanto podia ser o trabalho de pastor escravo no reino iorubá de Oyo, quanto a terrível travessia do Atlântico rumo à Bahia. A moeda que pagava essa viagem sem volta normalmente era o fumo baiano. “É graças a esse rentável comércio de fumo que a Bahia foi a única região do Brasil a receber escravos sudaneses em grande quantidade”, diz Décio.

Não demorou muito para que os senhores de escravos percebessem que estavam dormindo com o inimigo, já que décadas de guerras internas ou contra Estados rivais haviam forjado uma forte tradição guerreira entre os africanos recém-chegados. Para João Saldanha da Gama, o conde da Ponte, governador português da província entre 1805 e 1810, os novos escravos pertenciam a “Naçoens as mais guerreiras da Costa Leste” e eram uma séria ameaça à paz.

Dentro de alguns anos, contudo, os baianos se viram às voltas com problemas ainda mais sérios. No rastro da independência do Brasil, foi preciso retomar em combate a própria Salvador das mãos dos portugueses, e a província toda, assim como diversas outras regiões do país, virou palco dos conflitos entre brasileiros e portugueses que permaneceram aqui, sem falar nas rebeliões militares e nas revoltas das camadas mais pobres da população contra a crise econômica. O cheiro de insurreição contra os impopulares regentes, que estavam no poder enquanto o jovem dom Pedro II ainda era menor de idade, estava tão forte no ar que o levante dos malês explodiu no mesmo ano que a Revolução Farroupilha, no Rio Grande do Sul, e a Cabanagem, no Pará.

Como se não bastasse todo esse fermento revolucionário, boa parte dos escravos de Salvador (dos quais 63% tinham nascido na África) gozavam de um grau de liberdade insuspeito. É que, diferentemente dos negros que se esfalfavam nos engenhos, muitos deles nem moravam com seus senhores ou, quando isso acontecia, trabalhavam o dia todo fora de casa. Era a chamada escravidão de ganho, na qual os escravos exerciam os mais variados ofícios (vendedores ambulantes, pescadores, pedreiros, carregadores de cadeiras) para sustentar o próprio dono, trazendo-lhe depois o que conseguiam trabalhando.

Alguns até podiam ficar com uma porcentagem (ridícula, obviamente) do que ganhavam, e com esse dinheiro compravam mais tarde a própria alforria. Além de gerar um número considerável de libertos (que incluía também os que eram libertados pelo patrão por qualquer que fosse o motivo), esse sistema permitia que os negros montassem sua própria rede de amizades e contatos. Entre os malês, por exemplo, não era raro encontrar um liberto morando no andar térreo de um sobrado que alugava a sua “loja” (uma espécie de porão das antigas casas coloniais) para um escravo e este, por sua vez, alugava um cantinho do lugar a outro amigo.

Foi graças a isso tudo que a revolta começou a tomar forma em Salvador. Inadvertidamente, os traficantes de escravos acabaram trazendo para as praias baianas não só guerreiros experientes, mas também pessoas que freqüentaram escolas onde se ensinava a ler e escrever em árabe, a recitar as suras ou versículos do Corão e a seguir os demais preceitos do profeta Maomé. A maioria dos que tomaram parte no levante parece ter sido de origem iorubá (ou nagô, como se dizia na Bahia de então), etnia africana criadora da religião dos orixás, mas entre a qual o Islã estava em expansão no começo do século 19. A própria palavra “malê” parece vir do termo iorubá imale, que quer dizer “muçulmano”.

Sujeitos como os escravos iorubás Ahuna e Pacífico Licutan, pessoas experientes, muito cultas e carismáticas, logo se puseram a unir em torno de si seus companheiros que já eram muçulmanos e a espalhar a palavra de Maomé entre outros escravos. Essa pregação incluía ensinar a ler e escrever em árabe, a recitação de passagens do Corão e a distribuição de pequenos amuletos de couro, recheados com trechos do livro sagrado. Esses talismãs foram muito difundidos e eram considerados poderosos até por quem não era islâmico.

Aparentemente, a idéia de uma revolta só foi tomando corpo devagar. A princípio, os malês se contentavam em organizar um fundo comum para pagar alforrias uns dos outros, ou em se reunir para celebrar sua religião. Segundo João José Reis, o grupo chegou até a construir uma espécie de mesquita – uma palhoça no quintal dos fundos do inglês conhecido como Abraham, senhor dos escravos malês James e Diogo. Ali, eles conseguiram celebrar o Lailat al-Miraj, festa que comemora a ascensão de Maomé ao céu, no final de novembro de 1834. Tudo ótimo, se não fosse o aparecimento do inspetor de quarteirão Antônio Marques, que pôs os pobres malês para correr e denunciou a reunião às autoridades baianas. Abraham, tentando evitar problemas para si próprio, ordenou que seus escravos pusessem a mesquita abaixo. “Não é impossível que essa última humilhação tenha sido o estopim da revolta”, afirma João Reis.

Tanto a união em torno do Islã quanto a solidariedade étnica influenciaram os rebeldes. Para Décio Freitas, foi o cimento religioso que conseguiu unir povos diferentes e até inimigos entre si no mesmo levante. “O grande problema dos africanos aqui é que eles eram muito diferentes uns dos outros. Em Palmares, foi preciso até inventar uma nova língua, com base em vários idiomas africanos e no português. Uma religião universal como o Islã conseguiu aglutiná-los”, diz Décio. Mesmo assim, era difícil esquecer as velhas divisões. “Em 1835, nem todo muçulmano entrou na revolta e nem todo rebelde era muçulmano”, diz João José. Segundo ele, os haussás, por exemplo, que constituíam o grupo étnico mais numeroso entre os mais islamizados, compareceram com poucos guerreiros. O movimento foi levado a cabo sobretudo por muçulmanos de origem iorubá, os nagôs. Esse contorno étnico da revolta permitiu, por seu turno, que muitos nagôs não-islamizados, mas que acreditavam na solução armada para a liberdade e na força protetora dos amuletos malês, entrassem no levante.

Seja como for, não poderia haver data mais religiosa para a revolta. O dia 25 de janeiro, um domingo, era a festa de Nossa Senhora da Guia, mas também o dia 25 do mês muçulmano do Ramadã – época do ano consagrada ao jejum, na qual acreditava-se que espíritos malignos e forças do mal eram neutralizadas. O plano era simples: ao amanhecer, a vanguarda dos rebeldes, espalhada por vários grupos menores na cidade, reuniria o maior número possível de africanos e depois iria se juntar aos adeptos da zona rural do Recôncavo. A idéia era tomar o poder matando todos os nascidos no Brasil, inclusive outros negros, embora alguns depoimentos falem em conservar os mulatos como escravos dos vitoriosos. O inimigo principal, é claro, eram os brancos.

Informações sobre o levante, porém, vazaram no começo da noite anterior, por meio de alguns libertos que, sabendo do plano, o denunciaram a seus ex-senhores. Estes, por sua vez, alertaram o presidente da província da Bahia, Francisco de Souza Martins. Sem perder um segundo de tempo, ele reforçou a guarda do palácio do governo, colocou todos os quartéis da cidade em alerta e redobrou as rondas noturnas. As casas de africanos suspeitos começaram a ser reviradas no início da madrugada.

Foi então que explodiram os confrontos, por volta da 1h30 da manhã, na “loja” onde morava Manoel Calafate, um dos líderes malês. Tentando arrombar a casa onde parte dos conspiradores se reunia, a patrulha ficou impotente diante dos muitos guerreiros muçulmanos, armados de espadas e vestindo o abadá, espécie de camisolão branco que era o traje ritual dos malês. A maioria deles subiu a Ladeira da Praça, onde estava o sobrado de Calafate, enquanto outros pularam o muro dos fundos e seguiram outro caminho. Ambos os grupos tentavam acordar e reunir o maior número possível de adeptos do movimento, muitos dos quais ficaram desnorteados com o início precoce do levante.

A primeira parada foi a praça do Palácio. A intenção dos malês era arrancar da cadeia seu líder Pacífico Licutan, preso para ser leiloado por causa de uma dívida de seu senhor. Má idéia: os guardas da prisão, que ficava no subsolo da Câmara Municipal, se entrincheiraram e disparavam sem parar sobre os africanos, que também ficaram sob fogo cerrado dos guardas do palácio governamental. Os rebeldes mataram só um dos guardas palacianos e saíram dali, recebendo reforços de todos os lados. Uma tentativa de tomar o quartel do convento de São Bento repetiu o que acontecera na prisão: os soldados se fecharam dentro da fortaleza e acabaram repelindo os malês. A essa altura, alguns deles já tinham morrido.

Depois desse último combate, o grupo conseguiu se reorganizar perto do convento das Mercês, para onde se dirigiram mais malês vindos do bairro da Vitória, muitos deles escravos de uma colônia de ingleses do lugar. O ataque seguinte dos malês, que já contavam centenas de guerreiros, foi sobre o quartel de polícia no largo da Lapa. Tudo conforme o figurino de novo: dos 32 guardas, dois foram mortos, enquanto os demais recuaram para o interior do quartel e, à bala, impediram que os malês o tomassem.

Após mais algumas escaramuças, os rebeldes viram que aquilo não estava funcionando. Decidiram deixar a cidade e buscar seus companheiros que viviam no Recôncavo, mas no meio do caminho havia um quartel da cavalaria baiana, numa localidade chamada Água de Meninos. Tentando passar, foram recebidos com uma saraivada de balas e forçados a combater a cavalaria lá fora, enquanto aguentavam os disparos dos soldados a pé dentro do quartel.

Foi um massacre. Uma primeira carga de cavalaria dispersou o grupo inicial de 50 ou 60 africanos e passou a caçá-los pela estrada. Logo chegaram mais malês, mas não dava para suportar por muito tempo os tiros ininterruptos que vinham do quartel, ainda mais com o baixíssimo número de armas de fogo de que dispunham os rebeldes. Um segundo ataque dos soldados montados encerrou qualquer resistência. No total, cerca de 70 rebeldes tinham morrido, contra apenas nove soldados e civis baianos. Bem antes de amanhecer, tudo estava terminado.

A devassa que se seguiu puniu cerca de 500 africanos, mas como muitos processos estão incompletos é difícil identificar a sentença de todos eles. Apenas quatro foram condenados à morte, já que isso acarretaria prejuízos sérios a seus senhores, que recorreram quase invariavelmente desse tipo de sentença. Muitas chibatadas, em geral na casa das centenas, aguardavam 45 deles, enquanto 34 foram deportados de volta à África. É difícil especular qual teria sido o destino da rebelião, se ela tivesse sido vitoriosa.

“Isso não fica claro, exceto que seria uma sociedade controlada pelos africanos, possivelmente pelos nagôs islamizados. Mas eles não conseguiriam manter-se no poder sem alianças sólidas com outros grupos étnicos e sobretudo com os numerosos nagôs adeptos do culto aos orixás”, diz João José. “A delação certamente selou a sorte dos rebeldes mais cedo, mas os fatores se encontram tanto entre os africanos como entre seus adversários. Além de mais bem armados, estes estavam unidos quando se tratava de dar combate aos africanos, para o que contavam com brasileiros de todas as classes e cores, escravos ou não.”

O controle sobre os escravos cresceu na Bahia, mas a revolta também ajudou a impor uma redução do tráfico negreiro e, finalmente, sua extinção em 1850, por medo de que mais africanos se unissem como os malês. Segundo João José, os escravos baianos ganharam fama de rebeldes e, de certa forma, isso pode ter aumentado seu poder de barganha junto aos senhores. “O medo foi uma conseqüência nada desprezível que a revolta de 1835 conseguiu fincar por muito tempo na mente senhorial”, afirma.

Texto de Reinaldo José Lopes. 

Referência Bibliográfica: Rebelião Escrava no Brasil – A História do Levante dos Malês, 1835, João José Reis, Cia. das Letras, 2003.
O historiador João José Reis, da Universidade Federal da Bahia, reconstrói de forma vívida a batalha entre os guerreiros malês e o governo baiano, mas talvez o aspecto mais interessante do livro seja o de mostrar como o movimento não tinha nada de aberrante quando inserido no momento histórico que o Brasil vivia. Esmagado por uma crise econômica das piores, o País e a Bahia de então eram verdadeiros campos minados de revolta. Reis também explora em detalhes como era a escravidão urbana em Salvador, muito diferente da vida tradicional dos cativos nos engenhos.

Clique aqui e saiba mais sobre Revoltas e Documentos que forjaram a história dos protestos no Brasil



FONTE: http://saibahistoria.blogspot.com.br/2012/12/revolta-dos-males-guerreiros-de-ala-na.html