segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Breve perfil de Augusto Severo


Augusto Severo de Albuquerque Maranhão, filho de Amaro, pernambucano vindo de Nazaré e de D. Xana foi, pelo multifacetismo e pela riqueza de sua personalidade, uma figura que se tornou lendária. Poderia, se mais cedo houvesse nascido, ter sido um nobre, um corsário, um espadachim, um cruzado ou um menestrel.
Nascido em Macaíba – antiga vila de Coité – fundada à margem esquerda do rio Jundiaí, em 11 de Janeiro de 1864, Severo dividiu a primeira infância entre sua cidade e o pequeno “feudo” dos Guarapes, a 12 quilômetros ao sul de Natal, em uma poética curva do nosso rio Potengi, onde Amaro, seu pai, pontificava como cheia e senhor.
Severo, o homem – que desde menino foi o preferido de Amaro e D. Xana, - era uma figura fascinante. Alto, bonito, forte e ágil. Foi, por isso, comparado, muitas vezes, a um “aventureiro e belo cigano”. Mais tarde, eu o comparei, e ainda o faço hoje, a outro pioneiro do espaço, percurso dos vôos transoceânicos, Jean Mermoz, fizeram suas últimas travessias do espaço como novos Icaros, pois se Severo foi atirado da explosão e das chamas do seu “PAX”, Mermoz mergulhou nas águas do Atlântico, como um novo filho de Dédalo.
Desde a cozinha à sala, passando pelos arranjos decorativos, uma sugestão sobre a moda feminina, a organização de uma quadrilha, o sarau, a tertúlia, os jogos do salão, Severo era consultado. Depois íamos encontrá-lo no campo, empinando papagaios e experimentando as correntes aéreas, no seu já nascente sonho de dominar o espaço. Tinha como falou o nosso Mestre Cascudo. “a serenidade, a confiança, a tranqüila certeza de poder dispor de si mesmo e de possuir-se”.
E a vida de Severo se segue, em um crescendo de beleza e de realização. Já rapaz seguiu para Salvador, para o colégio do professor Ernesto Carneiro Ribeiro, que também ensinou Rui Barbosa. De lá foi para o Rio para a Escola politécnica, pois se pretendia fazer Engenheiro. Motivos superiores, inclusive de saúde, impediram-no de continuar. Não passou do segundo ano.

Texto original em: http://www.institutojosejorgemaciel.org.br/Full/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=37&Itemid=37

Nenhum comentário:

Postar um comentário