domingo, 28 de abril de 2013

O controverso mapa chinês de 1418.

Em 2006 veio a público um mapa que sacudiu o meio acadêmico e prometeu que mudanças seriam feitas após uma grande revelação: quem descobriu o continente americano foram os chineses.

O artefato histórico seria uma cópia datada de 1763 de um mapa cartográfico ainda mais antigo, do século XV (1418, especificamente). Ele teria sido produzido pelo famoso almirante chinês Zheng He. Muitas teorias já existem, e não são recentes, a respeito da América ter sido encontrada pelos chineses, em específico por Zheng He, que ficara famoso na dinastia Ming.

O almirante cruzou os oceanos entre 1405 e 1418 e suas aventuras ficaram bem documentadas em um livro publicado na China por volta de 1418 sob o título de "As Maravilhosas Visões da Frota Estelar".

O mapa ainda traz passagens sobre os habitantes do litoral ocidental da América: "A pele da raça nesta região é de uma cor vermelho escuro, e usam penas nas cabeças e quadris", enquanto que sobre os australianos escreve que "a pele de um aborígine é negra. Todos andam nus e carregam artigos de osso à cintura".

Vários especialistas em cartografia acreditam que o mapa é autêntico por trazer informações que estavam disponíveis, separadamente, em outros mapas náuticos da época. Contudo, historiadores acreditam se tratar de um engodo, pois, segundo eles, Zheng He nunca passara da costa africana em suas viagens.

Este antigo mapa, embora muitos questionem sua veracidade, é uma das provas físicas de que o debate histórico de quem descobriu, de fato, o continente americano permanece em aberto e vivo.

Talita Lopes Cavalcante
Administração Imagens Históricas

Fontes:
- "Mapa reforça teoria de que chinês se antecipou a Colombo". UOL, Últimas Notícias. Acessado em: 26/04/2013.
<http://noticias.uol.com.br/ultnot/efe/2006/01/13/ult1809u7246.jhtm>

- "Chinese Columbus" Map Likely Fake, Experts Say. National Geographic News. Acessado em: 26/04/2013.
<http://news.nationalgeographic.com/news/2006/01/0123_060123_chinese_map.html>

sábado, 27 de abril de 2013

MATERNIDADE ESCOLA JANUÁRIO CICCO - BERÇO DE MUITOS POTIGUARES

Berço de muitos potiguares, o belíssimo casarão onde funciona a Maternidade Escola Januário Cicco, antiga Maternidade de Natal, teve sua construção iniciada em janeiro de 1932. O terreno foi doado pelo então prefeito O'Grady mas a inauguração só ocorreu em 12 de fevereiro de 1950. No início da década de 40 a Maternidade já estava pronta para funcionar, mas durante a Segunda Guerra Mundial foi ocupada como "Quartel General das Forças Aliadas e Hospital de Campanha".

Com o final da guerra e após intensa campanha, Januário Cicco conseguiu retomar o prédio, restaurá-lo colocá-lo para funcionar.

De características neoclássicas, de elevado valor arquitetônico e histórico, a Maternidade Januário Cicco, como é conhecida pelos natalenses, é uma das raras exceções, nesta cidade, de uma construção que permanece até os dias atuais desenvolvendo as atividades para as quais foi planejada. Hoje a Maternidade Escola é referência na cidade e funciona como campo de pesquisa, ensino e aplicação prática dessa área de saúde, além de prestar atendimento a população pobre.
A história da primeira maternidade de Natal tem um nome, um idealizador. O médico, escritor e humanista, Januário Cicco, nascido em São José de Mipibu, em 30 de abril de 1881. Falecido em 1952, Januário Cicco foi um pioneiro da Medicina Social. Seu legado para a Medicina potiguar é incalculável! A Maternidade surgiu graças ao sonho desse homem e as frequentes campanhas públicas, festas, desfiles, quermesses, sorteios e rifas para arrecadar dinheiro para a sua construção. Além do seu grande envolvimento com a área de saúde, Januário Cicco escreveu importantes obras científicas e literárias, como " O Destino dos Cadáveres" (1906) "Como se Higienizaria Natal" (1920) " Memórias de um Médico de Província" ( 1928) e "Eutanásia" (!932).
Em primeiro de novembro de 1952, vítima de um ataque cardíaco, morre o fundador da Saúde Pública do RN
 
FONTE: Página do Facebook do Descobrindo Rio Grande do Norte

sexta-feira, 26 de abril de 2013

'Minha trajetória política está encerrada', diz ex-prefeita de Natal

Micarla de Sousa entregou carta de desfiliação ao PV nesta quarta (24).
'Eu percebi que os políticos são seres humanos falíveis', disse ao G1.

Fernanda Zauli Do G1 RN
Micarla de Sousa, prefeita de Natal (Foto: Ricardo Araújo/G1)Micarla de Sousa durante entrevista coletiva em 2012 - (Foto: Ricardo Araújo/G1)
 
"A partir de hoje minha trajetória política está definitivamente encerrada". A declaração é da ex-prefeita de Natal Micarla de Sousa, que entregou pedido de desfiliação ao Partido Verde (PV) nesta quarta-feira (24). Em entrevista ao G1, Micarla, que é jornalista e empresária, afirmou que irá se dedicar aos filhos e à própria saúde.
A desaprovação da gestão de Micarla de Sousa em Natal chegou a 95%, de acordo com pesquisa do Ibope em outubro do ano passado. No dia 31 do mesmo mês, em entrevista ao G1, a diretora do Ibope, Márcia Cavallari, disse que a avaliação negativa de Micarla é a pior já registrada pelo instituto em mais de 20 anos. "Não temos nenhuma pesquisa de avaliação de prefeitos pior do que a que verificamos na pesquisa de Natal".
A ex-prefeita explicou que desde junho de 2012, quando anunciou que não seria candidata à reeleição, a decisão de deixar a política para cuidar da saúde e da família já estava tomada. “Mas nesses nove meses foi muito difícil tomar a decisão de deixar o partido. Foi mais difícil do que a decisão de deixar a política”, disse.
Convites
Micarla de Sousa afirmou ainda que recebeu convites para se filiar a outros partidos quando a desfiliação ao PV se tornou pública. “Eu agradeço, inclusive, aos partidos que desde ontem entraram em contato comigo, mas realmente eu não tenho qualquer interesse em voltar para a vida pública. Eu fiz a minha parte e dou por encerrada minha trajetória política”, disse.
Ela avaliou o período em que esteve na política como tempo “de aprendizado”. “Foram anos de muito amadurecimento e aprendizado. Hoje, eu me considero uma pessoa muito melhor do que quando entrei para a politica. A política me fez conhecer o mundo real, ir para a rua, conhecer todas as dores do nosso povo, me fez conhecer o lado humano das pessoas que nos governam", afirmou.
E continuou: "Eu como repórter política, considerava que os políticos tinham uma vida perfeita, os rótulos eram muito fáceis. Hoje, conhecendo o outro lado, eu vejo que a vida pública é muito dura, de cobranças, e percebi que os políticos são seres humanos falíveis”.
Futuro
Sobre os planos para o futuro, a empresária disse que pretende se dedicar a tudo que teve que abdicar enquanto prefeita. “Depois de tanto tempo distante das coisas que eu mais amo, eu continuo com os mesmos planos de cuidar de mim e dos meu filhos”. Micarla de Sousa afirmou que, por enquanto, não pretende voltar a atuar nas empresas da família. “Continuo ajudando minha família, mas não tenho nenhuma função executiva nas empresas, nenhum compromisso formal.  O único compromisso que eu tenho agora é restabelecer a minha saúde”, disse.
Trajetória
Micarla de Sousa entrou para a vida pública em 2004 quando compôs como vice-prefeita a chapa pela reeleição do então prefeito Carlos Eduardo. Em 2006, ela rompeu com o prefeito e se candidatou à deputada estadual e foi eleita como a sétima candidata mais votada. Em 2008, Micarla de Sousa disputou a prefeitura de Natal e foi eleita no primeiro turno com 50,84% dos votos. Em outubro de 2012, a prefeita foi afastada do cargo pela Justiça sob suspeita de ter estar ligada a uma fraude na Secretaria de Saúde de Natal.


PF do RN diz que US$ 3,7 milhões saíram ilegalmente do Brasil


Segundo a PF, dinheiro foi enviado ilegalmente para os Estados Unidos.
Operação Absconso foi deflagrada na manhã desta sexta (26) em Natal.

Igor Jácome e Fernanda Zauli Do G1 RN
Detalhes da operação Absconso foram revelados durante coletiva na sede da PF, em Natal (Foto: Igor Jácome/G1)Detalhes da operação Absconso foram revelados durante coletiva na sede da PF, em Natal (Foto: Igor Jácome/G1)
As investigações da operação Absconso, realizada pela Polícia Federal do Rio Grande do Norte, constataram que US$ 3,7 milhões - R$ 7,4 milhões, na cotação desta sexta-feira (26) - foram enviados ilegalmente por pessoas do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos. A informação foi confirmada em coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta, na sede da PF, em Natal.
O delegado Rubens França, da divisão de Combate ao Crime Organizado, revelou que o inquérito do 'Caso Banestado' - que investigava a conduta dos gerentes do Banco do Estado do Paraná - foi dividido para cada estado que tem pessoas suspeitas. Segundo ele, a Polícia Federal do RN recebeu uma lista com o nome de 31 suspeitos, mas as investigações revelaram que apenas seis estariam supostamente envolvidas no envio ilegal de dinheiro para os Estados Unidos.
“Desses seis suspeitos, cinco são pessoas físicas e um pessoa jurídica”, explicou o delegado. Rubens França afirmou também que a PF ainda não sabe em qual instituição financeira está o dinheiro e que a origem do recurso não será investigada. “O objetivo da operação é investigar o envio ilegal dos recursos. A origem do dinheiro não fará parte desta investigação”, afirmou.
No Rio Grande do Norte, as investigações começaram em 2007. O delegado explicou que o dinheiro era enviado para os Estados Unidos por meio de doleiros.
Operação Absconso (Foto: Matheus Magalhães/G1)Operação cumpriu mandados em edifício
residencial de Natal (Foto: Matheus Magalhães/G1)
A operação
A operação Absconso (sinônimo de escondido, oculto) foi deflagrada na manhã desta sexta pela Polícia Federal do Rio Grande do Norte. As investigações apuram crimes de ordem financeira - suposta remessa ilegal de dinheiro para o exterior. Seis mandados de busca e apreensão foram cumpridos em residências e em um hotel em Ponta Negra, bairro da zona Sul de Natal.
Segundo a PF, a investigação teve início com o chamado 'Caso Banestado', que detectou movimentações irregulares de valores para exterior por meio de doleiros. "Em Natal, existe a suspeita de que os cinco investigados mantém recursos ocultos no exterior, não declarados ao Banco Central e Receita Federal", revelou o delegado Rubens França, da divisão de Combate ao Crime Organizado.
Um dos mandados foi cumprido em um edifício localizado em Petrópolis, na zona Leste da cidade. Uma viatura da PF chegou ao Edifício Bellomonte, na rua Desembargador Dionísio Filgueira, por volta das 8h. Quatro agentes saíram do prédio e informaram que levariam o material apreendido para a sede da PF.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Seca leva agricultor do Rio Grande do Norte a transferir gado para Tocantins

Justiça autorizou transferência imediata de 800 cabeças de gado. Agricultor já perdeu 200 animais por conta da seca.

 


Fernanda Zauli Do G1 RN

Para evitar maiores prejuízos causados pela seca, o agricultor Clóvis Veloso Freire irá transferir 800 cabeças de gado que estão em sua fazenda no município de Bom Jesus, a 50 quilômetros de Natal, para uma propriedade localizada em Tocantis. A transferência imediata do rebanho foi autorizada pela Justiça Federal do Rio Grande do Norte.
O agricultor precisou recorrer à Justiça porque uma norma do Ministério da Agricultura define que os animais só poderiam ser transferidos após um período de 30 dias de análise sobre a contaminação da febre aftosa no local de origem. Tempo, segundo o agricultor, que poderia representar a perda de todo gado devido a seca.
"Já perdemos 200 cabeças de gado e se não tirarmos o rebanho daqui vamos perder mais ainda", disse Clóvis Veloso. .
O Juiz Federal Ivan Lira de Carvalho, titular da 5ª Vara Federal, levou em consideração “ a tragédia que se desenvolve no campo nordestino” e autorizou a transferência imediata do rebanho. Na decisão, o magistrado apresentou o questionamento sobre o que seria mais razoável: cumprir estritamente a norma do Ministério da Agricultura ou fazer uma modulação do regramento para permitir o transporte de bois minimizando os riscos de dizimado pela seca.
“Atendidos os prazos estatuídos no diploma sob ataque, é forte o risco de que o autor tenha todo o seu rebanho dizimado, de sede e de fome, pois as perspectivas de chuvas no Rio Grande do Norte, em 2013, transcenderam do campo da dificuldade para o da inexistência”, escreveu na decisão, citando uma declaração de um meteorologista da Empresa de Pesquisas Agropecuárias do Rio Grande do Norte sobre a perspectiva da chuva para o Estado potiguar.
O Juiz Federal observou ainda que a fazenda do referido agricultor foi inspecionada no dia 14 de fevereiro deste ano, por técnico do Instituto de Defesa e Inspeção Agropecuária do Rio Grande do Norte, onde foi comprovado que o rebanho ali alojado está “indene da aftosa”.
O magistrado autorizou o agricultor a transferir as 800 cabeças de gado da fazenda de Bom Jesus (RN) para uma propriedade em Piraquê (TO). No entanto, serão cumpridas algumas exigências: todo o gado será identificado com um adereço na orelha e a marca de ferro com as iniciais da fazenda, e os animais permanecerão isolados na fazenda de Tocantins, até decorrido o prazo de 30 dias da “quarentena” exigida pelo Ministério da Agricultura para analisar o rebanho sobre os riscos da febre aftosa.
Com a decisão, o magistrado transferiu a “quarentena” exigida pelo órgão de fiscalização da Agricultura do Estado de origem para o Estado de destino do rebanho. O rebanho que partirá do Rio Grande do Norte somente poderá ter contato com outros animais do local após decorrido o prazo. No caso de qualquer descumprimento das exigências feitas pelo Judiciário para a transferência, o autor da ação pagará multa de R$ 500 por cada cabeça de gado.

O SURGIMENTO DAS JANGADAS NO LITORAL NORDESTINO

Como a jangada chegou ao Brasil? Ou se ela já estava aqui, seria como parte da cultura dos povos indígenas?

A jangada vem para o Brasil como parte da rica troca havida entre a Índia, a África, a China e o Japão, sobretudo nos primeiros dois séculos da colonização, portuguesa. Incorpora ainda técnicas indígenas de corte de madeiras e extração das fibras de cordoamentos. Vem com as pessoas envolvidas nesse tráfico de outras pessoas, de bens, de animais, de plantas, de saberes - e, claro, especialmente o saber dos pescadores do Oceano Índico e das costas do Moçambique, que usavam barcos artesanais semelhantes às jangadas brasileiras - mas não iguais.

A palavra "jangada" trai essa origem asiática: vem de "changadam", palavra malaiala (língua dravídica da costa do Malabar, no estado indiano de Kerala) e, mais anteriormente, do sânscrito. Muito antes de ser uma embarcação típica de qualquer zona do Brasil, o termo sempre correspondeu a uma embarcação rudimentar feita com troncos de madeira.

Parece, aos olhos de hoje, que as jangadas somente surgem no trecho da costa do Nordeste que vai do Rio Grande do Norte ao Piauí por curiosas razões históricas, pois poderíamos ter jangadeiros em todo o litoral do Brasil, desde o início da Colônia brasileira.

Isso se deveu, sobretudo, à sistemática eliminação de todas as formas de navegar que não fossem controladas pela Coroa portuguesa, em eficiente vigor desde o século XVII, com o início da exploração das Minas Gerais (centro-sul do Brasil), para evitar o contrabando do ouro. Essa faixa do litoral nordeste brasileiro era despovoada e imprópria para portos dos barcos transatlânticos à vela, pois é varrida pela poderosa corrente oceânica da Guiana, que dificultava terrivelmente a chegada de barcos vindos da Europa.

Os primeiros jangadeiros lançaram seus barcos ao mar em meio ao abandono desses séculos de solidão e isolamento, ainda que fossem parte das diversas levas migrantes que povoaram o interior nordestino desde meados do século XVII, trazendo e cultivando o gado cuja carne alimentava os trabalhadores da mineração.

Com sua admirável capacidade de navegar contra o vento, e de usar a força do vento para sobrepujar a corrente oceânica, a jangada encontrou nesse trecho do litoral brasileiro uma situação ideal, até a chegada dos barcos motorizados, que viabilizam os (até hoje curiosamente poucos) portos surgidos desde o século XIX.

O conhecimento da construção dessa família de embarcações artesanais está em extinção: embora ainda haja colônias de pescadores remanescentes das primeiras comunidades que ocuparam o litoral brasileiro (sobretudo no litoral do Estado do Ceará e do Rio Grande do Norte), praticamente não se constrói mais a jangada tradicional, com troncos de madeira de flutuação, as jangadas de troncos. As atuais jangadas são feitas em pranchas de madeira industrializada ou utilizando instrumentos de corte mecanizado - as jangadas de tábuas.

Na foto, podemos observar a embarcação em um cartão-postal de Fortaleza dos anos de 1970.
 

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Fortaleza dos Reis Magos terá R$ 8 mi para reforma, diz Governo do RN


Anuncio foi feito nesta quarta-feira (17). Recursos são do PAC das Cidades Históricas.

Do G1 RN

Fortaleza dos Reis Magos, na praia do Forte, é berço da história de Natal (Foto: Canindé Soares)Fortaleza dos Reis Magos, na praia do Forte, é berço da história de Natal (Foto: Canindé Soares)
A ministra da Cultura, Marta Suplicy, liberou R$ 8 milhões para a reforma da Fortaleza dos Reis Magos, um dos principais cartões postais de Natal. O anuncio foi feito pelo Governo do Rio Grande do Norte na tarde desta quarta-feira (17). Segundo a governadora Rosalba Ciarlini, os recursos devem chegar até o mês de junho e são provenientes do PAC das Cidades Históricas - que visa restaurar museus e monumentos para a Copa do Mundo de 2014.
A governadora Rosalba Ciarlini disse também por meio da assessoria de imprensa, que a garantia da verba foi dada durante audiência realizada em Brasília na tarde desta quarta. Ainda segundo ela, ficou definido que a administração da fortaleza ficará a cargo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), presidido por Jurema Machado.
Nos próximos dias, a presidente do Iphan visitará Natal para verificar as dependências da Fortaleza dos Reis Magos e discutir o projeto da reforma.
A fortaleza
Contrastando com as belezas naturais, a Fortaleza dos Reis Magos é um dos mais visitados pontos turísticos de Natal. A edificação conta um pouco da história da capital e de todo o estado do Rio Grande do Norte. Construído para proteger Natal ainda na época de sua colonização, a fortificação fica na praia do Forte, zona Leste da cidade. Hoje, a fortaleza abriga um museu. A construção, que demorou 30 anos, foi concluída em 6 de janeiro de 1598, dia de Reis. A data é feriado municipal em Natal. E foi erguida sobre os arrecifes para garantir que o embasamento fosse sólido. Foram utilizados principalmente areia, óleo de baleia, bronze e grandes pedras de granito trazidos de Portugal.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Maria Boa: a primeira grande dama de Natal

Natal, década de 40 – A cidade fervilhava de militares americanos e brasileiros. Aviões, hidroaviões, Catalinas e Jeeps patrulhavam a vida dos natalenses.
Instalava-se na cidade a paraibana de Campina Grande, Maria de Oliveira Barros (24/06/1920 – 22/07/1997). Começava neste ínterim a história da mais conhecida casa de tolerância do estado (do país ou do mundo?).
Entre as movimentações na Ribeira, nas pedidas de Cuba Libre no saguão do Grande Hotel, nas notícias pelas Bocas de Ferro, na Marmita, em Getúlio e em Roosevelt e na nova geração de meio americanos e meio brasileiros, lá estava Maria Barros enaltecendo-se na Cidade do Natal como a proprietária do melhor (ou maior) cabaré.
Tornou-se conhecida como Maria Boa. Mesmo com pouco estudo ela despertou o gosto por música, cinema e leitura. O seu “estabelecimento” era o refúgio aos homens da cidade, com residência fixa ou, simplesmente, por passagem por Natal e servia de referência geográfica na cidade.
Jovens, militares e figurões acolhiam-se envoltos as carnes mornas das meninas de Maria Boa. Muitas mães de família tiveram que amargar, em silêncio, a presença de Maria Boa no imaginário de seus maridos em uma época de evidente repressão sexual.
Vários fatos envolveram a personagem. Um episódio muito comentado foi a pintura realizada pelos militares em um avião B-25. Um dos mais famosos aviões da 2a Guerra Mundial, os B-25 eram identificadas com cores características de cada Base Aérea. Os anéis de velocidade das máquinas voadoras da Base Aérea de Salvador eram pintados com a cor verde. Os aviões de Recife, com a cor vermelha, e os de Fortaleza, com a cor azul. Para a Base de Natal foi convencionada a cor amarela. Os responsáveis pela manutenção dos aviões em Natal imaginaram também que deviam ser pintados no nariz do avião, ao lado esquerdo da fuselagem junto ao número de matricula, desenhos artísticos de mulheres em trajes de praia. Autorizada pelo Parque de Aeronáutica de São Paulo, a idéia foi colocada em prática. Pouco tempo depois, os B-25 de Natal surgiram na pista com caricaturas femininas e alguns até com nomes de mulheres. Alguns militares da Base escolheram o B-25 (5079), cujo desenho se aproximava mais da imagem de Maria Barros. Outras aeronaves também receberam nomes como “Amigo da Onça” e “Nega Maluca”.
Quem custou a acreditar neste fato foi a própria Maria. Até que alguns tenentes decidiram levá-la até à linha de estacionamento dos B-25 logo após o jantar para não despertar a atenção dos curiosos. Ela constatou o fato. As lágrimas verteram de seus olhos quando viu à sua frente, pintada ao lado do número 5079, a inscrição “Maria Boa”.
O mito “Maria Boa” rendeu trabalhos acadêmicos o de Maria de Fátima de Souza, intitulado: “A época áurea de Maria Boa (Natal-RN 1999)”. O trabalho aborda o “fenômeno da prostituição infanto/juvenil, suas conseqüências e causas no desenvolvimento físico e psicossocial de crianças e adolescentes (…). Com o aprofundamento dos estudos percebemos o importante papel dos bordéis na prostituição, bem como o fechamento dos mesmos (…). Chegamos então ao cabaré de Maria Boa, já fechado. Tivemos, assim, a oportunidade de conhecer um pouco da saga da Sra. Maria de Oliveira Barros, uma profissional do sexo, com grande importância na história da prostituição de adultos, ou ainda, tradicional; das histórias contadas a seu respeito chamou-nos atenção para sua representação social, seu “mito” e sua ligação com o imaginário masculino. Com isso, passamos a averiguar mais profundamente uma participação na sociedade da época e buscamos reconstruir parte de sua história enquanto meretriz, cafetina, e proprietária da mais famosa casa de prostituição que o RN já conheceu.”
O Professor Márcio de Lima Dantas publicou2002 o texto “Retratos de silêncio de Maria Boa”. “(…) Para além da atitude ética de proteger sua família, o que faz parecer um jogo com a hipocrisia da sociedade, penso que, na atitude de se manter reservada, se inscreve outro aspecto digno de ser ressaltado. Falo do mito que entorna a personagem Maria Boa, de certa maneira, criada e ritualizada por ela mesma, dimensão de fantasia para além do empírico vivenciado. (…) Astuciosamente se fez conhecer por “Maria”, o antropônimo mais comum no universo feminino, genérico e pouco dado a divagações semióticas. Ironicamente é o nome da mãe de Jesus… Quem não tinha conhecimento no Estado de uma proprietária de um requintado lupanar, e que se chamava Maria, a Boa. O mito, da constituição do éter, era aspirado por todos, preenchendo necessidades, ocupando lugares no espírito, imprimindo fantasias nos adolescentes, despertando em jovens mulheres às aventuras da carne, engendrando adultérios imaginários.

Por José Correia Torres Neto - Publicado no Blog do Robson Pires

Mário de Andrade e o Nordeste

No final do ano de 1928, Mário de Andrade visitou o Rio Grande do Norte e levou o canto e encanto de Chico Antônio para o mundo. “Já estou no RN, pertencendo ao meu amigo Luís da Câmara Cascudo, e o prazer vai enfeitando o presepe. Mario fica encantado ao passar por Natal. Me deito depois desse primeiro dia de Natal. Estou que nem posso dormir de felicidade. Me entro na cama e o vento vem, bate em mim cantando feito coqueiro. Pois aqui chamam de “coqueiro” cantador de cocos. Não se trata de vegetal, não, se trata do homem mais cantador desse mundo: nordestino. O vento de Natal é mano dele ... Na noite de Natal, em Natal, Mario assiste a um pastoril de meninas e um Diana caçadora sem nenhuma Grécia. - a população se deslocou do Tirol e da Solidão, bairros vizinhos. Os bondes, os autos , as “dondocas” (ônibus) vêm cheios. Gente de branco, gente de encarnado, der azul, moças bonitas ... Junto das barracas do América e do A.B.C, clubes de futebol, a rapaziada faz um sarceiro gostoso, cantando cocos... “ Oh mulé, sai do sereno, / Que essa frieza faz mal ... ”.


O relato dessa viagem foi publicado em o Turista Aprendiz. Em Janeiro Mário conhece Chico Antônio, que para ele vale uma dúzia de Carusos. “ ai seu dotô / quando chegar em sua terra/ vá dizer que Chico Antonio/ É danado pra embolá!” Oh-li-li-ô! Boi Tungão / Boi do Maiorá ...´´. Estou divinizado por uma das comoções mais formidáveis da minha vida. Chico Antônio. cantava a noite inteira por uma cachaça, por coisa nenhuma e passa a noite inteira cantando sem parada. “Que artista. A voz dele é quente e de uma simpatia incomparável... “ Homem bonito e forte já estragado com seus 27 anos e muita cachaça. Mário desejou morar em Natal e encantou-se com as nossas belezas naturais e culturais. O Boi, os catimbós e as músicas de feitiçaria. Um missivista contumaz travou intensa e importante correspondência com Câmara Cascudo, organizada incialmente por Veríssimo de Melo.


Dez anos depois, Mario de Andrade trabalhava no Departamento Municipal de Cultura de São Paulo. Sob a gestão de Mário foi enviada uma equipe para coletar a música folclórica do Brasil. Essa viagem etnográfica foi pensada desde 1926 e tinha por objetivo colher informações do rico repositório etnográfico que é o nordeste brasileiro. Por questões políticas Mario foi afastado do Departamento de Cultura de SP, mas o projeto foi retomado pela grande pesquisadora Oneyda Alvarenga, que passou 30 anos organizando esse material coletado. O Xangô e outros cultos afros eram proibidos em vários estados. Mesmo assim eles conseguiram registrar cerimônia de Xangô, em Pernambuco, e macumba no Maranhão. Nessa missão foram recolhidos: Canto de Trabalho, músicas de rezar, cantar e dançar. Um rico material produzido e idealizado por esse grande brasileiro que sabia valorizar a nossa rica cultura. Não fosse essa missão muita coisa teria sido perdida. Felizmente parte desse material foi recuperado e lançado numa caixa de CDs para a posteridade. Ficamos conhecendo mais o Brasil e suas ricas manifestações culturais, graças a esse rico projeto que teve na pesquisadora Oneyda a sua materialização para a posteridade.


João da Mata.

O SAL NO RIO GRANDE DO NORTE



O sal foi um dos primeiros produtos a ser explorado comercialmente no Rio Grande do Norte. A exploração normal e extensiva das salinas de Mossoró, litoral de Areia Branca, Açu e Macau data de 1802. Mas o conhecimento de jazidas espontâneas na região já era conhecida desde o início da colonização.
A primeira referência que se tem sobre sal no Rio Grande do Norte, encontra-se registrado no documento que Jerônimo d’Albuquerque escreveu a seus filhos Antônio e Matias em 20 de agosto de 1605, onde fala de salinas formadas espontaneamente a aproximadamente 40 léguas ao norte, o que corresponde hoje as salinas de Macau. Desse fato, voltamos a ter notícias quando consultamos o “Alto de repartição das terras” feito em Natal em fevereiro de 1614, onde está escrito que Jerônimo de Albuquerque dera aos filhos Antônio e Matias, em 20 de agosto de 1605, umas salinas que estariam a quarenta léguas para o norte (aproximadamente 240 km), mas que nunca foram cultivadas nem feitas benfeitorias.
Salinas na década de 1920
Salinas na década de 1920
Em 1627, frei Vicente do Salvador registrou a colonização Norte-rio-grandense. Notou que “as salinas onde naturalmente se coalha o sal em tanta quantidade que se podem carregar grandes embarcações”.
Outro registro que encontramos nos velhos livros de história fala que em janeiro de 1644, alguns Tapuias, de volta do Outeiro da Cruz (Maranhão), onde tinham estado em combate, entraram nas salinas de Mossoró e degolaram alguns trabalhadores que ali se encontravam.
Em 1808 os salineiros da região foram beneficiados, quando o rei de Portugal, D. João VI, impossibilitado de receber carregamentos de sal de Portugal, assinou a carta régia que liberava de quaisquer imposições a extração do sal favorecendo, sobremaneira, o comércio interno.
Tradicional catavento para extração de sal na década de 1920
Tradicional catavento para extração de sal na década de 1920
Em 1844/45, setenta e oito barcos carregaram em Macau 59.895 alqueires de sal. No entanto, embora o sal extraído no Rio Grande do Norte fosse superior pela sua qualidade intrínseca, perdia essa qualidade pela rudeza como era produzido, de modo que nos anos seguintes perdia mercado para o sal europeu que era mais barato e melhor preparado. Um dos fatores que onerava o preço do sal produzido no Rio Grande do Norte era a dificuldade no transporte por causa do assoreamento das barras dos rios Mossoró e Açu.
Em 1886 é criado um imposto protecionista para tributar o sal estrangeiro. Dessa forma, o sal produzido no Rio Grande do Norte passa a ser competitivo, e isso impulsiona decisivamente o desenvolvimento da nossa indústria salineira.
No período de 1941/45, houve uma retração na extração do sal, motivada pela diminuição da navegação de cabotagem durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar disso, o sal continuou sendo o principal produto comercializado por Mossoró e região, sofrendo oscilações que não comprometeram o mercado de forma mais acentuada.
Os municípios do Rio Grande do Norte produtores de sal são os seguintes: Galinhos, Guamaré, Macau, Caraúbas, Areia Branca, Grossos e Mossoró.
Barco tradicional utilizado no transporte de sal
Barco tradicional utilizado no transporte de sal
Depois de toda essa explicação, o leitor poderia perguntar: como Mossoró está entre os municípios produtores de sal se não fica no litoral? Para responder a essa pergunta, temos que dá outras explicações: o clima predominante em Mossoró é semiárido quente, com temperatura oscilando entre 24o e 35o centígrados, temperatura essa que dura a maior parte do ano. O ar apresenta baixo teor de umidade, elevada evaporação, apresentando uma média de 2.850mm. As precipitações ocorrem ao redor de 450 mm anuais e a evaporação líquida é de 2.400, sendo que a intensidade de irradiação solar varia entre 120 e 320 horas/mês, com ventos que apresentam velocidade média entre 3,8 e 4,4 m/s. Junto a isso temos ainda um solo impermeável, o que assegura condições ideais para a cristalização e colheita do sal, com um grau de pureza que atin ge até 98 Baumé (Graus de Baumé é uma escala hidrométrica criada pelo farmacêutico francês Antoine Baumé em 1768 para medição de densidade de líquidos.).
Local de extração de sal
Local de extração de sal
E onde estão localizadas as salinas? Poderia perguntar ainda o atencioso leitor. As salinas de Mossoró estão localizadas na várzea estuarina dos rios Mossoró e do Carmo. Essa várzea é inundada, ora pelas águas do mar, ora pelas águas das enchentes dos rios, que quando cessam as chuvas formam salinas naturais, onde o relevo é plano e baixo, estreitando-se para o litoral, onde a água do mar chega a alcançar até 35 Km do litoral. Essa série de fenômenos naturais é que faz com que Mossoró possa figurar entre os municípios produtores de sal do Rio Grande do Norte.
Fotos – Coleção do proprietário do Blog Tok de História

RELÍQUIAS DO RN: Nível de lagoa baixa e pescador encontra canoas indígenas no RN.

Embarcações foram achadas na lagoa de Extremoz, na Grande Natal. Relíquias foram encontradas pelo pescador Pedro Luiz, de 70 anos.

CANOAS INDÍGENAS FORAM ENCONTRADAS NA LAGOA DO EXTREMOZ (FOTO: CANINDÉ SANTOS)
O BAIXO NÍVEL DA LAGOA DE EXTREMOZ, NA GRANDE NATAL, AJUDOU A REVELAR RELÍQUIAS QUE RESGATAM A HISTÓRIA: SÃO TRÊS CANOAS INDÍGENAS, UMA DELAS AINDA PRESA A UMA CORRENTE. A MAIOR MEDE MAIS DE DOIS METROS DE COMPRIMENTO, SEGUNDO O PESCADOR PEDRO LUIZ DA SILVA,DE 70 ANOS, QUE ENCONTROU AS EMBARCAÇÕES NO FUNDO DA LAGOA.

"EU ENCONTREI DURANTE UMA PESCARIA. MARQUEI O LOCAL E DEPOIS VOLTAMOS PARA PEGAR", CONTOU O PESCADOR PEDRO LUIZ DA SILVA.

O PESCADOR TEM UM DOCUMENTO PARA COMPROVAR QUE JÁ ENCONTROU MUITAS PARTES DA HISTÓRIA POTIGUAR EM BAIXO D´ÁGUA. ELE SE ORGULHA DE TER DESCOBERTO OUTRAS CANOAS E ATÉ IMAGENS DE SANTOS. "EU ACHO ISSO MUITO IMPORTANTE PARA A NOSSA HISTÓRIA. AJUDA A CONTAR NOSSO COMEÇO. MAS ACHO QUE SERIA MELHOR SE AS RELÍQUIAS TIVESSEM TODAS GUARDADINHAS AQUI", DEFENDEU PEDRO.
PESCADOR ENCONTROU CANOAS E OUTROS OBJETOS ANTIGOS 
(FOTO: CANINDÉ  SANTOS)
PEDRO GARANTE QUE OUTRA CANOA INDÍGENA AINDA ESTÁ SUBMERSA NA LAGOA DE EXTREMOZ. AS QUE FORAM RETIRADAS DA REGIÃO IRÃO PASSAR POR ANÁLISES NO INSTITUTO DO PATRIMÔNIO HISTÓRICO E ARTÍSTICO NACIONAL (IPHAN). O OBJETIVO É DESCOBRIR A IDADE DAS EMBARCAÇÕES, QUE APARENTAM SER DO SÉCULO XVI, QUANDO HÁ REGISTRO DA PRESENÇA DE JESUÍTAS PARA CATEQUIZAR OS ÍNDIOS TUPIS E PAIACUS QUE HABITAVAM A REGIÃO, CONHECIDA ANTIGAMENTE POR ALDEIA GUAJIRU, SEGUNDO OS REGISTROS HISTÓRICOS.

O FOTÓGRAFO CANINDÉ SANTOS REGISTROU TODAS AS DESCOBERTAS QUE FICARAM DURANTE SÉCULOS ESCONDIDAS PELAS ÁGUAS. PARA CANINDÉ, É UMA FORMA DE MANTER VIVA A MEMÓRIA DA CIDADE. "ISSO É IMPORTANTE PARA CONSCIENTIZAR AS PESSOAS SOBRE A HISTÓRIA DE EXTREMOZ DESDE A ÉPOCA DOS ÍNDIOS. E TAMBÉM SOBRE AS BATALHAS COM PORTUGUESES E HOLANDESES QUE AQUI ESTIVERAM", DESTACOU CANINDÉ SANTOS.
 

FONTE: G1 RN

20 ANOS DO MARTÍRIO DE IRMÃ LINDALVA JUSTO DE OLIVEIRA

 
Primeiros Passos.

A criança Lindalva nasceu na comunidade de Malhada de Areias à margem da Lagoa do Piató. Bem próximo à casinha de seus pais, João Justo da Fé e Maria Lúcia da Fé estavam os exuberantes e seculares Baobás.

Malhada de Areias é sem dúvidas um lugar especial, ímpar, bonito por natureza... Tinha que ser verdadeiramente abençoado por Deus. Por isso, no dia 20 de outubro de 1953, uma sexta-feira, dona Maria Lúcia deu a luz a uma criança de parto natural realizado por uma parteira, sem nenhuma assistência médica, na simplicidade do seu lar. Um dos familiares deu o nome de Lindalva. Talvez porque tenha avistado naquele improvisado berço uma menina diferente, linda e alva... Teria que se chamar LINDALVA.

Lindalva deu os primeiros passos... Cresceu desfrutando da comunhão e da irmandade de seus familiares tendo contato diário com a exuberante natureza. Malhada de Areias foi, sem dúvidas, a base para que a jovem Lindalva enfrentasse o mundo com boa índole, se doando em prol do bem comum, obediente aos ensinamentos cristãos, respeitando a natureza e seus semelhantes.

Votos

Certamente a sua maneira de ser a diferenciava de muitas outras jovens. Lindalva estudou, trabalhou e ao descobrir sua vocação religiosa ingressou no noviciado e no dia 26 de janeiro de 1991 vestiu, orgulhosamente, o hábito azul de Filha da Caridade.

Tudo era maravilhoso, mágico... Sua felicidade em servir a congregação era esplêndida. Estava realizada com seus votos de obediência, pobreza e castidade.

O Martírio

Na sexta feira da paixão, do ano de 1993, Irmã Lindalva foi barbaramente assassinada com dezenas de facadas desferidas por Augusto – um interno do abrigo Dom Pedro II (Salvador/BA) quando ela servia o café da manhã aos internos.

A Beatificação

A comunidade católica comparou a morte de Irmã Lindalva a de Cristo – Os médicos legistas contaram 44 facadas no corpo de Lindalva. Na Sexta-Feira Santa, Cristo morreu na cruz, Lindalva morreu na sua enfermaria. Cristo levou 39 açoites, e com as 5 chagas, dos pés, mãos, ao todo 44, unia simbolicamente a morte de Lindalva à sua paixão, que um pouco antes ela acabara de celebrar na Via-Sacra.

Irma Lindalva Justo de Oliveira – A Mártir da Fé - foi beatificada em 02 de dezembro de 2007. Este ato representa um marco religioso para o Assu, para o Rio Grande do Norte, para o Brasil e para o mundo Cristão.

Santuário

A comunidade religiosa precisa unir forças, encampar uma jornada para construir no município do Assu, em Malhada de Areias, local onde a nossa mártir nasceu, uma basílica e/ou santuário onde os devotos possam depositar sua fé na Bem Aventurada Lindalva que na vida terrena demonstrou permanente alegria e devotamento afirmando sempre: “O coração é meu e pode sofrer, mas o semblante é do outro, deve ser sorridente”.

Assuenses, não foi à toa que Irmã Lindalva nasceu em Assu – Terra privilegiada, de solo fértil, berço de inúmeros imortais, considerado pelos poetas românticos como: “Um pedaço de céu dentro do mundo”.

Vulpiano Cavalcânti: Um brasileiro


| Luciano Capistrano –  luciano.capistrano@natal.rn.gov.br | Historiador/SEMURB – Professor/Escola Estadual Myriam Coeli
http://2.bp.blogspot.com/-skbHOyTWALU/Tt07hgx0fZI/AAAAAAAALqc/AqhBQnPibmc/s1600/rn_medico_vulpiano_cavalcanti.jpgNascido em Fortaleza, no dia 15 de março de 1911, em março completou 102 anos do seu nascimento. Seu nome: Vulpiano Cavalcânti de raújo.Homem de ideal socialista, formou-se em medicina no Rio de Janeiro, logo volta ao eará, atua como médico na cidade de Redenção. Naquele município começa sua atuação profissional, desde cedo dedicada ao atendimento de todas e todos, sem discriminação, marca de um profissional humanista, formado na base solidária. Naquela época, já militante do Partido Comunista, enfrentou os velhos coronéis, denunciando a situação de exploração vivida pelo povo cearense, fruto da desigualdade social, uma sociedade marcada pela grande concentração de terras. O médico humanista vivencia as agruras do homem do campo nordestino. Militante defensor de um mundo mais justo, pautou sua vida profissional na luta intransigente pelo direito de todos a uma saúde gratuita e de qualidade. Seus embates políticos no Ceará, o fará procurar outros lugares. Encontra então, a cidade de Mossoró, chega a cem terras Potiguares a convite do ex prefeito Duarte Filho.
Na capital do oeste potiguar Vulpiano Cavalcânti participa com Evaristo Nogueira, Joel Paulista, Antônio Tenório, Jonas Reginaldo Fernandes, Manoel Torquato, Chico Guilherme, José Moreira e Lourival Góis. Companheiros de ideais, atuam na organização do Partido Comunista, mesmo na clandestinidade. Na terra de Santa Luzia sofreu sua primeira prisão no Rio Grande do Norte. Preso, foi transferido para Natal em um avião, durante toda a viagem sofreu diversas ameaças. Seu crime: atender bem seus pacientes. Médico-cirurgião, foi responsável por diversos casos bem-sucedidos registrados nos anais da medicina norte-riograndense.
Meu caro leitor, falar de Dr. Vulpiano é fazer uma referência ao médico, ao homem, ao militante social, aquele que não aceitou como natural as injustiças praticadas contra as camadas sofridas do povo brasileiro. Em Memória Viva, Dr. Vulpiano relata um dos atos mais deploráveis praticados nas dependências de uma unidade militar. A Base Aérea de Natal, símbolo de combate as forças nazifascistas,  Natal cidade Trampolim da Vitória, teve sua história manchada pela dor e o sofrimento de um homem do bem. O Dr. Vulpiano Cavalcânti, em seu relato ao jornalista Carlos Lyra, denuncia uma corja de covardes transvestidos de oficiais da aeronáutica.
Vejamos alguns trechos:
“Despido, fui espancado por eles a socos, pontapés e cassetetes de borracha. Tudo isso na presença do cel. Ferraz Koller, comandante da base. Foi a prisão mais dolorosa, mais torturada que passei”.
“Depois desse introito, fui jogado numa cela de quatro palmos de largura por sete palmos de altura, fechada a chapa de ferro [...] A maior ventilação que recebia era deitado, porque embaixo tinha algum ar nessa porta [...] Nessa prisão eu respirava, também, pelo teto, por um pequeno buraco, que servia para o tenente Câmara urinar, acertando sempre na minha face. Urina e fezes”.
É meu caro amigo leitor, estamos nos referindo a década de 1950, volto a repetir, em uma unidade militar nascida do esforço de guerra contra o autoritarismo. Natal conhecida por sua tradição na aviação aérea, tem infelizmente, a marca da insensatez praticada em nome de um poder que falava em liberdade do outro lado do Atlântico, enquanto  do lado de cá dos trópicos muitos eram torturados nos cárceres da Base Aérea de Natal.
A sociedade Potiguar, a sociedade Brasileira, tem o direito à verdade. Esperemos que saiam das trevas as violações dos Direitos Humanos praticados por aqueles que deveriam defender as garantias constitucionais dos cidadãos brasileiros.
Que a Comissão da Verdade resgate a história de Dr. Vulpiano: um brasileiro.


Fonte do Texto: http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/vulpiano-cavalc-nti-um-brasileiro
Fonte da Imagem: 

PAC – CIDADES HISTÓRICAS: um caminho!


Luciano Capistrano –  luciano.capistrano@natal.rn.gov.br
Historiador/SEMURB – Professor/Escola Estadual Myriam Coeli
 http://1.bp.blogspot.com/-ktaO2vxA1Ec/T9TjRHty8eI/AAAAAAAABQY/z2KJR8H0wuI/s1600/natal_rn11.jpg            A inclusão de Natal entre as cidades aptas ao financiamento do Programa PAC – Cidades Históricas, aponta um novo tempo,  quanto a preservação de nosso Patrimônio Cultural. Primeiro destacamos a articulação, muito positiva, de diversos órgãos: SEMURB, IPHAN, UFRN, SECTUR.
            Em pouco mais de um mês, esses órgãos capitaneados pela Prefeitura Municipal do Natal, com o envolvimento do prefeito Carlos Eduardo Alves, apresentaram um conjunto de projetos de intervenção no perímetro histórico, delimitado pelo IPHAN. Projetos que uma vez aprovados, valorizaram nosso Patrimônio, hoje, muitos deles ameaçados pelo tempo e por uma visão economicista contraria a Preservação do Centro Histórico.
            Natal, Cidade do Sol, vem ao longo do tempo se  transformado num dos grandes destinos turístico, atraindo visitantes estrangeiros e de outras regiões do Brasil. Esta vocação alicerçada, principalmente, no binômio praia e sol, floresceu com a construção da Via Costeira e o fortalecimento de uma considerável rede hoteleira. Claro, amigo leitor, fomos presenteados por belos cartões postais, cito apenas alguns: Morro do Careca, Parque das Dunas, nossas praias urbanas, enfim, a natureza foi generosa com o solo da capital Potiguar.
            A aprovação dessas ações tem um grande significado, pois Natal desde 2012 tem seu Centro Histórico reconhecido pelo IPHAN, faz  importante, então, dar visibilidade a uma Natal “escondida”, para alguns, num conjunto arquitetônico/cultural, construído ao longo do tempo, por isso testemunha da evolução urbana da cidade de Câmara Cascudo. Avancemos na construção de uma atividade turística, agregando, os “Lugares de Memória” ao já consolidado, “turismo de praia”.
            Esta construção de uma nova mentalidade de política turística, não acontece de forma fácil, sem visões contrarias. É fundamental desenvolver políticas de Educação Patrimonial voltadas para a população em geral e para os operadores do turismo. Neste item da EDUCAÇÃO PATRIMONIAL, ressalta-se algumas ações desenvolvidas no âmbito da Prefeitura Municipal do Natal, através da SEMURB, são: O Circuito Histórico Cidade Alta/Ribeira e Alecrim, bairros Históricos, elaboração de Cartilhas, Livros e a organização de um Portal, dedicados a essa temática, ação que consistem na valorização do Patrimônio Histórico. Aproveitemos a realização da Copa do Mundo, utilizando o jargão do “legado da copa”, para fazer de Natal não apenas um roteiro de sol e mar, e, sim um roteiro de Sol, mar e Patrimônio Cultural.
                        A cidade de Djalma Maranhão -, o grande prefeito dos folguedos populares, possui um rico Patrimônio Cultural, seus becos e travessas, suas edificações centenárias, suas comidas típicas, suas danças, sua gente - , pulsa raízes dos diversos povos formadores do seu povo. Aqui encontramos sinais da presença europeia, africana e indígena. Valorizemos nossas tradições.
            O PAC – Cidades Históricas aponta um rumo, nos dar um norte, demonstrar ser possível desenvolver a cidade, gerar emprego e renda, sem descaracterizar o Centro Histórico. Resultado positivo, do PAC – CIDADES HISTÓRICAS, já materializou quando se intensifica o diálogo entre  o IPHAN, a Prefeitura, o Governo Estadual e a UFRN, sobre a construção de uma política de Preservação do Patrimônio Cultural da terra de Xarias e Canguleiros.

Fonte do texto: http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/pac-cidades-hist-ricas-um-caminho
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Documentos de Margaret Thatcher revelam divergências sobre Malvinas


Anotações pessoais da ex-primeira ministra mostram as diferenças dentro do partido conservador sobre como reagir ao ataque argentino em 82
Documentos particulares da ex-primeira ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher, divulgados nesta quinta-feira revelam as divergências que surgiram no partido conservador britânico após a incursão argentina nas ilhas Malvinas em 1982. Uma série de notas preparadas por Thatcher durante os dias posteriores à ocupação mostra como os "tories", que em público mostraram uma imagem de unidade, discutiram entre eles qual era o melhor caminho a seguir.
Thatcher ao lado do ex-presidente americano Ronald Reagan em 1982 Foto: AP
O Arquivo Margaret Thatcher decidiu publicar hoje manuscritos e fichários que conserva sobre um ano-chave na carreira política da Dama de Ferro. Neles é possível perceber como o então jovem secretário de Estado, Ken Clarke, defendia "explodir alguns navios, mas nada mais", enquanto o deputado Peter Mills advertia que os constituintes não aceitariam respostas mornas: "querem sangue", disse.
Além de Clarke, outros cinco parlamentares conservadores advertiam à primeira-ministra nesse mesmo sentido e se mostravam partidários de "manter a calma". Uma nota similar descreve no dia seguinte a posição do "tory" Stephen Dorrel: "só daremos apoio à frota como uma tática de negociação. Se não negociam, deveríamos nos retirar". Em outra anotação da então primeira-ministra, se lê sobre o deputado Keith Stainton: "tem intenção de atacar o governo. Sua mulher tem grandes interesses nas Malvinas".
O conflito bélico pela soberania das Malvinas começou no dia 2 de abril de 1982, quando o então general Leopoldo Galtieri, presidente da Junta Militar argentina, ordenou a ocupação das ilhas, reivindicadas por Buenos Aires desde 1833. No dia seguinte, o Reino Unido começou a enviar seus militares ao arquipélago até reunir 27 mil soldados, que no dia 1º de maio iniciaram os combates. A guerra, que causou a morte de 649 militares argentinos, 255 britânicos e três ilhéus, terminou no dia 14 de junho de 1982 com a rendição argentina.
Os papéis de Thatcher refletem o "caos" no qual mergulhou o partido no governo britânico após a incursão argentina, segundo descreveu Chris Collins, historiador do Arquivo Margaret Thatcher. "Durante os primeiros dias do conflito houve uma grande confusão e dúvidas sobre como comportar-se, embora, certamente, o partido devia mostrar-se unido na medida do possível", apontou Collins.
O historiador britânico Charles Moore, biógrafo autorizado de Thatcher, assinalou que esses escritos privados são "um recurso fantástico para todos aqueles interessados em sua carreira como primeira-ministra e na história política recente do país".
Fonte: Terra