sábado, 16 de março de 2013

Os engenhos de farinha no século XVII


À diferença de outras mercadorias que circulavam tanto no Atlântico (os tecidos, o açúcar e as especiarias) quanto na própria colônia (as carnes, o sal) a farinha não era considerada um produto comercial e sim um mantimento.41 A palavra mantimento é usada, por exemplo, por Andreoni no título do capítulo 1 do livro II: "Da escolha da terra para plantar canas-de-açúcar e para os mantimentos necessários e provimento do engenho". Andreoni mostra ainda, como foi indicado acima, a constante combinação no plantio dos dois produtos no interior dos engenhos de açúcar. Este mantimento acompanhou e alimentou a expansão marítima portuguesa do Atlântico ao Oriente e a vida no Brasil nos primeiros séculos da ocupação colonial. 42
A produção regular de farinha começou com os jesuítas, quando estes construíram os primeiros aldeamentos para descimento de índios, descritos por Serafim Leite.43 A nova política, que substituía os missionários volantes por missões sedentárias se fazia de acordo com certas regras como situar os aldeamentos a uma pequena distância das povoações coloniais para lhes servir de apoio quando necessário; dar prioridade a áreas litorâneas próximas a mangues e embocaduras de rios de modo a proteger o litoral contra ataques estrangeiros; treinar militarmente os índios para juntarem-se às tropas de guerra armadas contra inimigos internos (índios bravos) e externos (a pirataria das nações européias). Instituída desde a criação do governo geral em 1548, essa política tomou vulto no governo do Mem de Sá (1557-1572), que sustentou o avanço do projeto catequista inaciano. Muito rapidamente seu consumo se generalizou mesmo nos engenhos reais e nas casas ricas.
Vários exemplos reforçam o caráter alimentar da farinha. Schwartz menciona o caso da Fazenda Saubara, localizada na região de agricultura de mandioca do Recôncavo Baiano. Note-se aqui o uso da palavra "fazenda" e não "engenho" para designar essa extensa e rica propriedade. A fazenda era propriedade da Santa Casa de Misericórdia, fornecendo farinha e outros produtos para o hospital, para outras instituições e para venda.44 Como mostra Stuart Schwartz a produção de farinha das vilas de Camamu, Cairú e Boipeba atendia à demanda da cidade de Salvador, dos engenhos de açúcar do recôncavo, das frotas que partiam para as Índias e África, das tropas e comboios que iam sertão adentro. Descrevendo a situação dos engenhos da Bahia o autor afirma que "o alimento básico da escravaria, bem como para os homens livres no Brasil, era a farinha de mandioca." Segundo ele, nos primeiros anos do século XVII, o crescimento dos engenhos e o uso intensivo dos escravos nas plantações de cana levaram a uma escassez de gêneros alimentícios e espalhou a fome entre os escravos que "comiam tudo que lhes caísse nas mãos", inclusive os ratos dos canaviais, levando a Coroa a perceber a necessidade do plantio combinado de gêneros alimentícios. Em 1688 a legislação régia obrigou os produtores de açúcar do recôncavo baiano a plantar mandioca.45
Em artigo sobre o crédito e a circulação monetária na capitania do Rio de Janeiro, Jucá de Sampaio argumenta sobre a escassez de moeda metálica no Rio de Janeiro, na segunda metade do século XVII, fazendo surgir "moedas substitutas", ou seja, produtos de grande circulação que, na falta de dinheiro, entravam no circuito comercial no lugar do dinheiro sonante. Segundo ele, o açúcar, os tecidos - e em menor escala a farinha e a cachaça - foram utilizados como moedas substitutas no comércio atlântico.46
A leitura de textos de época, assim como toda a documentação coeva, já dá mostras da importância da farinha como produto básico do consumo colonial. Nos Diálogos das grandezas do Brasil a farinha foi tema de destaque, embora este fato não tenha a melhor análise por parte dos historiadores. Seu autor, Ambrósio Fernandes Brandão, foi feitor do rico cristão-novo Bento Dias de Santiago, portanto um conhecedor dos engenhos de açúcar da Bahia.47 Os Diálogos foram editados por Capistrano de Abreu, que em sua Introdução lista os produtos mencionados nos diálogos terceiro e quarto: não faz menção à farinha, citando a mandioca como produto de consumo não comercializado, "a farinha se fazia diariamente, à maneira do pão".48 Já em seu livro sobre Portugal e o Atlântico no século XVII, Frédéric Mauro cita fartamente os Diálogos, observando que Brandônio (um dos interlocutores) afirmava ser a farinha o principal produto colonial. Apesar da constatação, tampouco o historiador francês avançou no estudo da produção e circulação da farinha, se concentrando no açúcar e no tabaco.49
Outro fator que dificulta a compreensão da importância da farinha na vida colonial diz respeito à terminologia a ela associada, fonte de equívocos, para a qual mais uma vez Brandônio nos traz pistas. Em primeiro lugar os Diálogos fornecem uma lista dos produtos que podem ser feitos com a mandioca e o modo de prepará-los. Esclarece ainda que existe uma variedade de farinhas feitas à base de mandioca, entre elas a farinha da terra (ou de pau), a farinha de guerra (a mesma farinha de pau mais seca, usada nas viagens por ser mais durável), e por fim a farinha puba (feita da macaxeira e própria para a feitura de beijus, tipo de biscoito também mais durável que a bolacha de farinha de trigo). Sobre a importância da farinha Brandônio informa:
Os mantimentos, de que se sustentam os moradores do Brasil, brancos, índios e escravos de Guiné, são diversos, uns sumamente bons, e outros não tanto; dos quais os principais e melhores são três, e destes ocupa o primeiro lugar a mandioca, que é a raiz de um pau, que se planta de estaca, o qual, em tempo de um ano, está em perfeição de se poder comer, e, por este mantimento se fazer de raiz de pau, lhe chamam em Portugal farinha de pau.50
Já no final do diálogo primeiro, ao descrever a capitania do Rio de Janeiro, Brandônio diz:
Também neste Rio de Janeiro tomam porto as naus que navegam do Reino de Angola, onde carregam de farinha da terra, de que abunda toda esta capitania em grande quantidade e dali a levam para Angola, onde se vende por subido preço.51
Assim é que a farinha - chamada "de pau" em Portugal e "da terra" no Brasil - era produzida de norte a sul, no litoral e ao longo das estradas abertas pelo sertão adentro, e ainda era mandada para Angola, por "subido preço".52
Outro que nos fala da farinha é Gabriel Soares de Souza, que chegou ao Brasil em 1569. Senhor de engenho na Bahia, é o autor do Tratado descritivo do Brasil (1587), valioso testemunho do Brasil no século XVI. Segundo ele, a expressão "farinha-de-guerra" vem pelo costume dos índios:
Farinha-de-guerra se diz, porque o gentio do Brasil costuma chamar-lhe assim pela sua língua, porque quando determinam de a ir fazer a seus contrários algumas jornadas fora de sua casa, se provem desta farinha, que levam às costas ensacada em uns fardos de folhas que para isso fazem, da feição de uns de couro, em que da Índia trazem especiaria e arroz; mas são muito mais pequenos, onde levam esta farinha muito calcada e enfolhada, de maneira que, ainda que lhe caia num rio, e que lhe chova em cima, não se molha.53
O já mencionado Francisco de Brito Freire dá também detalhes sobre a farinha que chama igualmente "farinha de pau". Diz Brito Freire:
Esta farinha, que chamam comumente de pau, se faz de uma raiz como nabo, cujo nome é mandioca. A mandioca divide-se em perluxas e diversas espécies de outras plantas, com a mesma propriedade. Cresce de pequena estaca, ao igual das ervas que mais se levantam da terra, sazonando-se em menos de um ano. O sumo é mortalmente venenoso. O amego ralado e espremido coze no forno em vasos largos, desfeito como o cuscuz da Europa. Desta sorte lavram esta farinha que sustentando geralmente todo o Estado do Brasil, obram os índios de três castas: a que chamam uitinga, uieçacoatinga, uiatá. Fresca, a que se come no mesmo dia. Seca, a que dura seis meses. Torrada, a que passa de um ano. Avaliam-na pelo melhor mantimento depois do trigo; que também como de obreia às cartas e goma às voltas; e para bolos e caldos com nome de mingaus e beijus; no que se vem a apurar o mimoso pão daquela tosca farinha.54
Por fim, Barlaeus apresenta uma descrição que não se afasta das demais, mas oferece mais detalhes sobre o plantio e reforça no final o generalizado consumo da farinha, que era bem vista até mesmo pelas tropas holandesas:
O alimento dos naturais é a farinha, frutos vários e hortaliças. Preparam aquela com as raízes da mandioca. Esta apresenta ramos de nove folhas alternas, semelhantes ao cinco-em-rama ou pentafilão, à maneira de dedos. Não dá flores nem sementes. O caule lenhoso deita varas lenhosas. Em montezinhos de terra de 3 ou 4 pés de diâmetro, metem-se três ou quatro pedaços destas varas, deixando-se fora da terra até o meio. Formam-se e distribuem-se esses montinhos por espaçosíssimos campos. Estas varas lançam raízes debaixo do solo, das quais nascem e se multiplicam ramificações subterrâneas e radiciformes, da grossura de um braço, e às vezes de um côvado de comprimento conforme a qualidade do terreno. As raízes que os holandeses chamam doces, posto de grossura diferente da mandioca, botam, fora da terra, em 2 ou 3 rebentos, os quais, tornando-se lenhosos no oitavo, décimo ou duodécimo mês, servem de semente. A mandioca difere das nossas plantas só nisto: nada sai do fruto da mandioca para a sua propagação, e nas nossas o fruto é que gera as sementes, pelas quais se reproduzem. É a mandioca um alimento bastante forte e mais agradável do que o pão para os portugueses, índios e negros e até para os nossos soldados.55
O curioso é que tanto Brito Freire quanto Barlaeus falam da importância da farinha, mas descrevem apenas a mandioca. Nenhum deles descreve as "oficinas" ou "engenhos" de farinha, seja da crua, seja da torrada, que dura mais de um ano e pode ser levada para a guerra, embarcada nos navios ou simplesmente guardada. Esta é a grande importância histórica do óleo 14 de Frans Port: oferecer uma imagem detalhada do processo de produção da farinha no Brasil, em meados do século XVII. Resta saber se alguns dos seis "engenhos" situados na várzea e vistos de longe, ou mesmo o 31 com sua roda entrevista nas pinceladas do artista eram pequenos engenhos de açúcar ou engenhos de farinha, como o mostrado no óleo 14, ou quem sabe, maiores, nos quais como visto para descrições posteriores, a roda podia substituir o caititu.

Conclusão
Em Pernambuco, como na Bahia e no Rio de Janeiro, a importação de escravos africanos e sua dedicação à produção de açúcar, aumentaram a demanda de alimentos e especialmente a demanda da farinha que, mais que qualquer outro produto, era facilmente guardada e transportada, e ainda resistia aos atropelos do tempo e do clima. As culturas da cana e da mandioca coexistiram muitas vezes na mesma propriedade. A produção do açúcar dependeu da produção de farinha para alimentar escravos e toda a população dos engenhos. É a perspectiva de uma sociedade hierárquica que dá maior visibilidade ao açúcar em detrimento da farinha,56 fazendo com que homens de maior distinção não quisessem ver-se associados a um produto tão baixo. Um dos textos que quebra essa invisibilidade é, como foi visto, o do Diálogos das grandezas do Brasil. Mas se Brandônio descreve a farinha e suas qualidades, Alviano - o segundo interlocutor - a rebaixa, rebaixando o Brasil: "quando querem vituperar o Brasil, a principal coisa que lhe opõem de mal é que nele come-se farinha de pau".57
Essa perspectiva da degradação da farinha atuou sobre Post e seus compradores. Ao contrário de seus famosos engenhos de açúcar, o óleo 14, quem sabe na época chamado "casa de fazer farinha", se tornou visível e sobreviveu ao tempo e ao desprezo de todos. Teria, quem sabe, ficado com a família justamente porque para ele não foram encontrados compradores. Quase quatrocentos anos mais tarde, arrisco dizer que, para os historiadores, um dos grandes méritos de Post foi ter representado um engenho de farinha dos tempos do Brasil holandês.


Artigo recebido em: 10/10/2008.


* Autor convidado.
** Este texto faz parte de projeto de pesquisa em andamento e foi elaborado durante minha estadia como pesquisadora visitante do Departamento de História da UNICAMP.
1 LAGO, Pedro Corrêa e LAGO, Bia Corrêa. (orgs.) Catálogo raisonné. In: Frans Post (1612-1680). Obra completa. Rio de Janeiro: Capivara, 2006, p.82-411.         [ Links ] Ao longo do texto as obras estão identificadas segundo seu número no Catálogo raisonné, contido nessa publicação: os óleos recebem apenas uma numeração seqüenciada por ordem cronológica; os desenhos têm numeração à parte, precedida por um "D"; e as gravuras aparecem com numeração precedida por um "G".
2 Os holandeses fizeram suas primeiras investidas no nordeste no início do século XVII e se estabeleceram em Pernambuco em 1630. Sofreram sangrenta derrota na batalha dos Guararapes em 1649 e foram finalmente expulsos em 1654. Sobre Nassau e os holandeses no Brasil, ver MELLO, Evaldo Cabral de. Perfis brasileiros – Nassau. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.         [ Links ]
3 Foram consultadas edições brasileiras: BARLÉU, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados durante oito anos no Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1974;         [ Links ] FREIRE, Francisco de Brito. Nova Lusitânia, História da Guerra Brasílica. São Paulo: Beca Produções Culturais. 2001.         [ Links ] A grafia "Barléu" segue a usada nesta edição da obra, ao longo do texto optei pela grafia usual do nome no Brasil: Barlaeus.
4 Não considerei as gravuras para evitar o risco de alteração ou re-apropriação de elementos não pertencentes aos trabalhos originais de Post. Por fim, merece especial destaque o mapa de George Marcgraf, Brasília qua parte parer Belgis (G35) onde estão reproduzidas várias cenas dos óleos de Post, entre elas um engenho de açúcar. Ver o mapa em LAGO, Pedro Corrêa e LAGO, Bia Corrêa. (orgs.) Catálogo raisonné, p.408-409.         [ Links ]
5 BARLÉU, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados..., p. 125.         [ Links ]
6 FREIRE, Francisco de Brito. Nova Lusitânia, p.119, 187, 247.         [ Links ]
7 Perdido, pertenceu a Eduardo Prado. LAGO, Pedro Corrêa e LAGO, Bia Corrêa. (orgs.) Catálogo raisonné, p.391.         [ Links ]
8 SOUZA, Gabriel Soares de. Tratado descritivo do Brasil em 1587. São Paulo: CEN/EDUSP, 1871;         [ Links ] BRANDÃO, Ambrósio Fernandes. Diálogos das grandezas do Brasil. São Paulo: Melhoramentos, 1977;         [ Links ] ANDREONI, João António (André João Antonil). Cultura e opulência do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1967.         [ Links ]
9 BARLÉU, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados..., p.22.         [ Links ] Freire fala em "notáveis oficinas a que chamam engenhos". FREIRE, Francisco de Brito. Nova Lusitânia, p.68.         [ Links ]
10 BLUTEAU, Raphael. Engenho. In: Vocabulario Portuguez e Latino, Aulico, Anatomico, Architectonico, Bellico, Botanico, Brasilico, Comico, Critico, Chimico, Dogmatico, etc. autorizado com exemplos dos melhores escriptores portuguezes e latinos, e oferecido a el-rey de Portugal D. João V, tomo I, Coimbra, 1712. Tomos seguintes saem até 1728, em Coimbra e Lisboa. Pode ser encontrado online em www.ieb.usp.br
11 BARLÉU, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados, p.73.         [ Links ]
12 ANDREONI, João Antônio. Cultura e opulência do Brasil, p.133-134.         [ Links ]
13 BARLÉU, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados, p.65.         [ Links ]
14 Ver CANABRAVA, Alice P. João António Andreoni e sua obra. In: ANDREONI, João Antônio. Cultura e opulência do Brasil, p.9-112.         [ Links ]
15 ANDREONI, João Antônio. Cultura e opulência do Brasil, p.134         [ Links ]
16 Sobre o deslocamento da produção de açúcar do oriente até as Américas ver MILLER, Joseph C. O Atlântico escravista: açúcar, escravos e engenhos, Afro-Ásia, n.19/20, p.9-36, 1997.         [ Links ]
17 Além dos engenhos de açúcar também os engenhos de cachaça beneficiam a cana; são também chamados "engenhocas". Ver SOARES, Mariza de Carvalho. O vinho e a farinha, 'zonas de sombra' na economia atlântica no século XVII. In: SOUSA, Fernando de. (coord.) A Companhia e as relações económicas de Portugal com o Brasil, a Inglaterra e a Rússia. Lisboa: CEPESE/Afrontamento, 2008, p.215-232.         [ Links ]
18 Pela posição da roda, a moenda fica do outro lado. Pelo mesmo motivo não mostra tampouco os escravos trabalhando. Em compensação vê-se bem de perto o deságüe da canaleta num pequeno riacho e a várzea bem ao fundo.
19 Mostra nitidamente a canaleta e a água, mas não a roda.
20 De acordo com a tradução da legenda: "5 são as negras que levam a cana espremida". LAGO, Pedro Corrêa e LAGO, Bia Corrêa. (orgs.) Catálogo raisonné, p.379.         [ Links ]
21 Para uma detalhada descrição de uma moenda movida à água ver ANDREONI, João Antônio. Cultura e opulência do Brasil, p.182-188.         [ Links ]
22 Sobre a fornalha e a lenha ver ANDREONI, João Antônio. Cultura e opulência do Brasil, p.194-197.         [ Links ] Sobre essa terminologia ver BARBALHO, Nelson. Dicionário do açúcar. Recife: s.e., 1984.         [ Links ]
23 Açúcar solidificado em forma de cone que depois é quebrado para ser colocado nas caixas. Ver um balcão com pães-de-açúcar e escravos enchendo uma caixa no óleo 47, reproduzido em anexo.
24 Ver ANDREONI, João Antônio. Cultura e opulência do Brasil, p.119-121.         [ Links ]
25 Sobre o quilombo dos Palmares ver SCHWARTZ, Stuart. Repensando Palmares, resistência escrava na colônia. In: Escravos, roceiros e rebeldes. Bauru: EDUSC, 2001.         [ Links ] Sobre açúcar, escravos e Portugal ver SCHWARTZ, Stuart. Prata, açúcar e escravos: de como o império restaurou Portugal. Tempo, n.24. vol.12, p.201-223, 2008.         [ Links ] Sobre o comércio de escravos africanos ver PUNTONI, Pedro. A mísera sorte. A escravidão africana no Brasil holandês e as guerras do tráfico no Atlântico sul, 1621-1648. São Paulo: Hucitec, 1999.         [ Links ]
26 Sobre Palmares ver tese recente de LARA, Silvia Hunold. Palmares & Cucaú. O aprendizado da dominação. Campinas: UNICAMP, 2008.         [ Links ] (História do Brasil, Tese para o concurso de Professor Titular).
27 A questão indígena seja do ponto de vista do uso do trabalho indígena, seja no que diz respeito a sua inserção social na sociedade colonial como um todo é bastante complexa e extrapola os objetivos deste texto. Para maiores informações ver PUNTONI, Pedro. A guerra dos bárbaros. São Paulo: Fapesp/Hucitec/Edusp, 2002.         [ Links ]
28 Como já foi dito acima a mais detalhada foi deixada por Andreoni, mas quase todos os textos dos séculos XVI e XVII fazem referência a eles, como mostrei no início deste texto.
29 Dentre os 34 óleos onze deles fazem parte da segunda fase e destes quinze foram datados: 14 (1651); 17 e 20 (1652); 30 e 31 (1656) 37 e 38 (1658); 45 (1659); 47 (1660); 48 e 50 (1661); 75 (1664); 76 (1665); 104 (1667) e 109 (1668).
30 Diz o texto: "primeiro engenho de açúcar completo da obra pintada conhecida de Frans Post, este óleo sobre madeira até hoje inédito é das descobertas mais importantes dos últimos 10 anos com relação à obra de Post, e enriquece indiscutivelmente nosso conhecimento da evolução da segunda fase do artista. Post aborda pela primeira vez aquele que se tornará o mais freqüente e popular dos temas da terceira fase de sua obra. Voltará a repeti-lo apenas quatro vezes e nos nove anos seguintes desta segunda fase, e somente oito anos mais tarde". LAGO, Pedro Corrêa e LAGO, Bia Corrêa. (orgs.) Catálogo raisonné, p.128 (referente ao engenho 14).         [ Links ]
31 Diz o texto: "belo quadro com raro reposoir duplo de vegetação densa, raramente usado por Post na segunda fase, mas que ocorrerá várias vezes nos terceiro e quarto períodos. As árvores e arbustos não apresentam as características mais especificamente tropicais que Post usará exaustivamente na década seguinte (palmeiras, coqueiros, mamoeiros, etc.)". E no parágrafo seguinte, "Homens e mulheres negros provavelmente escravos, conversam animadamente... No segundo plano, a esquerda, distingue-se um pequeno moinho de cana movida (sic) a água... A paisagem de várzea será o motivo principal da grande maioria dos quadros da segunda metade dos anos 1650 e aparece aqui executada com grande qualidade, visível atrás do rio no primeiro plano, elemento raro nos quadros de Post". LAGO, Pedro Corrêa e LAGO, Bia Corrêa. (orgs.) Catálogo raisonné, p.163 (referente ao engenho 31).         [ Links ]
32 LAGO, Pedro Corrêa e LAGO, Bia Corrêa. (orgs.) Catálogo raisonné, p.163 (referente ao engenho 31).         [ Links ]
33 Uma bela representação do interior de um engenho de mandioca do século XIX foi pintada por Modesto Brocos (1852-1936), pintor brasileiro de ascendência espanhola. O quadro Engenho de Mandioca é um óleo sobre tela de 1892. Mostra em primeiro plano mulheres sentadas descascando mandioca e ao fundo uma moenda (diferente do caititu) e um forno de torrar a farinha. Também Victor Frond tem uma fotografia, da qual se conhece apenas a litografia, de escravas descascando mandioca num terreiro, mas neste caso não há indicação de presença de uma casa de farinha.
34 Fonte: www.seagri.ba.gov.br/Mandioca.htm
35 O processamento da farinha é descrito em detalhes por ARAÚJO, Alceu Maynard. Brasil, Histórias, Costumes e Lendas. São Paulo: Editora Três, 2000.         [ Links ]
36 O termo "engenho de farinha" ainda é corrente em Santa Catarina. ANDERMANN, Adriane Schroeder. Histórias de engenho: os engenhos de farinha de mandioca em Florianópolis, economia, cuidados com a produção, imagens (1917-1920). Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 1996.         [ Links ] (História, Dissertação de mestrado). No Rio de Janeiro pelo menos até o século XIX o termo era também corrente sendo depois substituído pela expressão "casa de farinha", mas a casa é menor e o trabalho ali realizado mais manual e não mecânico como no antigo engenho. "A casa de farinha só pode fazer pouca porção, não é? E o engenho não, o engenho pode durante um dia inteiro, pode fazer cinco, seis sacos de farinha por dia". (depoimento ao Museu do Folclore, Rio de Janeiro)
37 ANDREONI, João Antônio. Cultura e opulência do Brasil, p.182.         [ Links ]
38 Os engenhos 17, 48, 50, 54, 57, 58, 59, 80, 104, 107, 108, 109, 114, 116, 118, 122.
39 Thomas Ender pintou em aquarela a Fazenda de Mandioca (1818) que pertenceu ao Barão de Langsdorff.
40 Mandioca", tela de Albert Eckhout s/d. óleo sobre tela 93 x 93 cm Nationalmuseet (Copenhague, Dinamarca). Reprodução do óleo no texto.
41 ANDREONI, João Antônio. Cultura e opulência do Brasil.         [ Links ]
42 Sobre a farinha na carreira da Índia ver LAPA, José Roberto do Amaral. A Bahia e a carreira da Índia. São Paulo/Campinas: Hucitec/Unicamp, 2000.         [ Links ]
43 LEITE, Serafim. História da Companhia de Jesus. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1943, vol.1.         [ Links ]
44 SCHWARTZ, Stuart. Segredos internos. Engenhos e escravos na sociedade colonial 1550-1835. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p.126, 149, 83, 146, 304.         [ Links ]
45 SCHWARTZ, Stuart. Segredos internos, p.86, 353.         [ Links ]
46 SAMPAIO, Antonio Carlos Jucá de. Crédito e circulação monetária na colônia: o caso fluminense, 1650-1750. Anais do V Congresso Brasileiro de História Econômica, Belo Horizonte/ABPHE, p.5-7, 12, 15, 2003.         [ Links ]
47 O diálogo escrito em ca. 1618 têm dois interlocutores: Brandônio e Alviano. Brandônio é o próprio Ambrósio Fernandes Brandão. Ver GARCIA, Rodolpho. Aditamento. In: BRANDÃO, Ambrósio Fernandes. Diálogos das grandezas do Brasil, p.23.         [ Links ]
48 Ver ABREU, Capistrano de Introdução. In: BRANDÃO, Ambrósio Fernandes. Diálogos das grandezas do Brasil, p.7-22.         [ Links ]
49 MAURO, Frédéric. Le Portugal et l'Atlantique au XVIIe siècle 1570-1670. Paris: École Pratique des Hautes Études, 1960, p.371.         [ Links ]
50 BRANDÃO, Ambrósio Fernandes. Diálogos das grandezas do Brasil, p.164.         [ Links ]
51 BRANDÃO, Ambrósio Fernandes. Diálogos das grandezas do Brasil, p.59-60.         [ Links ]
52 Na segunda metade do século XVII já há registros de plantações de mandioca ao longo das estradas percorridas pelas caravanas de escravos do interior de Angola até os portos do litoral. Ver MILLER, Joseph C. The Significance of Droughts, Diseases and Famine in the Agriculturally Marginal Zones of West-Central Africa. The Journal of African History, vol.23, n.1, p.17-61, 1982.         [ Links ]
53 SOUZA, Gabriel Soares de. Tratado descritivo do Brasil em 1587.         [ Links ]
54 FREIRE, Francisco de Brito. Lusitânia Brasílica, p.129.         [ Links ]
55 BARLÉU, Gaspar. História dos feitos recentemente praticados, p.137.         [ Links ]
56 Faço aqui uma analogia à análise sobre a visibilidade e os meios visuais do barroco desenvolvida por Maraval no "Apêndice" de seu livro. Ver MARAVAL, José Antônio. A cultura do barroco. São Paulo: EDUSP, 1997, p.389-405.         [ Links ]
57 BRANDÃO, Ambrósio Fernandes. Diálogos das grandezas do Brasil. Salvador: Progresso, 1956.         [ Links ]

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