terça-feira, 30 de março de 2010

A insurreição comunista de 1935 em Natal

Na cidade de Natal, no dia 23 de novembro de 1935, o movimento comunista se faz presente através do levante do 21º BC, quando se antecipa à insurreição preparada por Carlos Prestes.
O Batalhão resiste pouco, poucos soldados guardavam-no e com a participação de oficiais do próprio batalhão, além de operários estivadores e civis, o quartel é facilmente dominado, sem resistência, "em nome do capitão Luís Carlos Prestes".
Gradativamente a onda revolucionária espalha-se pela cidade. O governador Rafael Fernandes, que no momento do ataque estava no Teatro Carlos Gomes, toma conhecimento do fato e refugia-se em casa de um amigo, igualmente ocorrendo com Gentil Ferreira, prefeito de Natal, que consegue refugiar-se no consulado chileno.
Todas as repartições públicas foram dominadas a partir daquele momento. Isso tudo foi precedido de muita correria, fugas, combates e muitos tiros. Sem poderem resistir, os leais ao governo constitucional são dominados e muitos deles presos, viabilizando assim a constituição da junta governativa, que se autodenomina de Comitê Popular Revolucionário. Como primeira medida, a junta apresenta um decreto destituindo o governador e a Assembléia Legislativa. É publicado também o jornal revolucionário "A Liberdade".
No calor dos combates surge, certamente como um herói artificialmente construído, a figura de Luiz Gonzaga. A morte deste, falecido "em combate", é explorada pela propaganda do governo como forma, talvez, de criar no seio dos norte-rio-grandenses um símbolo de resistência ao comunismo. Conforme notícias oficiais Luiz Gonzaga era um soldado leal ao governo e morrera defendendo a sua bandeira; outros, porém, baseados em depoimentos dos que participaram do movimento dizem que o mesmo era um simples mendigo surpreendido por uma bala perdida.
O governo comunista em Natal prossegue. Como forma de ampliar os seus domínios era preciso angariar recursos em dinheiro. Para isso foi determinado o arrombamento do Banco do Brasil em Natal donde se retiram importantes quantias, que posteriormente, pelo menos uma parte foi recuperada. Isso ocorreu também com o dinheiro da Fazenda Estadual.
Rumo ao interior, o movimento ampliou-se e conseguiu dominar 17 cidades das 47 existentes. Constituído por colunas o movimento comunista espalha-se pelo nosso território, promovendo a tomada das prefeituras, incêndio dos cartórios, soltura dos prisioneiros da cadeia e nomeação de um novo prefeito. Requisitam o dinheiro da prefeitura e da mesa de rendas, além de destituírem o delegado e o tabelião público.
Em direção ao Seridó, os rebeldes tomam Santa Cruz, única cidade do Estado que aclama e aplaude o movimento. A partir dali, o movimento dirige-se a Currais Novos. No entanto, encontram resistência, especificamente na Serra do Doutor, através de um grupo armado sob a liderança de Dinarte Mariz, que consegue desmontar os rebeldes, que saem em fuga.
Apesar de questionarmos a participação concreta de Dinarte Mariz no combate da Serra do Doutor, o que podemos perceber é que a região do Seridó, a partir de notícias acerca do que acontecia em Natal, organizou-se e conseguiu esfacelar o movimento comunista no Trairí, influenciando decisivamente a derrota dos rebeldes em nosso Estado.
Como vimos, apesar de ter deixado marcas profundas no seio do RN, numa perspectiva de proposta administrativa a partir da classe operária. O movimento comunista, a partir de Natal, não conseguiu obter êxito diante da falta de articulação entre as colunas do interior e, principalmente, tendo em vista as notícias vindas dos Estados vizinhos de que tropas policiais se dirigiam com destino ao nosso território. Todo o movimento no Estado durou apenas três dias.

MEDEIROS FILH0, Aristóles Eestam de. A Insurreição Comunista de 1935 em Natal. História do RN n@ WEB [On-line]. Available from World Wide Web: Acesso em 17/06/2002.

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