quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Câmara anula cassação de Djalma Maranhão na Ditadura Militar

Djalma Maranhão e vice-prefeito foram

cassados em 3 de abril de 1964.

A Câmara Municipal de Natal aprovou na última quinta-feira (20) o projeto de resolução nº 20/13 que reconhece como atos antidemocráticos e injustos a decretação do impeachment e a cassação dos mandatos e direitos políticos do Prefeito e Vice-Prefeito de Natal, Djalma Maranhão e Luís Gonzaga dos Santos na década de 1960. A iniciativa anulou a decisão da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Natal ocorrida no dia 3 de abril de 1964 devolvendo (in memoriam) aos mesmos, os mandatos cassados durante o período da ditadura militar no Brasil. De autoria do vereador George Câmara (PCdoB), a resolução foi aprovada por unanimidade pelos 29 vereadores da Casa.
A votação que cassou os mandatos de Djalma Maranhão e Luís Gonzaga completa 50 anos em 2014. "Os 21 vereadores que faziam parte da legislatura que cassou o prefeito e seu vice fizeram um documento na época afirmando que não havia ocorrido pressão pela aprovação do impeachment, quando todos sabiam da pressão e influência dos militares. Foi uma grande mentira, uma farsa montada", explicou George Câmara.
 
Ainda de acordo com o vereador, a iniciativa repudia a decisão tomada por aqueles vereadores quando aprovaram o decreto que acatava os argumentos do Exército Brasileiro: que o Prefeito e o Vice-Prefeito de Natal, sendo comunistas, estavam impedidos de exercer seus mandatos. “Como forma de corrigir essa injustiça histórica, os nomes de Djalma Maranhão e Luís Gonzaga dos Santos, eleitos democraticamente, serão inscritos nos anais da Câmara Municipal, bem como, na sede da Prefeitura, como dignos representantes dos cidadãos natalenses”, coloca George.
 
O projeto também foi elaborado em data simbólica, 13 de dezembro de 2013, data que marcou os 45 anos da instituição do AI-5, como ficou conhecido o ato institucional do Governo Costa e Silva que reforçou a Ditadura Militar no Brasil.
 
A proposta prevê ainda que no próximo dia 3 de abril de 2014 - data em que se completam 50 (cinquenta) anos da decretação do impeachment e da cassação dos mandatos – seja realizada uma Sessão Solene na Câmara Municipal de Natal para a devolução, de forma simbólica, dos mandatos conquistados de forma democrática com o voto do povo.
 
A solenidade contará com a entrega de certificados de diplomação às famílias e com a inauguração de uma placa com os nomes do Prefeito Djalma Maranhão e de seu Vice, Luís Gonzaga dos Santos, reparando a violência cometida contra a democracia naquela época.
 
De Pé no Chão, Também se Aprende a Ler
 
Professor de Educação Física e jornalista, Djalma Maranhão militou no Partido Comunista até a década de 1940 e também integrou o Partido Trabalhista Nacional (PTN) e o Partido Socialista Brasileiro (PSB). Foi eleito deputado estadual e depois chegou ao cargo de prefeito de Natal em duas ocasiões. Uma delas nomeado pelo então governador Dinarte Mariz e em 1960 por eleição.
 
O governo de Djalma ficou conhecido pela campanha "De Pé no Chão, Também se Aprende a Ler", política educacional para alfabetizar crianças em Natal. Equipes de professores visitavam os bairros de periferia para realizar o trabalho.
Em 1964, com o golpe que colocou os militares no poder, o prefeito foi cassado e preso. Djalma Maranhão ficou custodiado em Natal, e posteriormente em Fernando de Noronha e Recife. No mesmo ano, o professor e jornalista pediu exílio político e foi morar em Montevidéu, no Uruguai, onde faleceu em 1971 por insuficiência cardíaca aos 56 anos.

FONTE: Boletim eletrônico da cidadania

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Celebrando Chico Antônio

 
Francisco Antônio Moreira, embolador, coqueiro, cantador, nasceu na Corte, lugarejo do município de Pedro Velho, sudeste do Rio Grande do Norte, na fronteira com a Paraíba no começo do século. Há controvérsias quanto a sua real idade. Na certidão de casamento, consta o ano de 1904 e numa carteira de trabalho, tirada no Rio de Janeiro, consta o ano de 1908. Assim como os pais, sempre trabalhou na roça e, embora tenha frequentado seis anos de escola, acabou não se alfabetizando. Começou a cantar com cerca de 12 anos.
Foi descoberto em 1929, pelo pesquisador e escritor Mário de Andrade que o transportou para os livros. Em 1979, foi redescoberto pelo poeta e folclorista Deífilo Gurgel. Gravou um disco em 1982 pela Funarte/UFRN/FJA. Cantava os seus cocos acompanhando de um ganzá e de seu companheiro de dupla Paulírio. O seu mais famoso trabalho foi o coco "Boi Tungão".

O URÂNIO DE ACARI "TINGUIJOU" HIROSHIMA E NAGASAKI ?

“– Só c’a peste dum minero
do Xiquexique, (62)  fizéro
Japão conhecê tingui. (63)
– Diz que só um pedacinho
do droga do metazinho,
tinguijou sessenta mi...”

62  Mina Xiquexique, em Acari/RN. Nota de OM, retro, dando conta da
presença de urânio no RN.

63 Tingui. Ou timbó. O termo timbó pode ser a designação comum a várias
plantas das famílias das leguminosas e das sapindáceas, geralmente as com
casca e/ou raízes que possuem uma seiva tóxica, e que por isso são utilizadas
para tinguijar (regionalismo usado no Norte e Nordeste para o ato
de envenenar peixes jogando timbó ou tingui na água). (In "Sertão de Espinho e de Flor" ´OTHONIEL MENEZES - Obra Reunida"
- Editora UNA, Natal, 2011)

"Em importantíssima reportagem de José Pires, publicada na edição de 18 de setembro de 1949, do Diário de Natal, sob o título e subtítulos de

“Urânio potiguar levou o Japão à derrota –, não só Parnamirim ajudou a ganhar a guerra – Contribuição do Estado à indústria bélica – Riquezas minerais incalculáveis em Acari e Parelhas – Surpreendente revelação de um garimpeiro profissional”

Minério do urânio
 – aparece o minerador, simples “curioso”, de boa vontade, inteligente, ufanista convicto, o Sr. Amaro Alves dos Santos, residente à rua dos Paianazes, 1.394, nesta capital, e profundo conhecedor das nossas serras, que examinou a palmo, tendo estado em contato constante com a BEW (Bureau of Economic Warfare), durante a última guerra. Assim se refere o repórter, nesse artigo, ao urânio no Rio Grande do Norte:

                “Análises feitas nos Estados Unidos – Dias depois, Amaro Alves dos Santos entregava ao Haroldo Sims, então cônsul dos Estados Unidos, em Natal, retirada da mina Xiquexique (município do Acari), certa quantidade de minério que muito se assemelhava à tantalita.

                Solicitava ao representante consular (172) que lhe fizesse o favor de mandar examinar o material, nos laboratórios americanos. O resultado da análise feita nos Estados Unidos veio três meses depois.

                Na amostra enviada, havia sido encontrado urânio de alto teor. Na mina Xiquexique, o veio de urânio, segundo Amaro Alves dos Santos, tem uma extensão de seis quilômetros, por mais de um quilômetro de largura, de espessura desconhecida, até atingir uma serra, atravessando a esta e se prolongando pelo território paraibano adentro.

                Diz ainda Amaro Alves ter ouvido, da BBC de Londres, a informação de que, até então, se estimava em 70 quilogramas a quantidade de urânio do Brasil enviada aos Estados Unidos.”

NOTAS (Laélio Ferreira):
172  Harold Sims. No Brasil, desde 1938, como vice-cônsul em Pernambuco. Chegou a Natal em 1943, como Cônsul. Andou pela China e Cuba, posteriormente. Sem sombra de dúvida, pertencia ao serviço de inteligência dos EUA.

Nessa época, em Natal, discretamente, mesmo antes da chegada formal do Cônsul Sims à Capital do Estado, agia por cá, como agente reservado, o Pastor batista "Doutor Matheus". Diziam-no "Coronel da Força Aérea americana". O fato é que esse religioso era, sabidamente, o encarregado de entrevistar os candidatos nativos ao preenchimento de cargos burocráticos na Base de Parnamirim. O próprio Othoniel Menezes- que lá trabalhou muitos  anos - foi por ele sabatinado para o emprego.

Por outro lado, no Grande Ponto, falava-se muito nas amerissagens e decolagens de Catalinas (aviões anfíbios) na então discreta e distante Lagoa do Bonfim. Subiam carregados de "areia monazítica". Era esse o termo empregado - um engodo dos "galegos" para o mineral do Seridó? O principal produto da areia monazítica, inexistente no RN, é o urânio físsil, a partir do tório, e houve, também, soube-se muito depois da Guerra, o interesse dos americanos, em 1945, de exportá-lo de jazidas dos litorais do Espirito Santo, São Paulo e Piauí.


Relativamente ao urânio do Rio Grande do Norte, sabe-se hoje, por exemplo, que o Município de Ouro Branco, na mesma região a que pertence Acari, é uma das cidades com maior índice de cânceres do Estado, segundo os especialistas, por se encontrar na grande reserva de urânio da região (Espinheiras - v. mapa, acima). Alguns técnicos apontam a contaminação radioativa da água servida à população da cidade. 

O Poder Público, ao que parece, até hoje, não cuidou, ainda, do assunto...
 
FONTE: http://mediocridade-plural.blogspot.com.br/2011/09/o-uranio-de-acari-tinguijou-hiroshima-e.html