sábado, 16 de outubro de 2010

Na Palestra do Professor Teensma
















Com a professora Fátima Martins, o grupo da palestra e o professor Luiz Dultra.

Palestra na UFRN com Benjamin Nicolaas Teensma






















Estive no dia 15 de outubro (Dia do Professor) na palestra do professor Benjamin N. Teensma. Com o tema "A Missão de Rodolfo Baro ao Encontro de Nhandui na Serra de Macaguá, Rio Grande do Norte em 1647" a palestra ocorreu as 15hs na sala C5 do setor II de aulas do Campus Universitário/UFRN, em Natal.

Dr Benjamin N. Teensma é professor e investigador emérito da Secção de Português de Departamento de Línguas e Culturas da América Latina da Universidade de Leiden na Holanda. Os seus interesses de investigação incluem a história dos judeus sefarditas em Amesterdã, a história da expansão portuguesa na Ásia e a história da presença da Cia das Índias Ocidentais Holandesas (W.I.C.) no Brasil Holandês. É de sua autoria uma variedade de publicações e comentários sobre manuscritos respeitantes às suas áreas de investigação. Desde 1997, Teensma é membro correspondente da Academia Portuguesa de História e, desde 2002, do Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, de Recife.

Filólogo e historiador neerlandês. Foi professor de português da Universidade de Groninga, entre 1965 e 1980, e professor de português no Departamento Línguas e Culturas da América Latina da Universidade de Leiden, entre 1980 e 1998. Estudou os judeus sefarditas da Holanda, a história da expansão portuguesa e a história do Brasil Holandês. Foi responsável pela revisão da tradução holandesa do livro Tempo dos Flamengos, de José Antônio Gonsalves de Mello, publicado pela Walburg Pers, Zutphen, 2001.

HOMENAGEM AO PROFESSOR

As bolas de papel na cabeça,
Os inúmeros diários para se corrigir,
As críticas, as noites mal dormidas...
Tudo isso não foi o suficiente
Para te fazer desistir do teu maior sonho:
Tornar possíveis os sonhos do mundo.
Que bom que esta tua vocação
Tem despertado a vocação de muitos.
Parece injusto desejar-te um feliz dia dos professores,
Quando em seu dia-a-dia
Tantas dificuldades acontecem.
A rotina é dura, mas você ainda persiste.
Teu mundo é alegre, pois você
Consegue olhar os olhos de todos os outros
E fazê-los felizes também.
Você é feliz, pois na tua matemática de vida,
Dividir é sempre a melhor solução.
Você é grande e nobre, pois o seu ofício árduo lapida
O teu coração a cada dia,
Dando-te tanto prazer em ensinar.
Homenagens, frases poéticas,
Certamente farão parte do seu dia a dia,
E quero de forma especial, relembrar
A pessoa maravilhosa que você é
E a importância daquilo do seu ofício.
É por isto que você merece esta homenagem
Hoje e sempre, por aquilo que você é
E por aquilo que você faz.
Felicidades!!!
(autor desconhecido)

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

As familias e o poder no Rio Grande do Norte


Adaptado do site http://correiopop.wordpress.com/category/artigos/
Cefas Carvalho e José Pinto Junior

Três famílias dominam Governo e Senado no Rio Grande do Norte há mais de meio século

Desde os tempos antigos que o poder político tradicionalmente se concentra nas mãos de famílias. Era assim nos impérios, nas monarquias e continuou assim no regime democrático, pelo menos em alguns lugares. No Rio Grande do Norte, como em boa parte do Nordeste, quem detém o poder político há décadas são famílias. Poucas famílias. No RN, menos de dez famílias dividem (e se alternam nele) no poder.
Na verdade, três famílias concentram a maior parte do poder político no estado há mais de 50 anos. Trata-se das famílias Alves, Rosado e Maia. Destes três grupos familiares, já saíram 6 governadores, 6 senadores e dezenas de deputados federais e estaduais.

ALVES – O projeto político da família começou com Aluizio Alves. O prestígio de Aluizio impulsionou a carreira política do irmão, Agnelo Alves. A cassação dos direitos políticos dos dois, anos 60 e 70, gerou uma nova geração de políticos da família, como Henrique Alves e Garibaldi Alves Filho. Posteriormente, surgiram Carlos Eduardo Alves e Ana Catarina Alves. A novíssima geração é representada pelo filho de Garibaldi, Walter Alves, deputado estadual.

MAIA – O patriarca foi Tarcísio Maia, filho do político paraibano João Agripino Maia. Tarcísio militou na política nos anos 60 e tornou-se governador nos anos 70. Seu primo, Lavoisier Maia, foi governador nos anos 80. O filho de Tarcísio, José Agripino Maia, tornou-se a estrela maior da família, tendo sido prefeito de Natal, governador duas vezes e senador. O filho de Agripino, Felipe Maia, representa a nova geração. Uma curiosidade: Wilma de Faria, que já foi Wilma Maia quando casada com Lavoisier, iniciou a carreira política com os Maia. Muito embora Vilma não use mais o sobrenome Maia, seus filhos, Márcia e Lauro, adotaram a marca registrada.

ROSADO – Pai de 21 filhos, Jerônimo Rosado deu origem ao um clã muito diversificado de políticos, que comanda Mossoró há mais de meio século. De seus filhos, surgiram prefeitos (Dix-huit e Vingt Rosado), senadores (Vingt Rosado) e um governador do Estado (Dix-sept Rosado). Os netos seguiram carreira igualmente vitoriosa (Sandra Rosado, Carlos Augusto Rosado – e a esposa deste, Rosalba Ciarlini – Fafá Rosado, Betinho Rosado). E a nova geração já se apresenta como Larissa Rosado (filha de Sandra e Laíre).

EMERGENTES – Existem ainda famílias de menor porte político, ou que dominam há menos tempo, mas que têm considerável força, seja em aspectos específicos do poder, seja em regiões.

FARIA – Tendo sido quase nomeado governador, Osmundo Faria conseguiu fazer do filho Robinson deputado estadual ainda muito jovem. A partir daí, Robinson ganhou prestígio e tornou-se presidente da Assembléia por duas legislaturas seguidas. Agora é vice-governador e reelegeu o filho, Fábio Faria, como deputado federal.

FARIA – Wilma deixou de ser Maia para tornar-se Faria, pois seu bisavô era irmão do ex-governador Juvenal Lamartine de Faria. Ela auto-denominou-se nova força e “terceira via” depois de exercer a Prefeitura de Natal por três vezes e o governo do Estado por duas vezes. Com isso, fez a filha Márcia Maia deputada estadual e o filho, Lauro Maia, suplente de deputado estadual.

SOUZA – Senador populista, Carlos Alberto de Souza marcou época na política popular e deixou uma herdeira empresarial (TV Ponta Negra) e política, Micarla de Sousa, que se elegeu deputada e em 2008, prefeita de Natal. Hoje, Micarla quer fazer seu próprio grupo familiar e elegeu o marido, Miguel Weber, deputado estadual e a irmã Rosy de Sousa suplente de deputada federal.

FERREIRA DE SOUZA – Núcleo familiar-político do atual governador do Estado, Iberê Ferreira de Souza, que conta com o deputado estadual Ezequiel Ferreira de Souza e com a vice-prefeita de Currais Novos, Milena Ferreira. O pai de Iberê, Odorico, foi prefeito de Santa Cruz, e o tio José, foi deputado federal.

OUTRAS – Há famílias que detém poder político, mas restrito a uma região ou limita-se a poucos membros. É o caso dos ARRUDA (Leonardo Arruda já foi deputado estadual e hoje a filha Júlia é vereadora em Natal); dos REGO (Getúlio é deputado estadual e o filho Leonardo, prefeito de Pau dos Ferros). Duas famílias que já detiveram considerável poder no Estado não entram na lista atuais em por nenhum membro deter cargo eletivo de importância: Os Melo (Geraldo já foi governador e senador), os Frei¬re (Fernando já foi governador e Jessé, deputado federal) e os Mariz (Dinarte, governador e seu filho, Wan-derley, deputado federal).

Turma de História em São Paulo do Potengi




Boa sorte para vocês!

domingo, 19 de setembro de 2010

Banca da turma de História em São Paulo do Potengi

















PROFESSOR ORIENTADOR: Francisco Alves Galvão Neto - TITULAÇÃO: Especialista em História e Educação

PROFESSOR CONVIDADO: Fábio Daniel Pereira Marinho -TITULAÇÃO: Mestre em Geografia

PROFESSOR CONVIDADO: Antônio Sérgio Medeiros da Silveira -TITULAÇÃO: Especialista em História

PROFESSOR CONVIDADO: Emmanuel do Nazareno da Silva Alves - TITULAÇÃO: Especialista em Educação

PROFESSORA CONVIDADA: Maria Lúcia Silva Galvão - TITULAÇÃO: Especialista em Educação, Gestão esducacional e Literatura Brasileira


Trabalhos dos alunos:

Paulo César do Nascimento - O aprendiz na história: o contexto do programa Agente Jovem em Riachuelo/RN

Jean Fernandes dos Santos - As fontes e o ensino de História

Danielle Gomes de Andrade Lima - História local, memória: a história de Ceará-Mirim contada a partir de seu patrimônio arquitetônico (1840 a 1888)

Maria Silene de Paula - A mulher brasileira e voto

Carlos Eduardo Vitorino de Azevedo - A abolição e os problemas dos negros no Brasil

Maria Anelise Ribeiro de Azevedo - Revolução cultural: a mulher na década de 1960 e 1970

Joana D’arc Rodrigues da Silva - A participação da mulher no mercado de trabalho no início do século XXI

Edilson Ribeiro Pimentel - A questão agrária em São Paulo do Potengi/RN: o processo de formação dos assentamentos rurais

Manoel Márcio Tomaz - O menor infrator e a educação

Amanda Basílio da Silva - Perspectivas atuais para o ensino de História

Leandro Lopes da Rocha - A importância do uso de fontes históricas no ensino

Mousinaldo de Macedo Santana - A igreja e a conscientização ecológica: caso da construção de um templo em São Paulo do Potengi/RN

Wendell José dos Santos Pereira- A tortura e o período da ditadura militar no Brasil.

Aula da Saudade em Brejinho













Saudades dessa turma. A História tem um significado especial para eles.

Edgard Morin em Natal





Palestra de Edgard Morin no Campus da UFRN, em Natal. Não poderia faltar com o mestre da complexidade.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

As oligarquias que apoiam seus pés imundos nas espáduas do povo.

Texto original em: http://adrianoamicusplato.blogspot.com/

No princípio era Geisel e Geisel nomeou Golbery do Couto e Silva que nomeou Tarcísio Maia para governador do Rio Grande do Norte que em 1979 foi sucedido providencialmente por seu primo Lavoisier Maia.

Lavoisier indica para assumir o cargo de prefeito do Natal o filho de Tarcisío Maia, José Agripino Maia, que em 1982 beneficiado pelo voto camarão se torna governador do estado.

Lavoisier se casa com Vilma e gera Márcia e Lauro Maia, atualmente deputada e ele candidato a deputado estadual, Vilma ex-governadora e candidata a uma vaga no senado, enquanto Lavoisier é deputado estadual.

Para eleger Wilma prefeita de Natal José Agripino protagonizou o episódio conhecido como rabo de palha que segundo o blog do sindicato dos bancários de brasilia (www.bancariosdf.com.br) se deu da seguinte forma:

"José Agripino Maia toma posse em 15 de março de 1983 e, dali a dois anos, será flagrado numa reunião com auxiliares e 120 prfeitos, acertando o que constituiria a maior fraude elitoral da história do Rio Grande do Norte.

Dessa vez, José Agripino queria eleger prefeita de Natal sua secretaria de Promoção Social, Wilma Maia, em 1985. Tinham como adversário o deputado estadual Garibaldi Alves Filho (PMDB), sobrinho de Aluízio e hoje presidente do Senado. O plano foi todo armado em quatro reuniões, no Centro de Convenções, Zona Sul de Natal.

José Agripino simplesmente instruiu os prefeitos a comprar títulos eleitorais, distribuir presentes, incentivar tumultos nos processos de votação e apuração e, ainda, usa veículos oficiais com placas frias para transportar eleitores do interior para a capital. O caso ficou conhecido como Escândalo Rabo-de-Palha, rótulo fornecido pelo próprio José Agripino, que ao final de uma reunião pediu:

- Não podemos deixar rabo-de-palha.

Caros Amigos reproduz aqui parte da conversa. Laudo do Instituto Nacional de Criminalística, da Polícia Federal, diz que a voz é do governador.

José Agripino -Os pobres estão indecisos. É em cima desse povo que você tem que atuar. Com uma feirazinha, com um enxoval, com umas coisinhas".

José Agripino se envolveu também em outros escândalos como os relacionados ao ganhe JÁ.

José Agripino gerou ainda Felipe Maia que é deputado Federal e candidato a reeleição.

Para não tornar o texto prolixo é necessário apenas dizer que esse grupo político acima citado faz parte do mesmo clã oligárquico que impera soberano sobre Mossoró há vários anos.

A oligarquia Alves fica para uma próxima ocasião, porém para concluir esse pobre texto feita nas coxas resta apenas a moral da história, ou seja, a nota indignada do blog:

Que povo besta é esse que fica segurando cartaz e correndo atrás desse pessoal que faz da política um feudo graças a esses ignorantes vassalos.

RN: Como nasceu a Oligarquia Maia

Caros Amigos - Ano XII Número 133 Abril 2008

OS RABOS-DE-PALHA DE UM FILHOTE DA DITADURA
Léo Arcoverde

O SENADOR JOSÉ AGRIPINO MAIA (DEM-RN) É APRESENTADO PELA MÍDIA GRANDE COMO UM ÍCONE DA MORAL, SEMPRE ENTREVISTADO PARA DENUNCIAR AS MAZELAS DO GOVERNO LULA E PONTIFICAR SOBRE ÉTICA POLÍTICA. SEU PASSADO, PORÉM, NÃO O ABONA.
Do meio para o fim dos anos 1970, para fazer parte do grupinho oligárquico que havia duas décadas comandava a política do Rio Grande do Norte, uma condição era suficiente e necessária: aderir à estratégia de renovação do regime autoritário, preparando-se para a transição. Isto é, a bênção dos militares era mais que bem-vinda. O industrial Osmundo Faria, dono da salina Amarra Negra e de vasto latifúndio no agreste, estava para ser anunciado sucessor do governador Cortez Pereira (1971-1975). Não tinha experiência em cargo eletivo – era suplente do senador Dinarte Mariz. Mas contava com o apadrinhamento de ninguém menos que o ministro do Exército, general Dale Coutinho, ex-chefe da repressão no Nordeste. Era, no dizer do político gaúcho Leonel Brizola, o "filhote da ditadura" da vez.


Original em: http://radarpotiguar.blogspot.com/2008/04/rn-como-nasceu-oligarquia-maia.html

RIO GRANDE DO NORTE, DOS ALVES, DOS MAIA E DOS BOCÓS

Podres poderes

As desavenças políticas entre o senador Garibaldi Alves e o deputado federal Henriquinho Eduardo Alves foram parar na “Carta Capital” que traz uma extensa reportagem sobre o assunto assinada pelo jornalista Gilberto Nascimento.

A briga, claro, é de araque. A estratégia deles é ”dividir o poder para continuar reinando”. Garibaldi e Henriquinho são primos e integram a oligarquia Alves que domina a política potiguar há 50 anos juntamente com os Maias. Mas como isso é possível, Ailton? Ora, o natalense 100% é 99% idiota. Confiram, abaixo, a reportagem:

A política no Rio Grande do Norte sempre foi um latifúndio dividido entre duas famílias, os Alves e os Maia. Quem ingressava nas fileiras de uma virava automaticamente adversário da outra. Um breve armistício foi acertado em 2006, quando as famílias se uniram para tentar, em vão, derrotar a governadora Wilma Faria, do PSB, ela mesma uma ex-Maia.

As coisas pareciam ter voltado ao normal, com Alves e Maia nos seus respectivos lugares. Parecia. Um cisma na família Alves promete aquecer a disputa eleitoral em 2010.

Depois da morte do ex-ministro Aluízio Alves, em 2005, aos 84 anos, começou uma clara disputa pelo seu espólio. Titular dos ministérios da Administração, no governo Sarney, e da Integração Nacional, no governo Itamar Franco, Aluízio era o político com maior poder e projeção entre os Alves.

Hoje estão em campos opostos o seu filho Henrique, líder do PMDB na Câmara dos Deputados, e o sobrinho e senador Garibaldi Filho, também peemedebista. Henrique é um apoiador incondicional do presidente Lula e da candidatura de Dilma Rousseff à Presidência. É aliado da governadora Wilma Faria e defende a aliança no estado com o PT e o PSB.

Garibaldi, ex-presidente do Senado, é da base do governo federal, mas, no momento, tende mais para a candidatura tucana de José Serra. É a favor de uma aliança com o senador José Agripino Maia, líder do DEM no Senado e um dos mais ferrenhos opositores de Lula. Garibaldi declarou apoio à candidata de Maia ao governo, a também senadora do DEM Rosalba Ciarlini. Henrique deve se alinhar à candidatura do hoje vice-governador Iberê Ferreira (PSB), que assumirá em abril quando Wilma renunciar ao cargo para concorrer ao Senado.

Garibaldi e o neoaliado Agripino são candidatos à reeleição, contra Wilma. Os três pleiteiam as duas vagas ao Senado. A ambiguidade de Garibaldi pode prejudicá-lo. As pesquisas já indicam uma polarização entre a candidata de Lula, Wilma, e o anti-Lula, Agripino.

Duas razões levaram Garibaldi a preferir a candidata do DEM ao governo: o senador não engole a derrota para Wilma na disputa ao governo em 2006, a primeira e única em sua carreira política. O outro motivo é muito prático: o suplente de Rosalba no Senado é o seu pai, Garibaldi Alves, 84 anos, irmão de Aluízio. Se Rosalba for eleita, Garibaldi pai concluirá o mandato.

Henrique e Garibaldi foram juntos, no dia 13 de outubro, falar com o presidente Lula sobre a divisão do PMDB no estado. O senador fez questão de comunicar pessoalmente sua decisão a Lula. Henrique sabia o que Garibaldi iria dizer, mas o acompanhou com a esperança de que Lula conseguisse demovê-lo. O senador disse que “ainda era cedo” para se definir em relação a Dilma. Lula disse esperar que o tempo “se encarregue de resolver os impasses”.

Os dois primos podem decidir a pendenga no voto, internamente. Mas Garibaldi diz ter esperanças em um acordo. “Eu e o Henrique somos primos e amigos fraternos. Estamos buscando a possibilidade de alguma convergência, embora não tenhamos ideia de como ela possa se dar. Estamos tentando de tudo, justamente para evitar bater chapa. Aí, sim, então, seria um rompimento”, comentou o senador.

Esse é o primeiro racha na família peemedebista. Os primos fazem campanha juntos há 39 anos. Começaram na política em 1970, com uma dobradinha: Henrique para federal e Garibaldi, estadual. Repetiram a chapa em 1974, 1978 e 1982. Depois, Garibaldi foi eleito prefeito de Natal e começou a construir uma carreira própria. Havia comentários de que Aluízio Alves favorecia o filho Henrique. Mas nunca houve problema entre os primos, enquanto o ex-ministro continuava atuante na política local. Com a morte de Aluízio, Henrique passou a comandar o PMDB no estado.

Apesar do imbróglio, o deputado diz que a reeleição de Garibaldi é prioridade. “Não faria sentido nenhum projeto do PMDB que não passasse pela reeleição de Garibaldi”, garantiu. Enquanto o senador balança entre Dilma e Serra, Henrique está fortalecido no governo. Ele é o relator do pré-sal e conseguiu aprovar, na terça-feira 3, sua proposta de divisão das receitas obtidas com a cobrança de royalties de empresas de petróleo, o que agradou ao governo.

Para acessar o site da “Carta Capital” , clique aqui.

Este artigo foi publicado em 7/11/09 às 13:54 e está arquivado sob Notas. Você pode acompanhar todas as respostas a este artigo através da alimentação por RSS 2.0. Você pode deixar uma resposta, ou criar um trackback do seu próprio sítio.

Brasil desigual

Famílias tradicionais do Nordeste consolidaram poder com verba da Sudam e Sudene

Por Rodrigo Miotto, repórter iG em São Paulo, 31 de março, 2002

O golpe nas pretensões presidenciais da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL-MA), passou pela Sudam (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia). Foi por conta das investigações no extinto órgão que o R$ 1,34 milhão apreendido na sede da Lunus acabou na tela das tevês e nas páginas dos jornais.

O início das pretensões presidenciais do pai de Roseana, José Sarney, passou pela Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), espécie de irmã mais velha da Sudam. Hoje, as duas extintas agências provocam dor de cabeça para políticos nordestinos, invariavelmente representantes de oligarquias. Mas foram as próprias superintendências que impulsionaram essas oligarquias. São contemporâneas. "Em certos Estados, as oligarquias transformaram-se em intermediários dos investimentos da União", diz Francisco de Oliveira, professor do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo.

A Sudam e a Sudene não criaram o sistema oligárquico no Norte e no Nordeste. A existência desse tipo de dominação política e econômica já era quase secular. As superintendências deram margem a novas oligarquias, ou oligarquias com roupagens diferentes, dentro de uma política reforçada pelo período militar, acrescenta Oliveira.

Bases cada vez mais sólidas

O idealizador da Sudene foi o economista Celso Furtado, durante o governo de Juscelino Kubitscheck. Com pífios investimentos e péssimo quadro social, o Nordeste destoava de outras regiões do País. Em 1959, a agência saiu do papel e começou a destinar recursos para os Estados nordestinos.

Os cofres da Sudene recebiam recursos de empresas que tinham desconto no Imposto de Renda para investir em projetos na região. Aquelas que se instalavam no local também pagavam menos impostos. Intermediários desses recursos, os políticos locais não demoraram a fixar bases cada vez mais sólidas no meio da população. Respaldados pelas finanças e, logo mais, pelo regime ditatorial, alternavam amigos e familiares no poder.

Além do impacto eleitoral dos investimentos, já de início havia as fraudes. Logo nos primeiros anos da década de 60, os incentivos fiscais geravam denúncias de corrupção na Sudene. A idéia de Furtado também foi desviada. As verbas, no início, não atingiam a prioridade pensada pelo economista, que incluía o combate à seca e o impulso à industrialização. A pavimentação e a abertura de estradas tiveram, entretanto, lugar privilegiado. "O dinheiro repassado para obras públicas muitas vezes servia para encher o baú da oligarquia", diz o cientista político Clóvis Brigagão, diretor do Centro de Estudos das Américas da Universidade Cândido Mendes.

Glauber Rocha e Sarney

Pouco mais de seis anos passados da criação da Sudene, José Sarney derrotava a famosa e violenta oligarquia comandada pelo então senador Vitorino Freire. Em 31 de janeiro de 1966, Sarney ocupou a cadeira do governo do Maranhão. Com dez anos de vida política, Sarney se elegeu com um discurso moralista e de ruptura. Seria uma nova maneira de fazer política, sem miséria e truculência. Rendeu um documentário do diretor Glauber Rocha. Sarney saiu da cadeira cinco anos depois, mas deixou gravada a influência, que permanece até hoje. Menos de uma década e meia depois, foi parar na Presidência da República.

No mesmo ano da posse de Sarney, o regime militar criou a Sudam, nos moldes da Sudene. Desta vez, a idéia era povoar a Amazônia. Não fugiu à regra da irmã mais velha e logo foi alvo de denúncias de desvios e fraudes. Ainda em 1966, Jader Barbalho elege-se vereador em Belém do Pará. Sem grande prestígio na política, vai galgando postos e no início da década de 80 já espalha seu domínio pelo Estado. "É um caso clássico o da Sudam; muito dinheiro transforma-se num meio de consolidação", diz o sociólogo da USP, lembrando que Jader "é político novo, dos anos 70", com raízes no MDB e sem ligações com a velha oligarquia da região.

Collor e ACM

Políticos novos, entretanto, não são a família Arnon de Mello em Alagoas. Arnon Affonso de Farias Mello chegou ao governo do Estado em 1951, derrotando a família Góes Monteiro, que, mais adiante, recuperou o poder. As famílias foram alternando-se. No final da década de 70, Fernando Collor de Mello começa a substituir a influência do pai Arnon no Estado. Acabou na Presidência da República cerca de uma década depois. Alagoas também está dentro da área de atuação da Sudene.

Na Bahia, Antonio Carlos Magalhães estréia na vida política na década de 50 e começa a construir a mítica imagem de homem poderoso a partir dos anos 60. Dali em diante, só perdeu a hegemonia sobre o controle do Estado em uma única gestão. A Bahia, vale lembrar, também é área de atuação da Sudene.

AA: Cidadão Kane tropical

Nos anos 40, começou a carreira política de Aluizio Alves, talvez o maior fenômeno populista da região Nordeste. Após uma participação no Congresso Constituinte de 1945, iniciou uma caminhada vitoriosa pelo Rio Grande do Norte, colocando-se como a esperança do povo diante das velhas estruturas coronelistas.

Chegou ao governo do seu estado em 1960 e, daí em diante, o poder não saiu mais do seu controle, com os Alves ocupando dezenas de cargos públicos e madantos eleitorais: seu filho Henrique Eduardo Alves é deputado federal desde 1970 e, agora, é candidato ao governo para suceder o primo Garibaldi Alves Filho, que já foi deputado e senador; uma irmã gêmea de Henrique, Ana Catarina, é deputada federal, candidata à reeleição e já disputou a prefeitura da capital, Natal, contra o próprio irmão.

Na Assembléia Legislativa do RN, os Alves mantêm sempre dois ou três deputados; um irmão de Aluizio, Agnelo Alves, que já foi prefeito de Natal, agora é prefeito de Parnamirim, a terceira cidade do estado, depois de ter sido senador na suplência do ex-ministro Fernando Bezerra, hoje adversário da família.

Conseqüências materiais da trajetória de Aluízio Alves: a afiliada da TV Globo, o maior jornal do estado, quase uma dezena de rádios, agência de propaganda, produtora de vídeo, postos de gasolina, lojas, instituto de pesquisa, provedor e portal de internet, revista e outros negócios espalhados entre filhos e sobrinhos do patriarca.

Com a influência de Aluízio Alves, os investimentos públicos no estado já foram fáceis via Sudene, Banco do Nordeste e muitos outros órgãos de financiamento.

Agências das Oligarquias

Pensadas para desenvolver o Norte e o Nordeste, as estatais "acabaram se convertendo em máquinas políticas, em agências a serviço das oligarquias locais", afirma a cientista política Maria Celina D'Araújo, professora da Universidade Federal Fluminense e da Fundação Getúlio Vargas.

Fortes em suas regiões, as oligarquias também tinham canais influentes no primeiro escalão do governo. A posse de ministérios e órgãos importantes é sinônimo de mais dinheiro no caixa local.

Recursos e fortunas

Os recursos e incentivos às duas regiões por meio das superintendências e de parte do Orçamento da União alavancaram a economia da região, sem, necessariamente, ter reduzido as disparidades sociais e até mesmo a miséria.

Na década de 60, o PIB (Produto Interno Bruto) do Nordeste cresceu 3,5%, contra 6,1% do Brasil. Já com a Sudene em pleno funcionamento, a região teve um incremento de 8,7% na década seguinte, período do "milagre econômico", contra 8% do País.

De 1980 a 1990, a "década perdida" rendeu crescimento de 3,3% para o Nordeste e de 1,6% para o País. De 1991 a 2000, foram 3,3,% contra 3,1%. No Norte, a participação no PIB nacional subiu de 2,16% no início da década de 70 para 4,34% em 2000.

Parte significativa do capital do Nordeste se baseou em incentivos fiscais. Nos últimos cinco anos, projetos da Sudam e da Sudene consumiram cerca de R$ 10 bilhões com esses incentivos. Entre subsídios e renúncias, o Nordeste, em 2000, somou R$ 5,9 bilhões em investimentos. A Amazônia, R$ 7,8 bilhões. No País todo, foram R$ 42,5 bilhões.

Rombos de bilhões

Significativas também são as fraudes. De acordo com dados da CPI do Finor (Fundo de Investimentos do Nordeste), cerca de 10% de todos os recursos do órgão, subordinado à Sudene, foram desviados desde sua fundação, em 1974. O rombo na Sudam é estimado em R$ 1,8 bilhão. O da Sudene, em R$ 2,2 bilhões. A conta é modesta. Dados do próprio governo, trabalhados pela CPI, estima que US$ 110 bilhões de todos os investimentos públicos feitos na Amazônia teriam sido desviados.

"Não houve nenhuma fiscalização externa. Eram investimentos caros e acabaram destinando as verbas para empresas dos aliados. Era cabra no jardim", diz Maria Celina. "Sem fiscalização, a Sudene foi apropriada pelas oligarquias locais; e a Sudam, pelo coronelismo", concorda a cientista política Lúcia Hippolito. Junto ao incremento da economia dessas regiões, cresceu também o patrimônio dos políticos dominantes locais.

Sarney

"Há 40 anos, o Sarney não tinha nada; hoje ele é o todo poderoso da mídia e tem uma fortuna incalculável; com o Jader Barbalho é a mesma coisa", afirma Francisco de Oliveira. O patrimônio da família Sarney inclui quatro emissoras de TV, o maior jornal impresso do Estado, 14 emissoras de rádio, uma ilha e diversas propriedades. Um levantamento da revista "Veja" estima em R$ 125 milhões a fortuna da família.

Jader

Jader, de origem bastante modesta, possui fazendas, emissoras de TV, de rádio, jornal e diversas propriedades. Ainda segundo a "Veja", o patrimônio do ex-senador seria de, no mínimo, R$ 30 milhões.

ACM e Arnon de Mello

A família de ACM também tem jornal, emissoras de TV, rádio e diversas empresas. A família Arnon de Mello igualmente. Além da fortuna, outra característica comum entre os políticos dominantes do Nordeste é a posse dos meios de comunicação.

Privatizações

Para alguns, fatos como a queda de ACM e de Jader no Senado e o caso Roseana são sinal de decadência da oligarquia do Norte e do Nordeste. O presidente do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos (Ibep), Walder de Góes, diz que o processo de privatização pelo qual passou o Brasil na década de 90 "ajudou a reduzir as ações de corrupção".

Pelo raciocínio, a venda de estatais deslocou parte dos investimentos da esfera pública para a esfera privada, inibindo as fraudes. No entanto, de acordo com Góes, "a redução do poder pelo lado da privatização precisa ser complementada por mudança na cultura política". Para ele, existe uma "cultura leniente com a corrupção" nessas regiões. "As oligarquias ainda mantêm forte influência sobre a população. Veja o caso de ACM na Bahia e o da família Sarney no Maranhão. Apesar de tudo, ainda continuam com eleitores fiéis", diz o presidente do Ibep.

Para Francisco de Oliveira, a queda das oligarquias passa pela disputa do poder por novos grupos. "O controle oligárquico tende a diminuir, o que não quer dizer que será muito democrático. Às vezes, as formas perversas de utilização do dinheiro continuam sem ser necessariamente uma oligarquia."

Fonte: http://www.ig.com.br com Jornal de Hoje (Natal/RN)

domingo, 13 de junho de 2010

As cidades do Rio Grande do Norte

As cidades do Rio Grande do Norte num só conto

Original de - http://grandeponto.blogspot.com/
Conto Poético de Lino Sapo (andrelino da silva - alinosapo@yahoo.com.br) em homenagem e respeito a todas as cidades que pertence ao estado do Rio Grande do Norte.

Cumpade PEDRO VELHO me diga como você anda? Inda ta trabaiando muito? E como anda cumade NÍSIA FLORESTA? Caba veio tou puraqui meio perdido, é uma históra meia adoidaiada mai se o senhor me ouçar desbatarei sem arrudei. Eu vinhe pra essas bandas buscar um TOURO chamado GUAMARÉ, pra levar lá pru ALTO DO RODRIGUES. Meu patrão seu ANTÔNIO MARTINS comprou o bichinho a seu MÉSSIAS TARGINO, meu patrão é abastado, é um homem bom e influente, foi amigo de infânça de RUY BARBOSA. Ele vive muito bem, agora eu cumpade, é que ando com uma maruzia e uma azalação da mulinga.

Cumpade ultimamente eu ando meio os imboléus, já fiz inté prumessa e já rezei pra SÃO PEDRO, SÃO FERNANDES e inté para SÃO VICENTE, pru mode eles falar com meu BOM JESUS pra eu ter BOA SAÚDE. Asto dia eu fui ao DOUTOR SEVERIANO e ele me arreceitou um lambedor de JAÇANÃ. Inda disse mai, que era bom pra eu viajar, ir pra outros lugares, ele inté me idicou BARCELONA, MACAU, EQUADOR ou se não quisesse sair do Brasil fosse pra PORTALEGRE ou pru ESPÍRITO SANTO. Sabe o que eu fiz? Eu fui foi pro PARANÁ, mas pense cumpade cumaé pequeno, é um PARAZINHO!!. Mai purlá tem um TABOLEIRO GRANDE com uma AREIA BRANCA, bem pru lado tem uma SERRA NEGRA DO NORTE, na verdade é uma SERRINHA!, Só que lá enriba cumpade tem uma PEDRA GRANDE e é uma PEDRA PRETA e purriba dela tem uma NOVA CRUZ feita de ANGICOS. Mai lá cumpade é tão quente, tão quente que parece o ceará, um CEARÁ-MIRIM, claro.

Cumpade prosiando e atencionando as coisas purcá mai que BAÍA FORMOSA, é muita bunita. Me alembrei de seu LUIZ GOMES, ele inda mora pru trai daquelas MONTANHAS? E seu PEDRO AVELINO, ainda é morador de seu AFONSO BEZERRA? São um povo muito prestativo. Cumpade! Tou me alembrando que tenho uma conta a acertar, é umas PENDÊNÇIAS com seu SEVERIANO MELO, tou só esperano baixar a IPUEIRA par ir cobrar meus GALINHOS que ele trouxe lá da SERRINHA DOS PINTOS. ITAJÁ na hora de a gente acabar com esse quelelé esse EXTREMOZ, esse CARNAUBAIS de desavenças, acabar de vez com essa picuinha.

Cumpade cortei esse chãozão de uma ponta a outra, em todo canto tá uma caristia danada, as coisas tá pelo oio da cara. Cumpade vou te dizer uma sabença, do jeito que a coisa tá rumando só vai piorar, prumode de que ultimamente passei uma fome danada. O senhor me imagina que nessa sumana só comie uns peixinhos, uns ACARI pequeno que parecia um BODÓ. PATU ver JAPI die inté a SANTO ANTÔNIO e a SÃO MIGUEL uma boa forragem pru bucho, pidie com tanta esperança que chega fechei os oios e imaginei o rango, e falei arto e GROSSOS, SÃO MIGUEL DO GOSTOSO!!!!!

Mudando o prosiado o cumpade se alembra da fazenda siridó? Pois bem, tá bunita, lá fizero CURRAIS NOVOS, só de PAU DOS FERROS duro feito ASSÚ, e de CARNAÚBA DOS DANTAS, lá daquela LAGOA DANTA. Cumpade foi trabaiada danada os morão foram tudim cortado pur seu FRANCISCO DANTA e o empregado dele seu JOSÉ DA PENHA. Cumpade ficou de primera, lá tem o mai bunito JARDIM DO SERIDÓ. O padroeiro da fazenda é um santo de casa, é SÃO JOSÉ DO SERIDÓ, e a padroeira não pudia ser de outro lugar e esculhero SANTANA DO SERIDÓ, mai dizem as más línguas, Cá pra nós, que ela num tá fazendo nenhum milagre não, tão inté quereno jogalá no mato. Já tem inté gente chamando, ver se pode, de SANTANA DO MATO. Desse jeito tá rim já pensou cumpade, se o padroeiro não fizer milagre, e quiserem jogalo naquele CAMPO REDONDO, imagine só cumpade aquele CAMPO GRANDE, vão bem apilidar de SÃO JOSÉ DE CAMPESTRE. Magina só?

Mai cumpade cum toda buniteza o lugar tá sem um pé de vida, logo adispois que seu BENTO FERNANDES bateu as botas, os filhos RAFAEL FERNANDES e RODOLFO FERNANDES quisero vender as terras, inda chegaro a vender uma parte para ALMINO AFONSO, que fez um SÍTIO NOVO, que vai do RIACHO DA CRUZ inté o MONTE DAS GAMELEIRAS. Cumpade num vendero todinha pruque seu MARCELINO VIERA e seu FERNANDO PEDROSA cuma era os moradores mai antigo se intrumeteram. Tavam brabos e eles diziam: o resto vocês não vendem, o pai de vocês era um santo já esquecerão? Vocês deveriam era fazer uma igreja para o pai de vocês, pra noise as terras inda são daquele santo. E a SERRA DE SÃO BENTO ninguém toca, e do jeito que eu tou me agarru cum cobra piso inté em cascavel e CERRO CORÁ.

Cumpade a confusão foi grande demai, era tanta da fofoqueira na fazenda, pisano purriba das plantas e se rindo, que parecia um JARDIM DE PIRANHA. O qui qui foi maior quando FRUTUOSO GOMES falou que as TIMBAÚBAS DOS BATISTAS tava sendo irrigado do OLHO DÁGUA DOS BORGES. Minina cumpade, quando MARTINS oiçou foi logo dizeno: quero ver irrigar lá do meu MONTE ALEGRE, pruque lá é uma LAGOA SALGADA! Nisso cumpade, chega RAFAEL GODEIRO trazendo o CORONEL EZEQUIEL e o TENENTE ANANIAS. Cumpade quando os homi chegaru, inté a CRUZETA, feita de OURO BRANCO, fincada na entrada da fazenda, num pé de BARAÚNA, ficou sem ENCANTO. O estrelado foi logo falando: e essas mueres VIÇOSA não têm nada que VENHA VER aqui. Nesse momento cumpade, ele espiou pra eu, que me tremie todinho, logo ele cumpade que me achava caipira e só me chamava de CAIÇARA DO NORTE. Ai Ele preguntou o que é que eu fazia ali. A voz ficou entalada mai eu resmunguei tempo dispois: vinhe rezar pra SÃO BENTO DO NORTE. Ele chega muchou e com um olhar macriado disse: aqui só tem rezatório só se for pra SÃO BENTO DO TRAIRI, vá simbora percurar outro santo. Arribe para o oeste lá tem muitos, talvez você encontre um SÃO FRANCISCO DO OESTE. Não precisou nem terminar a pronunciada, sai em toda disparada, parecia inté que agora eu nadava e vuava que nem um CAIÇARA DO RIO DOS VENTOS.

Cumpade! Cumpade! Fui muito azilado, na carreira bati num palanque que tava o GOVERNADOR DIX-SEPT ROSADO, o SENADOR ELOI DE SOUSA e mesmo na horinha que o SENADOR GEORGINO AVELINO tava se pronunciando. Quando os povos me viro na carreira em direção ao palanque, pensava que eu ia matar os chefes políticos. Nisso o CORONEL JOÃO PESSOA me viu, no aperreio que eu tava eu nem pensava, daquele jeito eu merguiaria inté no RIO DO FOGO. Cumpade quando eu espio pru lado o MAJOR SALES e o TENENTE LAURENTINO já vinha nos meus carcanhar pega num pega.

Ai foi que eu corri, inda mai com o tiro zunindo no peduvido, pulei por riba de uns PILÕES e sai com a gota serena. Escutei na carreira quando dona LUCRÉCIA disse, é guerra, FELIPE GUERRA! Felipe venha pra casa meu fio, SÃO JOÃO DO SABUGÍ pruteja meu fio. Não parei cumpade de correr, se eles me pegam eles iam JUNDIÁ de eu. Dei um pitú nos homi e sai meio escundido pru trai de uma LAJES PINTADA, peguei um RIACHUELO e sai sem deixar rasto. Vie de longe uma VÁRZEA e ai eu fui em busca do PORTO DO MANGUE que era menos perigoso. Quando cheguei purlá só tinha PASSAGEM na canoa TIBAU DO SUL. A TIBAU já havia saído, elas chegam em PARELHAS mais uma sae meia hora antes. Ai cumpade eu pensei desse jeito num dá, sou nortista, no sul num vou agüentar.

Então cumpade eu sai por um BREJINHO e vie um filete d’água conhecido, era do RIACHO DE SANTANA uma ÁGUA NOVA tumei logo umas goipada. Adispois cheguei a uma BAIXA VERDE e vie muita arvures agrandaada fui andando pra lá, cumpade pense num lugar bem sombraiado paricia um JARDIM DE ANGICOS. Pensei ter escapado dos homi mai a armadia foi pior. Sai bem no meio de uma aldea dos índios JANDÚIS e MOSSORÓ, continuei andano como se num tivesse percebido nada. Foi quando ouvi o pajé MAXARANGUAPE dizer pra dois índios assim: IPANGUAÇU, PARNAMIRIM corram atrás e PARAÚ e tragam para mim, eles realmente me pararu, me amarraru e me colocaru em uma LAGOA DE PEDRA e adispois em um POÇO BRANCO. Cumpade o corpo todo tremia, a voz já não saia, os cabelu nem sentava no casco. Foi quando eu a lembrei de SANTA MARIA e do meu anjo da guarda, SÃO RAFAEL, e cumecei a rezar, nisso o pajé me olhou da cabeça aos pés e disse: UMARIZAL, TAIPÚ vá buscar CANGUARETAMA.

Cumpade pense numa agonia danada enquanto eles saia eu me borrava todo nas calças. Quando vortaru o pajé falou: veja filha se esse serve? Enquanto eu espiava aqueles cabelus e oios pretu feito a casca de uma CARAÚBAS, ela tapava o nariz e balançava a cabeça em negação. Entonce JUCURUTU me soltou e APODI disse aqui é PASSA E FICA mai você num vai ficar. O pajé com um oiar dar uma ordem e ARÊS trai um jumento, ITAÚ inda diz: o nome dele é nema. Ai me ajuda a muntar no burro, e espanca o animal que sae em toda carreira, enquanto eles gritam aqui num é lugar pra covardes.

Cumpade o burro curria e eu agradecia pru céu, o meu estoque de santo já tinha acabado, mai inda restava alguns, então comecei a agradicer, a SÃO PAULO DO POTENGI, SÃO GONÇALO DO AMARANTE e SÃO JOSÉ DO MIPIBÚ. Fiz o sinal da SANTA CRUZ e sai me escurregando nos espinhaço do burro, que começa a desembestar e a pular devido a catinga, e eu gritano aperriado upa, upa, UPANEMA, pare meu bichinho. Nisso só ouvir a burduada cai estatelado no tronco de um pé de MACAÍBA, e ali mesmo adormecie todo duido. Acordei com o canto dum CAICÓ e dum TANGARÁ. despertei adispois de uma madorna boa e sai andano a pé com o bucho roncando que parecia um trovão, a vista já tava escura de sede, num via mai nada. Só sei que cheguie numa LAJES e caminhei até achar uma LAGOA NOVA pra me banhar, e bem na frente encontrei uma LAGOA DE VELHOS.

cumida e me derum umas GOIANINHAS, preguntei onde estava, e eles disserum na SERRA DO MEL, então sai por entre umas plantaiada que formava uma FLORÂNIA e que parecia uma VILA FLOR. Seguie as abeias e achei uma JANDAIRA, e que mé, foi um SÃO TOMÉ. Rumei para o oeste e dicie a SERRA CAIADA na noite de NATAL. Foi lá que vie a beleza e a PUREZA de ALEXANDRIA, chamei um menino pru nome de IELMO MARINHO e pedi um favor. Só pra dar um recado aquela donzela que meu coração amou. Mas o minino olhou e disse: Deus que me livre meu sinhor, aquela muier bunita é fia de seu JOÃO DIAS e ele é o lampiã da regiã.

Te juro cumpade, em nome da VERA CRUZ, aquela muier inté os anjos seduz. Tudo que hoje eu mai quiria era com ela casar, e se isso um dia vier a acontecer, pode ter certeza, pra eu será o trofé do meu TRIUNFO POTIGUAR.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Guerra dos Bárbaros

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.


A Guerra do Bábaros foram os conflitos, rebeliões e confrontos envolvendo os colonizadores portugueses e várias etnias indígenas, que aconteceram nas capitanias do nordeste do Brasil, a partir da segunda metade do século XVI.

Com a expulsão de outras nações neelandesas do território brasileiro, os portugueses puderam dar um avanço na entrada do interior brasileiro. Porém a resistência dos índios ao processo de tomada de terra foi um elemento surpresa para os lusos.

Os portugueses uniram-se e fortificaram suas bases militares. Já as etnias indígenas uniram-se em alianças e confrontaram os portugueses. O resultado deste período foi a extinção de várias etnias indígenas

Frei Galvão


Nascido em Guaratinguetá, em 1739, de uma família de muitas posses, descendia dos primeiros povoadores da Capitania e corria em suas veias sangue de bandeirantes. Renunciou a uma brilhante situação no mundo e ingressou na Ordem franciscana. Fundou, em 1774, juntamente com Madre Helena Maria do Espírito , o Recolhimento de Nossa Senhora da Luz, na capital paulista. Não somente formou e conduziu espiritualmente as
religiosas desse mosteiro, mas também o edificou
materialmente, ao longo de 48 anos de esforços contínuos.
Foi o arquiteto, o engenheiro, o mestre de obras e muitas vezes o operário da sua edificação, que somente se tornou possível porque ele incansavelmente pedia, ao povo fiel,
esmolas para a magnífica construção. Sacerdote procurado e estimado por todos, era chamado "Homem da Paz e da Caridade". Entregou sua alma a Deus em 1822. Foi beatificado em 1998. Até hoje sua sepultura, na capela do mosteiro, é visitada por multidões que acorrem a lhe pedir graças e milagres, e também à procura das famosas e prodigiosas "pílulas de Frei Galvão".

JACÓ RABI

O alemão JACÓ RABI integrou a esquadra de Maurício de Nassau e foi considerado como uma figura das mais detestada na Capitania do Rio Grande. A serviço dos holandeses, Rabbi viveu quatro anos entre os tapuias, assimilando a sua língua e os seus costumes. Como intérprete tratou de consolidar a amizade entre os índios e os invasores flamencos. É considerado, também, o mais cruel e inescrupuloso personagem da história tradicional do Rio Grande do Norte.
Rabi acumulou grande fortuna em jóias, dinheiro, gado e terras pelo saque. Foi ele o grande responsável pelos massacres de Cunhaú e Uruaçu. Sob a alegação de que teria importantes comunicados a fazer, em 15 de junho de 1645, convocou a população de Cunhaú a estar presente à missa de domingo, dia 16, na capela Nossa Senhora das Candeias. Na manhã seguinte, quando o padre André de Soveral celebrava a missa, surgiram os guerreiros que, aos gritos de guerra, mataram, saquearam e incendiaram a povoação de Cunhaú. Foram mortas setenta pessoas.
Em Uruaçu, morreu João Lostão Navarro, sogro de Joris Garstman, comandante do forte, o que fez nascer em seu genro o desejo de vingança. Em abril de 1646, Jacó Rabi foi morto, em Natal, a tiros e golpes de espada.
O chefe Janduí ficou muito consternado com a morte do amigo e exigiu a entrega de Garstman, com o objetivo de fazer justiça com as próprias mãos. O que não foi concedido. Garstman foi acusado de mandante do crime e os holandeses instauraram inquérito para apurar.
A maioria dos historiadores defende que a morte de Jacó Rabi foi planejada pela Companhia das Índias Ocidentais, com o intuito de dar um basta nas atrocidades do alemão.

Martírio de Cunhaú

Original no site: http://www.santosdobrasil.org/?system=news&action=read&id=216&eid=229



Dia 15 de julho chegou em Cunhaú Jacó Rabe, trazendo consigo, como sempre, seus amigos e liderados, os ferozes tapuias, e, além deles, alguns potiguares com o chefe Jerera e soldados holandeses. Jacó Rabe era conhecido por seus saques e
desmandos, feitos com a conivência dos holandeses, deixando um rastro de destruição por onde passava. Dizendo-se em missão oficial pelo Supremo Conselho Holandês do Recife, convoca a população para ouvir as ordens do Conselho após a missa dominical no dia seguinte. Sua simples presença deixou todos tensos e temerosos.

Uma chuva torrencial na manhã de domingo, dia 16, alagando sobremaneira os caminhos da região, impediu que o número de pessoas a comparecer na missa fosse maior. Foi uma chuva providencial. Pelo receio de Rabe, alguns esperaram na casa de engenho. Os
fiéis chegaram, em grupos de famílias, para cumprir o preceito dominical, e Pe. André de Soveral iniciou a missa...

"Após a elevação da hóstia e do cálice, erguendo o Corpo do Senhor para a adoração dos presentes, a um sinal de Jacó Rabe, foram fechadas todas as portas da igreja e se deu início à terrível carnificina. Foram cenas de grande atrocidade: os fiéis em oração, tomados de surpresa e completamente indefesos, foram covardemente atacados e mortos pelos flamengos com a ajuda dos tapuias e dos potiguares. Ao perceber que iam ser mesmo sacrificados, os fiéis não se rebelaram. Ao contrário, "entre ânsias se confessaram ao sumo sacerdote Jesus Cristo Senhor Nosso, pedindo-lhe cada qual, com grande contrição, perdão de suas culpas", enquanto o Pe. André estava "exortando-os a bem morrer, rezando apressadamente o ofício da agonia".

Os primeiros ataques ao venerando sacerdote, Pe. André de Soveral, partiram dos tapuias. O Padre, porém, falando a língua indígena na qual era bem versado, exortou-os a não tocar na sua pessoa ou nas imagens e objetos do altar, sob pena de ficarem tolhidas as mãos e as partes do corpo que o fizessem. Os tapuias recuaram receosos. Mas os potiguares não deram importância às palavras do sacerdote, arremetendo contra o ministro de Deus e "fazendo-o em pedaços". O autor da façanha foi o principal dos Potiguares Jerera, que, empunhando uma adaga, feriu de morte o Pe. André".

Os que haviam se refugiado na casa do senhor de engenho tiveram a mesma sorte. Após a igreja, esta foi invadida. Três conseguiram fugir escapando pelos telhados. Os outros tentaram se defender como puderam, mas também foram mortos. A disposição dos fiéis à hora da morte era a de verdadeiros mártires, ou seja, aceitando voluntariamente o martírio por amor a Cristo. Os assassinos agiam em nome de um governo que hostilizava abertamente a Igreja Católica, a religião do governo português, do qual eram adversários. As vítimas tinham plena consciência disso.
De toda essa numerosa multidão de mártires, cerca de 70 pessoas, apenas duas foram identificadas, e por isso, beatificadas: André de Soveral e Domingos de Carvalho.

Martírio de Uruaçu

Original no site: http://www.santosdobrasil.org/?system=news&action=read&id=216&eid=229

A notícia do massacre de Cunhaú espalhou-se por todo o Rio Grande e capitanias vizinhas, deixando a população aterrorizada, temendo novos ataques dos tapuias e
potiguares, instigados pelos holandeses. Mesmo suspeitando dessa conivência do governo holandês, alguns moradores influentes pediram asilo ao comandante da Fortaleza dos Reis Magos. Assim, foram recebidos como hóspedes o vigário Pe.
Ambrósio Francisco Ferro, Antônio Vilela, o Moço, Francisco de Bastos, Diogo Pereira e José do Porto. Os outros moradores, a grande maioria, não podendo ficar no
Forte, assumiram a sua própria defesa, construindo uma fortificação na pequena cidade de Potengi, a 25 quilômetros da Fortaleza.

Enquanto isso, Jacó Rabe prosseguia com seus crimes. Após passar por várias localidades do Rio Grande e da Paraíba, chegou em setembro à Casa Forte do francês João Lostau Navarro, a poucos quilômetros de Natal. Vários moradores foram mortos e o proprietário, por ser estrangeiro, levado ao Forte dos Reis Magos. No Forte encontrou-se com os nossos conhecidos hóspedes e outro prisioneiro, Antônio Vilela Cid. Este era acusado de cumplicidade na morte de um holandês e de fazer parte de uma conspiração pela expulsão dos holandeses.

Rabe foi então à Potengi, e encontrou heróica resistência armada dos fortificados. Como sabiam que ele mandara matar os inocentes de Cunhaú, resistiram o mais que puderam, por 16 dias, até que chegaram duas peças de artilharia vindas da
Fortaleza dos Reis Magos. Não tinham como enfrentá-las. Depuseram as armas e entregaram-se nas mãos Deus! Cinco reféns foram levados à Fortaleza: Estêvão Machado de Miranda, Francisco Mendes Pereira, Vicente de Souza Pereira, João da
Silveira e Simão Correia. Desse modo, os moradores do Rio Grande ficaram em dois
grupos: 12 na Fortaleza e o restante sob custódia em Potengi.

Dia 2 de outubro chegaram ordens de Recife mandando matar todos os moradores, o que foi feito no dia seguinte, 3 de outubro.

Os holandeses decidiram eliminar primeiro os 12 da Fortaleza, por serem pessoas influentes, servindo de exemplo: o vigário, um escabino, um rico proprietário. Foram embarcados e levados rio acima para o porto de Uruaçu. Lá os esperava o chefe
indígena potiguar Antônio Paraopaba e um pelotão armado de duzentos índios seus comandados. Este chefe fora educado na Holanda e convertido à religião calvinista, da qual era fanático defensor. Mais tarde os holandeses o fizeram regedor dos índios da Capitania do Rio Grande.

Logo que chegaram, os flamengos ordenaram aos 12 que se despissem e ajoelhassem. Chamando os índios, que estavam emboscados, estes cercaram os pobres indefesos e deram início à requintada carnificina que se seguiu. Mons. Assis, o postulador da causa desses nossos queridos beatos, por dever de ofício e necessária precisão histórica, narra os tormentos e crueldades praticados tanto por índios como por holandeses. Impossível ler aquelas páginas e não chorar! Santo Deus! Como resistiram a tanta crueldade? Só mesmo a força da graça divina, que se manifesta na fraqueza humana, pode explicar a heroicidade desse transe! Antes de receberem a palma do martírio na Glória do céu, o mínimo que lhes aconteceu foi terem olhos, orelhas e línguas arrancadas, órgãos sexuais cortados e colocados em suas bocas...ainda vivos! Os que não morreram por essas e outras crueldades, começaram a ter os membros
cortados, e, dessa forma, entregaram a alma a Deus. Depois de mortos, a barbárie continuou, e seus corpos foram feitos em pedaços...

Em contraste à essa violência, temos a atitude serena e profundamente cristã das vítimas. Além disso, importantíssimo para a caracterização do martírio pela fé, foi justamente a presença de um pastor protestante calvinista, que tentou fazê-
los abjurar a fé católica e converterem-se à religião dos flamengos. Confessaram a alta voz que morriam na verdadeira fé:
"Pedindo todos a Deus que tivesse deles misericórdia, e lhes perdoasse suas culpas e pecados, protestando que morriam firmes na santa fé católica crendo o que cria a santa madre igreja de Roma".

É importante ser ressaltado isso, pois não era simplesmente uma perseguição política. Era claro para as vítimas que ceder aos invasores era ceder aos hereges calvinistas; era trair ao Rei, o soberano português, e à Religião Católica. Era esse o sentir das pessoas então; vencer e expulsar os invasores era defender a pátria e vencer para Deus e a verdadeira fé. Nas atrocidades do martírio também se manifesta o ódio à fé católica por parte dos assassinos, pela forma como foi tratado Pe. Ambrósio: por ser sacerdote, estando ainda ele vivo, foi mais duramente torturado.
Quanto aos outros moradores que estavam presos em Potengi, também eles não tinham mais ilusões de que sobreviveriam, e teriam o mesmo fim que os inocentes fiéis de Cunhaú.

Aguardavam o martírio em clima de grande religiosidade. Dentro da fortificação, que se tornou cadeia, eram realizadas orações, procissões, jejuns e penitências fortíssimas. As penitências foram tantas que seus corpos depois as denunciavam antes de serem sepultados. Embora somente os homens é que deveriam ser levados para a
morte, sabe-se que algumas mulheres com seus filhos acompanharam os chefes de família e foram também sacrificados. Quando os soldados holandeses vieram buscá-los, sabiam que iam para o suplício:
"Despediram-se os miseráveis de suas mulheres e filhos com muitas lágrimas, pedindo-lhes com muita eficácia que, pois iam morrer por seu Deus e inocentes, que lhes encomendassem as almas a seu Criador, e a quem pelo caminho foram pedindo
perdão de seus pecados, dando-lhes muitas graças e, mui conformes por morrerem daquela sorte, e, antes de serem chegados ao sítio, teatro de crueldade e tirania jamais vista, foram cercados pelos índios, e em chegando viram os cadáveres de seus companheiros e vizinhos que ainda palpitavam com as feridas, com cuja vista não desmaiaram, antes deram a Deus muitas graças consolando-se uns aos outros, e protestando que morriam firmes na fé católica romana."

Repetiram-se então as piores atrocidades e barbáries, que os próprios cronistas da época sentiam pejo em contá-las, porque atentavam às leis da moral e modéstia. Em Uruaçu foram mortos os principais moradores de Natal, que por medo dos índios e holandeses tinham se refugiado na Fortaleza dos Reis Magos e na fortificação de Potengi. Calcula-se em torno de 80 pessoas.

domingo, 6 de junho de 2010

A descendência do holandês Joris Garstman

Artigo publicado no ”O jornal de hoje” edição de 6 de Outubro de 2009
Original em http://trindade.blog.digi.com.br/category/educacao/

A descendência do holandês Joris Garstman

João Felipe da Trindade (hipotenusa@digi.com.br)

Professor da UFRN, sócio do IHGRN e do INRG

No dia 3 de outubro de 1645,dia do massacre de Uruaçu, comandava a Fortaleza dos Reis Magos, naquele momento, o holandês Joris Garstman.

No livro “História da Fortaleza da Barra do Rio Grande”, Hélio Galvão escreveu: “Na família Lopes Galvão radicada na área de ocupação flamenga, é corrente a tradição de que certa moça dessa família se casou com o holandês Garstman, de onde se originou o ramo Grasciman Galvão. Nossas investigações nos têm conduzido cada vez mais, em aproximações sucessivas, à convicção de que a tradição familiar vem sendo confirmada pelos documentos até agora revelados.” Diz mais adiante Hélio Galvão: “Sabe-se, por outro lado, que o assassínio do sogro de Garstman foi a razão principal que fez deflagrar a escopeta que matou Jacob Rabe. De fato, entre os mortos de Uruaçu está Lostau Navarro, precisamente aquele que a tradição aponta como o sogro do Major Garstman.”

Deduz Hélio Galvão, por conta da suas exaustivas pesquisas, que Beatriz Lostao Casa Maior, filha de João Lostau de Navarro, se casou com o Tenente Coronel Joris Garstman. Afirma, mais ainda, que eles são os pais de Teodósio de Gracisman e Isabel de Gracisman. Joris Garstman esteve também no governo da Capitania do Ceará e entregou o forte de São Sebastião em 20 de maio de 1654, partindo em 1º de julho para as Antilhas, tendo morrido de morte natural na Martinica, segundo consta do livro acima. O estranho é que não se encontrou nenhum documento, tanto no Brasil como na Holanda, que registre o nome da esposa de Joris Garstman e nem o destino dela. Tampouco se conhece a esposa de João Lostau de Navarro.

De onde surgiu o sobrenome Galvão? Será que não veio da família de Sargento-mor Francisco Lopes que casou com Joana Dorneles, filha de Maria de Lostao Casa Maior, outra filha de João Lostau, que casou com Manoel Rodrigues Pimentel? O sobrenome Lopes Galvão aparece com mais freqüência nos descendentes de Cipriano Lopes Pimentel, filho de Francisco Lopes e Joana Dorneles. Galvão aparece nos filhos de Teodósio de Graciman, acredito que por conta de Paula Barbosa, filha de Francisco Lopes e Joana Dorneles. Há que se juntar ainda muitos documentos para se ter conclusões mais precisas. A tradição muitas vezes obscurece a verdade.

Historiadores da UFRN questionam a beatificação dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu

Original em: http://jornalista.tripod.com/tudojunto/Pagina_martires.html
Em 1988 foram iniciados os estudos para o processo de beatificação dos Mártires de Cunhaú e Uruaçu por D. Alair Vilar Fernandes de Melo, da Catedral Metropolitana. No ano seguinte, o monsenhor Francisco de Assis Pereira é designado o postulador da causa, para investigar a história, ouvir testemunhas e analisar documentos pertinentes ao processo de beatificação. O decreto de beatificação foi assinado pelo papa João Paulo II em dezembro de 1998, os Mártires de Cunhaú e Uruaçu finalmente tornaram-se beatos para a Igreja Católica, após um minucioso estudo de sua causa. Isso foi motivo para historiadores questionarem os verdadeiros interesses da Igreja em relação aos mártires. A professora Fátima Martins, do departamento de História da UFRN, diz que a Igreja se aproveitou de um episódio histórico esquecido, explorando-o pelo lado místico como também a fé incomensurável dos fiéis. O catolicismo deixou a questão histórica em segundo plano, modificando-a, construindo uma nova verdade que se enquadrasse nos seus interesses. Em contrapartida a tal opinião, a jornalista Auricéia Lima, editora do jornal católico "A verdade" e escritora do livro "Terra de Mártires" vê no massacre um ato bárbaro e acredita que as vítimas demonstraram fé e patriotismo ao não se deixarem dominar pelos holandeses. A chefe do departamento do curso de História da UFRN, Denise Matos Monteiro, questiona também a versão da Igreja Católica sobre o massacre, pois existem outras interpretações. Ela acredita que o catolicismo ao se aproveitar desses fatos, chega a manipular a história, pois impõe

a versão mais conveniente do seu papel de Igreja: a versão de que houve os Mártires. A professora Denise Matos pergunta ainda quem seriam as verdadeiras vítimas desse processo, se os indígenas pudessem dar os seus depoimentos. Sem falar numa terceira versão: a dos holandeses; sabe-se que os colonos portugueses também realizaram massacres. A editora do jornal católico "A verdade" reconhece que há um contexto político pela busca de poder e dominação, tanto por parte dos holandeses quanto por portugueses. O engenho de Cunhaú era um ponto estratégico para os holandeses, pois representava um núcleo econômico da capitania do RN, produzindo aproximadamente sete mil toneladas de açúcar e também era um centro fornecedor de carne e mandioca, além de farinha de milho para Pernambuco. As historiadoras ainda consideram que a beatificação dos Mártires não passa de uma estratégia da Igreja Católica na tentativa de atrair fiéis que estão sendo perdidos para outras religiões. Entretanto, Auricéia Lima toma posição contrária ao afirmar que essa é a grande luta da Igreja e do papa: que cada vez mais cristãos se tornem santos. O prêmio maior, segundo a jornalista, seria a santidade que a Igreja Católica reconheceria a um cristão por suas virtudes, sua fé e perseverança.

França Equinocial

Denomina-se França Equinocial aos esforços franceses de colonização da América do Sul, em torno da linha do Equador (antigamente denominada de linha Equinocial), no século XVII.

O império colonial francês

O Império colonial francês no Novo Mundo também incluía a Nova França ("Nouvelle France") na América do Norte, particularmente no que é hoje a província do Québec, no Canadá, e a França Antártica ("France Antarctique"), na atual cidade do Rio de Janeiro, no Brasil. As nações ibéricas consideravam que esses assentamentos violavam não apenas a bula papal de 1493, como o Tratado de Tordesilhas (1494), documentos que dividiam o globo igualmente entre ambas, excluindo as demais nações dessa partilha.

A França Equinocial

O estabelecimento da chamada França Equinocial iniciou-se em Março de 1612, quando uma expedição francesa partiu do porto de Cancale, na Bretanha, sob o comando de Daniel de La Touche, Senhor de la Ravardière. Este nobre, que em 1604 havia explorado as costas da Guiana com o navegador Jean Mocquet, havia tido os seus planos de colonização do Novo Mundo adiados devido à morte de Henrique IV de França em 1610. Agora, com cerca de quinhentos colonos a bordo de três navios - "Régente", "Charlote" e "Saint-Anne" -, dirigia-se à costa norte do atual estado brasileiro do Maranhão.


Para facilitar a defesa, os colonos estabeleceram-se numa ilha, onde fundaram um povoado denominado de "Saint Louis" (atual São Luís), em homenagem ao soberano, Luís XIII de França (1610-1643). No dia 8 de Setembro de 1612, frades capuchinhos rezaram a primeira missa, tendo os colonos iniciado a construção do "Fort Saint Louis".

Cientes da presença francesa na região, os portugueses reuniram tropas a partir da capitania de Pernambuco, sob o comando de Alexandre de Moura. As operações militares culminaram com a capitulação francesa em fins de 1615.

Poucos anos mais tarde, a partir de 1620, iniciou-se o afluxo de colonos portugueses, tendo a povoação de São Luís começado a crescer, com uma economia baseada principalmente na agro-manufatura açucareira.

Por sua vez, os franceses fizeram novas tentativas de colonização mais ao norte, na foz do rio Amazonas (de onde também foram expulsos) e na região da atual Guiana Francesa, em 1626 onde lograram sucesso. Caiena viria a ser fundada em 1635 por iniciativa da "Compagnie de la France Équinoxiale" (criada nesse ano e recriada em 1645, tendo sido encerrada por duas vezes por dificuldades de gestão). O estabelecimento francês na Guiana só viria a firmar-se, entretanto, após 1674, quando passou para a administração direta da Coroa Francesa, administrada por um Governador nomeado pelo soberano. Atualmente, a Guiana Francesa é um departamento da França continental.

Jerônimo de Albuquerque Maranhão

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Jerônimo de Albuquerque Maranhão (Olinda, Pernambuco 1548 — Rio Grande do Norte, 1618) foi um militar e sertanista brasileiro.


Filho do português Jerônimo de Albuquerque e da indígena pernambucana M'Uirá Ubi (Arco Verde, em português), filha do cacique Uirá Ubi, Jerônimo de Albuquerque Maranhão notabilizou-se nas lutas travadas contra os franceses, na Região Nordeste do Brasil.

Sua primeira atuação destacada ocorreu quando, à frente de uma companhia que lhe foi entregue pelo Capitão-mor de Pernambuco, Manuel Mascarenhas Homem, empreendeu a reconquista da Capitania do Rio Grande (atual estado brasileiro do Rio Grande do Norte) - que fora invadida pelos franceses - onde ele viria a fundar a cidade de Natal (1599). Por conta desse feito, foi-lhe atribuído o título de fidalgo.

Em 9 de janeiro de 1603, foi nomeado Capitão-mor do Rio Grande, em substituição a João Rodrigues Colaço, que o antecedera no cargo. No ano seguinte, concedeu uma sesmaria de 5.000 braças em quadra, aos seus filhos Matias e Antônio de Albuquerque, em cujas terras logo foi instalado o engenho de cana de Cunhaú, que se tornaria o mais importante núcleo econômico da Capitania.

Em 17 de junho de 1614, foi nomeado "capitão da conquista do Maranhão", região que então se achava sob o domínio dos franceses, que nela haviam erigido o forte São Luís e instalado uma colônia - a França Equinocial.

Conquista do Maranhão

Para cumprir a missão que lhe fora confiada, Jerônimo preparou navios, acumulou armas e munições, e recrutou homens, inclusive esvaziando as prisões. Afim de obter o concurso dos índios, visitou várias aldeias, negociando com os caciques. Afinal, partiu do Rio Grande com destino ao Maranhão.

Chegando à Capitania do Piauí, enviou um grupo de reconhecimento sob o comando de Martim Soares Moreno e, enquanto esperava, fundou a povoação no Camocim, para reforçar o domínio português na região.

Martim Soares Moreno encontrou os franceses instalados no Maranhão e colheu informações sobre eles, mas ao retornar, uma violenta tempestade desviou-o para as Antilhas, de onde ele ele tomou o rumo da Espanha. Julgando-o perdido e sem dispor de informações sobre o inimigo, Jerônimo de Albuquerque achou mais prudente deslocar-se para Pernambuco, onde se encontrava o governador geral, Gaspar de Sousa. Ciente da situação, o governador geral mandou vir de Portugal, para ajudar Jerônimo, Diogo de Campos Moreno, que era grande conhecedor do Brasil. Formou-se uma nova expedição, com cerca 300 homens, aos quais se juntaram os 200 índios de Jerônimo. Velejando até o Maranhão, os expedicionários desembarcaram na praia de Guaxinduba, onde ergueram uma fortificação, a que deram o nome de Santa Maria.

Na madrugada de 19 de novembro de 1614, navios franceses fundearam ao largo da praia, e deles saíram cerca de 300 soldados e mais de 2.000 índios. O comandante francês, La Ravardière, intimou os portugueses a se renderem, haja vista a desproporção de forças. Contudo, deprezando a intimação, Jerônimo atacou e, apesar de suas forças serem numericamente inferiores, colheu uma surpreeendente e decisiva vitória.

Oito dias depois, ainda sob a alegria da vitória alcançada, Jerônimo acrescentou ao seu nome o apelido “Maranhão”, conforme consta de sua assinatura, aposta em documento de 27 de novembro.

Por força do resultado da Batalha de Guaxinduba, os franceses aceitaram negociar. Jerônimo e La Ravardière acordaram um armistício, suspendendo as hostilidades por um ano, enquanto mandavam, para cada uma das Cortes, emissários em busca de novas instruções. Mas o governo luso-espanhol não aprovou o armistício, conforme notícia trazida por Francisco Caldeira Castelo Branco [5]. Ainda assim, Jerônimo não desfez o acordo com o qual se comprometera, preferindo aguardar a chegada de documento oficial. Este lhe chegou com o General Alexandre de Moura, nomeado Governador-Geral da Armada e Conquista do Maranhão, instruído a obter dos franceses a rendição incondicional. Embora ressentido pelo que considerou uma falta de reconhecimento pelos serviços que prestara à Coroa, Jerônimo curvou-se diante de seu superior hierárquico, entregando-lhe o comando.

Em 31 de outubro de 1615, recomeçaram as hostilidades. Enquanto Jerônimo de Albuquerque cercava, por terra, o forte São Luís, a esquadra de Alexandre de Moura fechava o cerco, por mar. Intimado à rendição, La Ravardière submeteu-se com condições, prometendo partir em 3 meses. De Portugal chegaram reforços e ordens específicas: não pagar indenizações, apenas permitindo que os invasores franceses levassem seus pertences. No prazo acordado, La Ravardière entregou o forte e seus homens embarcaram para a França.

Morte do guerreiro

Em reconhecimento aos seus relevantes serviços, Jerônimo de Albuquerque foi nomeado capitão-mor da Capitania do Maranhão, cargo que exerceu por dois anos (1616 a 1618), até sua morte, sendo sucedido por seu filho, Antônio de Albuquerque Maranhão.

Por algum tempo, pairaram dúvidas sobre o local da morte do guerreiro. Enquanto o Barão do Rio Branco, em seu livro, "Efemérides Brasileiras", afirmava que Jerônimo falecera no dia 11 de fevereiro de 1618, em São Luis do Maranhão, Borges da Fonseca, em "Nobiliarquia Pernambucana", sustentava que ele morrera no Engenho Cunhaú, no Rio Grande do Norte.

A dúvida persistiu até a descoberta de uma antiga pedra tumular, medindo cerca de 1,24 x 0,69m, localizada no piso da Capela do Engenho, ao pé do retábulo. Bastante desgastada pelo tempo, a pedra contem uma inscrição, quase apagada, mas onde ainda é possível ler: QUIJA O DADO JNIMODE ALBUQ.MARANHÃO (Aqui jaz o fundador, Jerônimo de Albuquerque Maranhão).

Capitania do Maranhão

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A Capitania do Maranhão foi uma das subdivisões do território brasileiro no período colonial. Seu primeiro donatário foi Fernando Álvares de Andrade, que recebeu a capitania em 11 de março de 1535. Ela tinha 75 léguas de costa, estendendo-se do cabo de Todos os Santos até a foz do Rio da Cruz, cobrindo o nordeste do atual estado do Maranhão, pequena parte do Pará (onde hoje está Belém) e um extremo da Ilha de Marajó.

Os donatários das três últimas capitanias, João de Barros, Aires da Cunha e Fernando Álvares de Andrade, organizaram juntos uma expedição colonizadora composta de dez navios, com novecentos povoadores, sob o comando de Aires da Cunha, a qual chegou ao Brasil em 1535. Foram pouco felizes: obrigados a abandonar o navio ao ver as terras do Maranhão, fundaram a povoação da Nazaré. Sempre foram ameaçados pelos indígenas, com os quais entravam constantemente em luta. Em 1538, abandonaram a empresa. Nova tentativa de aproveitamento dos dois lotes foi feita em 1554, sob a chefia de Luís Melo. Já os franceses, por sua vez, visitavam freqüentemente a região, o que obrigou a Coroa, em princípios do século XVII, a empreender sua conquista.

Em 1621 foi elevada à dignidade de Estado do Maranhão, com administração independente do resto do Brasil, sob ordens de Filipe III de Espanha, a fim de promover o desenvolvimento da região. Uniu-se a antiga capitania ao Grão-Pará, mantendo São Luís como a capital desse extenso território.

Manuel Mascarenhas Homem

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Manuel Mascarenhas Homem foi um administrador colonial português. Foi capitão-mor da Capitania de Pernambuco.

Filho de Vasco Fernandes Homem, fidalgo agraciado com a comenda da Ordem de São Bento de Avis.

Foi nomeado capitão-mor da Capitania de Pernambuco, a qual governou de 1596 a 1603.

Em 1597, chegou ao Rio Grande para construir um forte (Forte dos Reis Magos) e uma cidade (Natal) e assegurar a posse de Portugal, afastando os franceses que comerciavam com os indígenas (os índios potiguaras). Para tanto, fez marchar contra os franceses um grupo de colonos de Pernambuco, por ordem do governador-geral do estado, D. Francisco de Sousa, em 1597.

Voltou a Portugal, onde exerceu diversas funções públicas. Recebeu os títulos de Conselheiro Real e de comendador da Ordem de Cristo.

Martim Soares Moreno

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Martim Soares Moreno, Capitão-mor do Ceará, (Santiago do Cacém, c.1586 — Portugal, após 1648), foi um militar português que defendeu os interesses da coroa lusitana no Brasil, tendo durante décadas combatido piratas franceses e invasores holandeses. É considerado o fundador do Ceará.

Martim Soares Moreno nasceu em 1586 (ou talvez 1585) na cidade de Santiago do Cacém em Portugal. Era filho dos portugueses Martim de Loures e Paula Ferreira. Seu tio, Diogo de Campos Moreno diz que "mui pequeno o havia mandado com Pero Coelho de Sousa, para que servindo naquela entrada aprendesse a língua dos índios, e seus costumes, dando-se com eles, e fazendo-se seu mui familiar, e parente, ou compadre, como eles dizem". Participou da expedição de Pero Coelho ao Ceará em 1603 e acabou por se tornar, anos mais tarde (1612), o virtual fundador daquela capitania. Ali construiu, junto do rio Ceará, um forte e uma ermida, com a ajuda de índios que trouxe do Rio Grande.

No mesmo ano foi, a mando de Jerônimo de Albuquerque Maranhão, reconhecer o Maranhão, ocupado pelos franceses, que haviam sublevado o gentio daquela terra. Na volta, entretanto, seu navio foi jogado pelos ventos às Antilhas. Em 1614 estava em Sevilha, na Espanha.

No ano seguinte, já capitão, retornou ao Maranhão, junto com um reforço de 900 homens, que tornaram possível a expulsão definitiva dos franceses e a captura da cidade de São Luís. Em 1616 foi capturado em alto mar por um navio corsário francês, após violento combate, que o deixou seriamente ferido, com uma cutilada no rosto e uma mão a menos.

A carta patente de 26 de maio de 1619 fez mercê da capitania do Ceará a Martim Soares Moreno, em atenção aos seus serviços. Lá, em 1624 e 1625, repeliu os ataques de duas naus holandesas.

Em 1630 deu-se a invasão holandesa de Pernambuco. Martim Soares, partiu do Ceará com uns poucos índios e soldados e chegou ao Arraial do Bom Jesus em junho de 1631. Na fase inicial da luta, tomou parte no bloqueio das forças holandesas postadas em Recife e Olinda. Destacou-se sempre, como combatente e intérprete junto aos índios. Nos anos seguintes, tomou parte na defesa da Paraíba e de Cunhaú (na capitania do Rio Grande).

Tendo os holandeses derrotado a resistência luso-brasileira, e restaurada a monarquia portuguesa em 1640, foi firmada uma trégua entre Portugal e a Holanda. Contudo, em 1645, Martim Soares Moreno tomou parte no movimento clandestino que culminou na guerra de restauração do Brasil. Retornou definitivamente para Portugal em 1648 aos 62 anos de idade, após 45 anos servindo a coroa lusitana no Brasil.

Francisco Caldeira Castelo Branco

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Francisco Caldeira Castelo Branco (1566 ? - 1619) foi um Capitão-mor português, fundador da cidade de Belém, capital do Estado do Pará, em 12 de janeiro de 1616.


Francisco Caldeira Castelo Branco [1] teria nascido na localidade portuguesa de Castelo Branco, em 1566. Foi Capitão-mor da Capitania do Rio Grande de 1612 a 1614 (atual estado do Rio Grande do Norte) e da Capitania da Bahia de 1615 a 1618. Quando servia na guarnição de Pernambuco, foi enviado como comandante de uma expedição em socorro às tropas portuguesas que, sob o comando de Jerônimo de Albuquerque, lutavam contra os franceses no Maranhão.
[editar] Expedição ao Grão-Pará

Em 1615, após a expulsão dos franceses, Gaspar de Souza, governador geral do Brasil, substituiu Jerônimo de Albuquerque por Alexandre de Moura que, entre outras medidas, preparou uma expedição militar para expulsar estrangeiros (franceses, holandeses, ingleses) que se tivessem estabelecido no Grão-Pará. Para o comando da expedição, escolheu Francisco Caldeira, que partiu no dia 25 de dezembro de 1615, com um Caravelão, um Patacho e um Lanchão, com dez peças de artilharia, oito quintais de pólvora, munições e mantimentos. A força de desembarque, dispunha de três companhias de infantaria e 50 soldados sob o comando dos capitães Álvaro Neto (no caravelão Santa Maria da Candelária), Pedro de Freitas (no patacho Santa Maria da Graça) e Antônio Fonseca (no lanchão Assunção), tendo por subalternos os alferes Gaspar de Macedo, Pedro Teixeira e Pedro Favela. Também seguiram na expedição o piloto Antônio Vicente Cochado e o famoso prisioneiro francês, Charles des Vaux.

Segundo relato de Capistrano de Abreu [2], "partiram no dia de Natal, correndo a costa, fazendo sondagens, dando fundo todas as noites, tomando as conhecenças da terra, numa extensão de cento e cinqüenta léguas. Entraram na barra pela ponta de Saparará, e seguiram por entre ilhas, bem acolhidos pelo gentio disposto em seu favor, graças à derrota dos franceses, e encontraram notícias imprecisas de flamengos e ingleses que freqüentavam aquelas regiões".

Em 12 de janeiro, Francisco Caldeira desembarcou na enseada da Baía do Guajará, chamada pelos Tupinambás de "Paraná-Guaçu", e na elevação que os nativos chamavam de "Mairi", fez edificar um forte de madeira, coberto de palha, ao qual denominou "Presepe" (Presépio), que mais tarde viria a se chamar Forte do Castelo. À colônia que se formou junto ao forte, ele deu o nome de "Feliz Lusitânia" – embrião da futura cidade de Belém.

Em seguida, Francisco Caldeira mandou ao Maranhão o alferes Pedro Teixeira, para comunicar o resultado de sua missão. Esse oficial, com um pequeno grupo de soldados e alguns índios de confiança, pôs-se por terra em 7 de março de 1616. A dificil viagem, que durou dois meses, traçou uma rota de comunicação terrestre entre o Grão-Pará e o Maranhão. Pedro Teixeira regressou, dessa vez por mar, trazendo no lanchão que o conduzia, 30 soldados arcabuzeiros , sob o comando de Salvador de Melo, além de petrechos bélicos e fardamento.
[editar] Governo, deposição e morte

O governo de Francisco Caldeira, à frente da nova colônia, foi considerado autoritário e desagregador, razão pela qual, já em 1617, um memorial do Governador-Geral do Brasil, dirigido ao rei de Portugal, solicitava que ele fosse removido daquele posto "onde faz mil desconcertos, desaquietando os índios, pondo em seu lugar outra pessoa que os conserve como convém, para não se rebelarem".

Estes "desconcertos" prosseguiriam no ano seguinte quando, em setembro de 1618, o capitão Álvaro Neto foi assassinado a punhaladas por Antônio Cabral, sobrinho de Francisco Caldeira. Os capitães Paulo da Rocha e Tadeu de Passos vendo que o Capitão-mor dava pouca atenção à anormalidade do delito, exigiram a imediata punição do assassino. Contudo, temerosos de sofrerem represálias, eles se recolheram ao Convento dos Religiosos de Santo Antônio.

Pressionado, Francisco Caldeira prendeu Antônio Cabral, mas logo o libertou, sob a alegação de ter necessidade de todos os homens disponíveis para lutar em caso de um ataque dos indígenas. Deu também ordens também para que fossem presos os militares refugiados no convento dos franciscanos. Essas e outras medidas arbitrárias e impopulares, acabariam determinando sua remoção do cargo que ocupava na colônia.

É o próprio Francisco Caldeira quem relata o episódio de sua deposição. Segundo ele, na manhã do dia 23 de setembro de 1618, um domingo, ele foi acordado e preso pelo franciscano Cristóvão Vaz e pelos oficiais Francisco de Almeida e Antônio Pinto, tendo suas mãos sido amarradas com uma corda, e os pés com uns grilhões e com uma grande e grossa corrente de ferro. Em seu relato, ele reclama ter sido mantido preso em regime de incomunicabilidade, "negando-se licença aos que me querem visitar, de modo que todos temem pedi-la, e assim estou nesta estreiteza, desamparo e aperto a quem Deus acuda".

O fundador de Belém foi remetido a Lisboa, onde acabaria morrendo na prisão, em 1619.

Um dos donos da capitania do Rio Grande

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Aires da Cunha (Portugal, ? — litoral maranhense, 1536) foi um capitão donatário do Brasil.

Tendo recebido de João III de Portugal em 1535 a Capitania do Maranhão, associou-se a Fernando Álvares de Andrade e João de Barros, que organizaram uma expedição para colonizar a região norte do Brasil. Em novembro de 1535 a expedição aportou na Capitania de Pernambuco, onde recebeu auxílio de Duarte da Costa. Rumando para o norte, para a costa do Maranhão, um violento temporal fez naufragar a embarcação, perecendo a maior parte de seus integrantes.

Jerônimo de Albuquerque, o Adão do Nordeste.

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Jerônimo de Albuquerque (Lisboa, ca. 1510 — Olinda, 25 de dezembro de 1584) foi um administrador colonial português.

Filho de Lopo de Albuquerque e de Joana de Bulhões, viajou para a Capitania de Pernambuco com o primeiro donatário, Duarte Coelho, e sua mulher, Brites de Albuquerque, de quem Jerónimo era irmão.

Recém-chegado, numa das lutas que teve que enfrentar contra os índios tabajaras, levou um flechada e perdeu um dos olhos. Após esse incidente, ficou conhecido pelo apelido de o Torto. Ferido, prisioneiro e condenado à morte, foi salvo pela intervenção da filha do cacique de Uirá Ubi (Arco Verde), Tindarena ou Tabira, que se apaixonou por ele e o quis como marido. O casamento selou a paz entre os tabajaras e os colonizadores portugueses.

Batizada, posteriormente, Tabira recebeu o nome de Maria do Espírito Santo Arco Verde, em homenagem à festa de Pentecostes que se celebrava no dia do batismo.

Da união de Jerônimo de Albuquerque e Tabira nasceram oito filhos: Jerônimo de Albuquerque Maranhão, que anos mais tarde lutaria contra a invasão francesa no Maranhão, tendo sido também um dos fundadores da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte; Manuel, André, Catarina, que se casou com o fidalgo florentino Filipe Cavalcanti, Isabel, Joana, Antônio e Brites. Jerônimo de Albuquerque teve ainda mais cinco filhos de outras mulheres brancas e índias, todos por ele reconhecidos.

Em 1562, em obediência a uma carta-intimação de D. Catarina de Portugal, casou-se com Felipa de Mello, filha de Dom Cristóvão de Mello. Segundo D. Catarina, sendo ele o sobrinho de Afonso de Albuquerque, descendente de reis, não deveria seguir a "lei de Moisés", isto é, manter "trezentas concubinas".

Do casamento com Felipa nasceram mais onze filhos: João, Afonso, Cristóvão, Duarte, Jerônimo, Cosme, Felipe, Isabel, Maria, além de dois que morreram logo após o nascimento. Assim, Jerônimo de Albuquerque teve 24 filhos, entre legítimos e legitimados, o que lhe valeu o apelido entre os historiadores brasileiros de "Adão Pernambucano".

Em suas terras, nas proximidades de Olinda, fundou o primeiro engenho de açúcar de Pernambuco, o engenho Nossa Senhora da Ajuda, depois denominado de Forno da Cal.

Quem foi João de Barros


João de Barros, chamado o Tito Lívio Português, (c. 1496 — Ribeira de Alitém, 20 de Outubro de 1570) é geralmente considerado o primeiro grande historiador português e pioneiro da gramática da língua portuguesa.

Filho de um nobre, foi educado na corte de Dom Manuel I, no período de maior apogeu dos descobrimentos portugueses, tendo ainda na sua juventude concebido a idéia de escrever uma história dos portugueses no oriente. Sua prolífica carreira literária iniciou-se com pouco mais de vinte anos, ao escrever um romance de cavalaria, a Crónica do Emperador Clarimundo, donde os Reys de Portugal descendem, dedicado ao soberano e ao príncipe herdeiro Dom João.

Este último, ao subir ao trono como Dom João III em 1521, concedeu a João de Barros o cargo de capitão da fortaleza de São Jorge da Mina, para onde partiu no ano seguinte. Em 1525 foi nomeado tesoureiro da Casa da Índia, missão que desempenhou até 1528.

A peste negra de 1530 levou-o a refugiar-se na sua quinta da Ribeira de Alitém, próximo de Pombal, vila onde concluiu o seu diálogo moral, Rhopicapneuma, alegoria que mereceu louvores do catalão Juan Luis Vives.

Regressado a Lisboa em 1532, o rei designou-o como feitor das casas da Índia e da Mina - uma posição de grande destaque e responsabilidade, numa Lisboa que era então um empório, a nível europeu, para todo o comércio estabelecido com o oriente. João de Barros provou ser um administrador bom e desinteressado, algo raro para a época, como demonstra o surpreendente facto de ter amealhado pouco dinheiro com este cargo (quando os seus antecessores haviam adquirido grandes fortunas).

Em 1534 Dom João III, procurando atrair colonos para se estabelecerem no Brasil, evitando assim as tentativas de penetração francesa, dividiu a colónia em capitanias hereditárias, seguindo um sistema que já havia sido utilizado nas ilhas atlânticas dos Açores, Madeira e Cabo Verde, com resultados comprovados. No ano seguinte João de Barros foi agraciado com a posse de duas capitanias, em parceria com Aires da Cunha, o Ceará e o Pará. Constituiu a expensas suas uma armada de dez navios e novecentos homens, que zarpou para o Novo Mundo em 1539.

Devido talvez à ignorância dos seus pilotos, a frota não atingiu o objectivo pretendido, tendo andado à deriva até aportar às Antilhas espanholas. Demonstrando um grande humanismo, talvez incomum para a época, pagou as dívidas dos que haviam falecido na expedição. No entanto isto resultou em grandes problemas financeiros a João de Barros, com os quais teve que lidar até ao fim da vida, vendo-se mesmo obrigado a hipotecar parte dos seus bens.
[editar] A "Gramática da Língua Portuguesa" e as "Décadas"
Retrato de João de Barros, da sua obra Décadas da Ásia, edição de 1615.

Durante estes anos prosseguiu seus estudos durante as horas vagas, e pouco após a desastrosa expedição ao Brasil publicou a Gramática da Língua Portuguesa e diversos diálogos morais a acompanhá-la, para ajudar ao ensino da língua materna. Pouco depois (seguindo uma proposta que lhe havia sido ainda endereçada por Dom Manuel I), iniciou a escrita de uma história que narrasse os feitos dos portugueses na Índia - as Décadas da Ásia (Ásia de Ioam de Barros, dos feitos que os Portuguezes fizeram na conquista e descobrimento dos mares e terras do Oriente), assim chamadas por, à semelhança da história liviana, agruparem os acontecimentos por livro em períodos de dez anos. A primeira década saiu em 1552, a segunda em 1553 e a terceira foi impressa em 1563. A quarta década, inacabada, foi completada por João Baptista Lavanha e publicada em Madrid em 1615, muito depois da sua morte.

Não obstante o seu estilo fluente e rico, as "Décadas" conheceram pouco interesse durante a sua vida. É conhecida apenas uma tradução italiana em Veneza, em 1563. Dom João III, entusiasmado com o seu conteúdo, pediu-lhe que redigisse uma crónica relativa aos acontecimentos do reinado de Dom Manuel - o que João de Barros não pode realizar, devido às suas tarefas na Casa da Índia, tendo a crónica em causa sido redigida por outro grande humanista português, Damião de Góis. Diogo do Couto foi encarregado mais tarde de continuar as suas "Décadas", adicionando-lhe mais nove. A primeira edição completa das 14 décadas surgiu em Lisboa, já no século XVIII (1778 — 1788).

Em Janeiro de 1568 sofreu um acidente vascular cerebral e foi exonerado das suas funções na Casa da Índia, recebendo título de fidalguia e uma tença régia do rei Dom Sebastião. Faleceu na sua quinta de Alitém, em Pombal, a 20 de Outubro de 1570. Morreu na mais completa miséria, sendo tantas as suas dívidas que os filhos renunciaram ao seu testamento.

Enquanto historiador e linguista, João de Barros merece a fama que começou a correr logo após a sua morte. As suas "Décadas" são não só um precioso manancial de informações sobre a história dos portugueses na Ásia e são como que o início da historiografia moderna em Portugal e no Mundo.

As verdades do Capitão José da Penha

Original em: http://trindade.blog.digi.com.br/category/religiao/

O capitão José da Penha nos surpreende a cada momento em que temos acesso a fatos de sua vida. Em 1899, ele tinha terminado de escrever, com apenas 24 anos, o livro “O Espiritismo e os Sábios.” Vamos transcrever, mantendo a ortografia, tanto quanto possível, um trecho do livro.

Raimundo de Farias Brito, em uma introdução, diz : “ O auctor, com effeito, collocando-se no terreno dos princípios geraes, faz não defesa de uma these, mas estudo comparativo. Aprecia a influencia da religião sobre a moral, a influencia da moral sobre o governo. E de sua analyse, sempre imparcial, por vezes emocionante e cheia de ardor, sempre justa, sempre sincera, vistas são lançadas que tocam de perto aos mais árduos problemas da especulação metaphysica. E uma cousa fica fora de duvida: é que o jovem auctor deste livro, é um temperamento profundamento religioso, revelando neste trabalho, como em outros, do modo o mais saliente a sede de ideal que o devora.”

Há um momento no livro, que fazendo uma análise sobre Alan Kardec e sua obra, J. da Penha diz:

“O certo é que os principios básicos do “Livro dos Espíritos” são, em francez, e no estilo do autor, os mesmos de que nos deixaram uma recordação escrita, os collaboradores das mais prístinas civilisações”. Continua J. da Penha: “ Aquietem-se os mais abespinhados pela franqueza desse reparo, porque não entra nos meus calculos a preocupação da hostilidade ao patrono do espiritismo contemporaneo, tão somente buscarei prestar submissão aos imperiosos reclamos da verdade.” Aí ele continua, abrindo um espaço para a verdade em que acredita, escrevendo: “Ventilando fatos incontestáveis, será difícil guiar para o desacerto e a injusticça: alem de que a verdade è, para mim, a única razão de ser de nossos idéaes. Não sou dos inclementes na punição de nossas fraquezas, mas considero uma das mais puníveis, deixar deliberadamente que a mentira se combine com a tinta para a ocupação caligráfica do papel.Transmitir a nossos semelhantes idéas deturpadas pela hipocrisia, antolha-se-me uma das mais requintadas vilezas da consciência. Rebuçar com o vigor do colorido, a intensidade da imagem, a dutilidade da forma de um paramentoso estilo, a sinceridade a nos escapar da penna, é exercitar-se num dos mais repugnantes jogos da intelligencia. Imprimir mentiras para lisongear paixões, apaniguar interesse e condescender com o erro, é dar abominável emprego ás faculdades, que nos distinguem do bruto, remido de sua inferioridade, si também soubera escrever. Transigir com a falsidade ao publicar o resultado de suas vigílias, condiz com a mais completa expressão de pusilanimidade de um espírito, malfazejo e tábido si, alem disso, tripudia sobre os destroços da ingenuidade dos que não tiveram ensejo de polir o entendimento. A palavra escrita é um dos mais seguros elementos de triunfo nas lutas pela civilização e pode-se até dizer que ruiriam por terra todas as outras instituições, si, por uma combinação satânica e impossível, parassem para todo o sempre todas as pennas do mundo. Contrista-me de véras, que possamos abusar, em proveito de nossas vis paixões, de tão soberana faculdade; enluta-se me o espírito quando me lembra que póde alguém vasar no livro, no jornal e no pamfleto, impressões que não sentiu, dissimulando as fórmas da verdade, rebuscando nas cintillações dimantinas do idioma bem estudado, o meio de ocultar por algum tempo as refulgências da justiça. Manejar a penna, o mais simples e maravilhoso instrumento auxiliar da alma, para architetar calumnias, abocanhar sorrateiramente ilibadas reputações, provocar a explosão de ódios adormecidos, referendar a prepotência, abafar o grito da innocencia e combater o respeito á honestidade das idéas sãs, - equivale a galgar a culminancia da escala de uma certa classe de crimes, para os quaes se não inventou ainda o maximo rigor de leis, compatíveis com o estado atual da moralidade humana. Entre o envilecer-me nas praticas servis de tal função e o desaprender de todo o abecedário, elegeria a segunda contingência, ficando ainda orgulhoso de ser analfabeto. Perdoaria e comprehendo, a improbidade e o embuste em todos os comércios, exceto no das letras. Escrever é um sacerdócio a que todos deviam respeitar. De mais de uma falha se resente meu espírito, inadaptável, por esse motivo á hipocrisia literária do meio, em que se desenvolve com insuficiencia e lentidão. Ora, a lealdade dos pensamentos vibrados neste papel, e a possibilidade de armar uma injustiça contra A. Kardec ou qualquer outro, repellem-se como a virtude e o vicio. Não é diminuta concessão lhe atribuir qualidades e méritos, que outros timbram em negar, não lhe concedendo nem o do amor e apego das idéas que propagava. O trabalho de adaptação da metafísica oriental, ao estado de crenças dominantes no seu tempo, face a face de uma civilisação muito mais opulentada de conhecimentos cientificos, artísticos e filosóficos, reclamava-lhe grande copia de aptidões e esforços. Reunindo em si todos os predicados de um reformador, no departamento em que desabrochou com exhuberancia a sua intelligencia, saiu-se galhardamente da empreza. Tinha o condão de arrebanhar prosélitos, de gerar fanáticos, de organisar partidos. Provam-no – e do modo mais irrefragável – as innumeras dedicações que se creou e a mesma celebridade a sobreviver á sua morte.”

Este livro merece ser reeditado, para conhecimento de todos. Este artigo foi publicado no O Jornal de Hoje