sábado, 15 de setembro de 2012

Confederação dos Cariris (Guerra dos Bárbaros)*



* Bárbaros - índios não Tupis, ou nativos que não falavam tupi-guarani - os índios de língua travada Entenda-se por Cariris os Tapuias em geral. Pelo exposto, já é possível concluir que o mundo indígena findou-se com o avanço das fazendas de gado do branco colonizador (que assassinava os gentios, violentava-o sexualmente, usurpava as terras deste) e com a própria ação dos missionários católicos, os quais, na pretensão de catequizar o nativo, acabaram por destruir-lhe a cultura e o modo de viver.
Os índios, todavia, jamais aceitaram passivamente a dominação do homem branco, reagindo de modo heróico contra as circunstâncias. Tal reação veio de diversas maneiras, como escapando dos
aldeamentos, fugindo do cativeiro e armando-se para lutar abertamente contra o invasor, atacando-lhes as vilas e as fazendas, trucidando-o. O europeu, em contrapartida, fazia a "guerra justa", enchendo os sertões de sangue e cadáveres.
Um dos grandes exemplos da resistência indígena no Brasil deu-se com a chamada "Guerra dos Bárbaros" ou "Confederação dos Cariris", que durou cerca de 30 anos (1683 - 1713), na qual nativos do Rio Grande do Norte e principalmente do Ceará, e alguns de Pernambuco, Piauí e Parnaíba se uniram em uma confederação para enfrentar o conquistador branco.
Os cariris ocupavam a vastíssima região compreendida entre a margem esquerda do Rio São Francisco e as quebradas das serras do Araripe e da Ibiapaba. Habitavam o sertão mas, ao longo dos rios e de suas cabeceiras, estendiam-se até as proximidades da costa ou para lá se dirigiam de outubro a novembro, para a colheita do caju, que usavam como alimento e na fabricação do vinho denominado mocororó.
Em face da gravidade da situação, dos pedidos de socorro que lhe chegavam das zonas conflagradas, não dispondo de forças suficientes para reprimir a revolta, frei Manuel da Ressurreição, então no governo-geral do Brasil, decidiu requisitar bandeirantes de São Paulo e de São Vicente, para acabar com a anarquia.
A presença dos paulistas não evitou que a guerra entre os brancos e os silvícolas confederados se dilatasse anos seguidos das fronteiras do Rio Grande do Norte ao interior do Ceará. Os Baiacus foram os mais terríveis e constantes inimigos dos colonizadores na zona do baixo Jaguaribe.
No ano de 1713 a Confederação mostrou-se ainda viva na revolta geral desencadeada pelos Baiacus, Anacés, Jaguaribaras, Acriús, Canindés e Jenipapos, que forçaram os Tremembés a segui-los.
A vila do Aquiraz, então sede da Capitania, foi inopinadamente atacada. Na sua defesa morreram 200 pessoas. O resto da população fugiu, defendendo-se como pode pelo caminho, que se semeou de mortos, indo acolher-se à proteção dos canhões da fortaleza de Nossa Senhora da Assunção na foz do Pajeú.
Entrou então em ação o famoso regimento de ordenanças do coronel João de Barros Braga. Essa cavalaria, vestida de couro como os vaqueiros e composta de homens conhecedores do terreno em que pisavam, bem como do modo de guerrear dos indígenas, exterminou-se em violentíssima guerra de morte, que subiu pelo vale do Jaguaribe ao do Cariri e aos confins piauienses.
Assim, acabou melancolicamente a terrível Confederação dos Cariris que durante 30 anos trouxe em sobressalto as gentes que iam povoando e civilizando as terras do Rio Grande do Norte e do Ceará.
 
FONTE: http://etumos-sil.blogspot.com.br/2008/05/confederao-dos-cariris-guerra-dos.html 

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