domingo, 18 de agosto de 2013

Rio Grande do Norte Terá a Menor Safra de Mandioca dos Últimos 24 Anos

Por Aldemir Freire em http://portalnoar.com/economiadorn/rio-grande-do-norte-tera-a-menor-safra-de-mandioca-dos-ultimos-24-anos/
MANDIOCA BRASILO IBGE divulgou hoje as estimativas de safra para 2013 referente ao mês de julho. Além do recorde nacional na produção de grãos, uma das coisas que mais chama a atenção é a queda significativa na produção de mandioca no Nordeste.
Pelas previsões daquele órgão o Brasil irá produzir esse ano cerca 21,2 milhões de toneladas da raiz de mandioca, uma queda de 9,55% frente ao ano passado e de 16,45% em relação a 2011.
A queda será puxada principalmente pela redução da produção do Nordeste. O IBGE estima que a região irá produzir 4,85 milhões, uma queda de 19% em relação a 2012 e de 39% em comparação a 2011.
MANDIOCA REGIÕESO Nordeste, que tradicionalmente sempre foi a região com maior produção de mandioca do país, cairá para terceiro lugar no ranking de produção das regiões brasileiras, ficando atrás do Norte e do Sul.
No Rio Grande do Norte a produção de 2013 está estimada em cerca de 84 mil toneladas, com queda de 64% quando comparado com o ano passado e 72% em relação a 2011. No estado a produção será a menor da série disponível do IBGE, que começa em 1991. Portanto será a menor produção dos últimos 24 anos.
MANDIOCA RNA mandioca possui três usos principais: 1) usada diretamente na alimentação. Nesse são sãs as famosas macaxeiras cozidas ou fritas amplamente servidas nos restaurantes nordestinos; 2) na fabricação de farinha, com o consumo dessa última sendo mais forte nas regiões Nordeste e Norte do país; 3) na produção de fécula da mandioca (também conhecido como polvilho doce e goma), cujo destino é a produção de tapiocas e, principalmente, na indústria alimentícia onde é largamente utilizada como espessante, ou seja, substância adicionada a misturas a fim de lhes proporcionar melhor consistência. A fécula é ingrediente de molhos, sopas, comidas para bebês, pudins, sorvetes, embutidos, pães de queijo e massas em geral.
No Rio Grande do Norte a produção da razi de mandioca concentra-se sobretudo na região agreste do estado e no Seridó, na chamada Serra de Santana. No agreste do estado a raiz de mandioca “alimenta” inúmeras casas de farinha (quem do estado não conhece as famosas farinhas e gomas de Brejinho?).
A seca reduziu dramaticamente a produção local de mandioca. Mesmo com as chuvas no agreste tendo alcançado este ano um patamar melhor que o do ano passado a produção continuou em queda, basicamente por duas razões: 1) no ano passado foram colhidas áreas que haviam sido plantadas em 2011 (o ciclo da mandioca pode ser de até 18 meses). Nesse caso a produção ainda era referente ao do ano anterior. 2) como praticamente não houve plantação no ano passado, muitos agricultores atualmente não possuem sequer as chamadas “manivas” (hastes da planta utilizadas no plantio) para efetuar novos plantios. Portanto, a recuperação da cultura será lenta e demorada e os efeitos da seca se estenderá não só em 2013, mas pode implicar também na produção de 2014 e 2015.
As consequências mais imediatas da crise da produção de mandioca no estado foi o fechamento de um grande número de casas de farinha e os preços da raiz, da farinha e da fécula que dispararam.

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