domingo, 13 de novembro de 2011

Considerações de Fábio Arruda sobre engenhos do Rio Grande do Norte


João Felipe,
Quanto aos Engenhos, não pairam dúvidas.
1)      Cunhaú;
2)      Utinga;

Engenho não tem nome, mas santo da invocação. Aliás, tudo em Portugal não tem nome, mas santo da invocação seguido de um acidente geográfico. Assim, temos:
a)     Cabo de Santo Agostinho;
b)    Nossa Senhora da Conceição de Itamaracá;
c)     Nossa Senhora do Rosário da Várzea;
d)    Santo Amaro de Jaboatão;
e)     Santa Luiza de Ipojuca;
f)      Nossa Senhora das Neves da Paraíba;
g)     Santa Maria Madalena da Alagoa do Sul (atual Marechal Deodoro); e por aí vai…

Do mesmo modo, Engenho era um lugarejo ou fazenda, tendo um santo de invocação. Esta é a regra portuguesa para Engenho.

Esta nomenclatura portuguesa, foi modificada pelos holandeses. Para fins de cobrança de tributos, os holandeses fizeram listas de Engenhos. Aos santos da invocação, os holandeses inseriram também um nome de acidente geográfico específico ao Engenho. Assim, como havia vários engenhos da mesma invocação e próximos aos mesmos RIOS, adotou-se a nomenclatura de acrescentar o RIACHO onde o Engenho se situava.

Assim, temos, por exemplo, o Engenho Pirapama – sob a invocação da Santa Apolônia (descrição holandesa). No entanto, não era assim o tratamento dado pelos portugueses. Para os portugueses, tratava-se apenas de Engenho da invocação Santa Apolônia.
*******************************************************
19) ENGENHO PIRAPAMA – sob a Invocação de Santa Apolônia
*******************************************************
“Notas Históricas e Curiosas” – Major Salvador Coelho de Albuquerque – pág. 248 do Vo. I
Auto de Demarcação que foi feita a Felipe Cavalcante no ano de 1588
‘Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil quinhentos e oitenta e oito anos, aos doze dias do mês de outubro do dito ano, fui, Escrivão das Datas e Demarcações desta Capitania, com João Rodrigues, dado por Demarcador, por o Demarcardor Aleixo Gonçalves estar doente, ao Engenho de Cristóvão Lins, da Invocação Santa Apolônia, que está situado na Ribeira de Arassuagipe (antigo nome do Riacho Pirapama), limites do Cabo de Santo Agostinho, Termo da Vila de Olinda, Capitania de Pernambuco, de que é Capitão e Governador o Senhor Jorge de Albuquerque Coelho, por El Rei, Nosso Senhor, e sendo no dito Engenho, por Felipe Cavalcante, morador na dita Vila, foi requerido ao dito Demarcador João Rodrigues e a mim Escrivão, demarcassemos-lhe uma légua de terra que lhe fora dada pelo Senhor Governador Duarte Coelho de Albuquerque, que está em glória, para o que mostrou uma Carta de Doação que lhe fizera o dito Senhor, que ao diante vai acostada, com a petição do Senhor Licenciado Martim Leitão, do Desembargo, há de ser do Desembargo de El Rei, Nosso Senhor, e seu Ouvidor-Geral, com alçada em todo este Estado do Brasil, que outrossim, adiante vai acostada, em que os mandasse lhe demarcássemos a dita terra, conforme a dita Carta do dito Felipe Cavalcante, e que sendo caso que lá viessem com alguns embargos, não deixassem a demarcação dita que naquela Carta se contém dar o dito Senhor Governador ao dito Felipe Cavalcante, uma légua de terra em quadro, pegado com terras de João Paes e ao longo da Ribeira de Arassuagipe (antigo nome do Riacho Pirapama), tanto de uma banda da dita Ribeira, como da outra, como mais largamente se contém na dita Carta e para cumprimento da dita Carta.

A invocação do Engenho diz, implicitamente, quem foi o fundador (SANTA APOLÔNIA). Veja que Cristóvão Lins era natural da POLÔNIA (parte da Alemanha), eis o motivo da invocação. Não é fácil descobrir o motivo da invocação, mas, certamente, o fundador tem uma intimamente relação com aquele Santo.

Voltando a questão do Engenho Utinga – sob a Invocação de Nossa Senhora do Socorro. Quando foi fundado, possivelmente, tinha esta invocação, a qual só foi possível identificar com os Livros de Igreja. A origem da nomenclatura Utinga, seguindo os critérios holandeses, deve haver algum acidente geográfico com este nome na localidade (possivelmente, trata-se de uma pequeno riacho às margens do Rio Potengi). Perceba que os holandeses afirmaram ser POTENGI, nome do acidente geográfico principal. Todavia, mais tarde, a localização específica (possivelmente RIACHO UTINGA) dará lugar a localização genérica POTENGI.

Ler o Processo do Padre Pedro Homem da Costa – Inquisição – Torre do Tombo!!!

Ferreiro Torto não me parece ser o nome antigo deste Engenho, mas, talvez, de alguma fazenda de boi fundada posteriormente na região. Este nome deve ter surgido bem depois da Guerra Holandesa, uma vez que não aparece nos Livros de Batismos!!! Qual o documento mais antigo conhecido que traz este nome Ferreiro Torto?

*******************************************************
165) ENGENHO UTINGA – sob a Invocação de Nossa Senhora do Socorro
(*) Localiza-se às margens do Rio Potengi no Rio Grande do Norte, chamado atualmente de “Utinguinha”. (livros de batismos)
*******************************************************
Denunciações e Confissões de Pernambuco – 1593 a 1595
Não identificado.

Relação de Engenhos de 1608 – Diogo de Campos Moreno
Não identificado.

Relatório de Servaes Carpentier - 14/01/1638:
ENGENHO POTENGI – decaído há longos anos, e diz-se que não tem terras capazes.

Relatório do Senhor Adriaen Van Der Dussen  - 04/04/1640:
ENGENHO POTENGI – está totalmente arruinado e abandonado.
*******************************************************
19/07/1692 – Sargento-Mor Antônio Gonçalves Ferreira
Fonte: Processo do Padre Pedro Homem da Costa - Inquisição

Copiado de: http://trindade.blog.digi.com.br/category/genealogia/

Nenhum comentário:

Postar um comentário