quinta-feira, 21 de abril de 2011

RN tem mais índios do que se pensa


Original do site do Fernando Mineiro
http://www.mineiropt.com.br/noticias/rn-tem-mais-indios-do-que-se-pensa/
19.04.2010


Muitos não lembram, mas nesta segunda-feira (19) é comemorado o Dia do Índio. A data pode estar sendo esquecida, mas ainda há o que festejar. No Rio Grande do Norte, cinco comunidades estão se auto-reconhecendo indígenas, um avanço, na opinião do membro e assessor jurídico da ONG Paraopaba, Luciano Falcão.

As comunidades de Sagi, em Baía Formosa; Catu, em Goianinha e Canguaretama; Mendonças do Amarelão, na cidade de João Câmara, e as comunidades Banguê e Caboclos, em Assu, não reúnem todos os índios do Estado, mas essa afirmação de identidade é “o ponta-pé inicial para defesa dos seus direitos”.

“Essas comunidades vivem problemas parecidos, como educação precária e ausência de demarcação de terras, de atendimento médico e transporte público. Para chegar às comunidades de Assu, é preciso percorrer 20 quilômetros e atravessar a lagoa Piató de barco, por exemplo”, disse o advogado, que trabalha com essa etnia desde 2007, quando foi realizada a segunda Audiência Pública sobre o tema. A terceira audiência foi em dezembro de 2009, colocando em debate mais uma vez as questões indígenas.

São esses problemas que fazem com que esse povo viva em constante conflito com as demais culturas, de acordo com o professor de Antropologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Carlos Guilherme. “As relações são de cooperação ou conflito, mas o conflito predomina, sem dúvida”.

A solução é dada pelo respeito mútuo. “O Estado do RN era um dos únicos a não ter comunidades indígenas reconhecidas, mas eles estão se identificando e demandando direitos específicos, propondo que a população considere que as tradições são singulares”, explica o professor.

Cerca de 10 mil índios são potiguares e alguns deles, segundo conta Luciano Falcão, são integrados ao resto da sociedade.

“Muitos índios brasileiros vivem em capitais. É natural que haja essa integração entre os povos, principalmente com os nordestinos, que foram os primeiros que tiveram contato com os colonizadores”, disse Luciano Falcão. “É possível morar em uma casa sem renegar memórias, costumes, origens”.

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