sexta-feira, 15 de março de 2013

O Romance da Nau Catrineta

Nau CatrinetaO Romance da Nau Catrineta é um romance popular - uma composição poética ligada à tradição oral. Provavelmente foi inspirado pela tumultuada viagem do navio Santo António, que transportou Jorge de Albuquerque Coelho (filho de Duarte Coelho Pereira, donatário da capitania hereditária de Pernambuco), desde o porto de Olinda, no Brasil, até o porto de Lisboa, em 1565. O poema narra as desventuras dos tripulantes durante a longa travessia marítima - os mantimentos que esgotaram, a presença de tentação diabólica e afinal, a intervenção divina, que leva a nau a seu destino. Parte desse poema é cantado no Fandango de Canguaretama.

Ouçam, meus senhores todos, uma história de espantar
Lá vem a Nau Catarineta que tem muito o que contar
Há mais de um ano e um dia que vagavam pelo mar
Já não tinham o que comer, já não tinham o que manjar
Deitam sortes à ventura a quem se havia de matar
Logo foi cair a sorte do Capitão-General

Tenham mão, meus marinheiros, prefiro ao mar me jogar
Antes quero que me comam, ferozes peixes do mar
Do que ver gente comendo carne do meu natural
Esperemos um momento, talvez possamos chegar
Assobe, assobe, gajeiro, naquele mastro real
Vê, se vês terras de Espanha e areias de Portugal

- Não vejo terras de Espanha e areias de Portugal
  Vejo sete espadas nuas que vêm para vos matar

Vai mais acima, gajeiro, sobe no topo real
Vê, se vês terras de Espanha, gajeiro, e areias de Portugal

- Alvíssaras, Capitão, meu Capitão-General
  Já vejo terras de Espanha, areias de Portugal
  Enxergo mais três donzelas debaixo de um laranjal
  Uma sentada a coser, outra na roca a fiar
  A mais mocinha de todas está no meio a chorar

Todas três são minhas filhas... Ah, quem me dera as beijar!
A mais mocinha de todas, contigo hei de casar

- Eu não quero a vossa filha que vos custou a criar

Dou-te meu cavalo branco que nunca teve outro igual

- Não quero o vosso cavalo, meu Capitão-General

Dou-te a Nau Catarineta, tão boa em seu navegar

- Não quero a Catarineta que naus não sei navegar

Que queres, então, gajeiro? Que alvíssaras hei de dar?

- Capitão, eu sou o diabo e aqui vim pra vos tentar
  O que eu quero é vossa alma para comigo a levar
  Só assim chegais ao porto, só assim eu vou vos salvar

Renego de ti, demônio, que estavas a me tentar
A minha alma eu dou a Deus, e o meu corpo eu dou ao mar

E logo salta nas águas o Capitão-General
Um anjo o tomou nos braços, não o deixou se afogar
Dá um estouro o demônio, acalmam-se o vento e o mar
E, à noite, a Catarineta chegava ao porto do mar


FONTES:
http://www.beakauffmann.com/mpb_r/romance-da-nau-catarineta.html
http://comunidade.sol.pt/blogs/josecarreiro/archive/2007/04/01/romanceiro.aspx
Wikipédia, a enciclopédia livre.

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