domingo, 6 de junho de 2010

Capitania do Rio Grande

A Capitania do Rio Grande constituiu o segundo lote doado a João de Barros e a Aires da Cunha, da foz do rio Jaguaribe a norte, até à baía da Traição, a sul. Tendo o empreendimento de ambos sido direcionado ao primeiro lote (a Capitania do Maranhão), devido às dificuldades ali encontradas em 1535, este segundo lote permaneceu abandonado.

Ao final do século XVI, já no contexto da Dinastia Filipina (1580-1640), para conter a ameaça dos contrabandistas franceses de pau-brasil ("Caesalpinia echinata") naquele litoral, Filipe II de Espanha ordenou ao Capitão Alexandre de Moura, que, com o auxílio do Capitão-mor da Capitania da Paraíba, Feliciano Coelho de Carvalho, seguissem para o Rio Grande, para estabelecer uma colônia e um forte, e dar combate aos franceses, ali associados com os Potiguaras (1597).

A foz do rio Potenji foi alcançada em 25 de Dezembro de 1597, pelo Capitão-mor da Capitania de Pernambuco, Manuel de Mascarenhas Homem, que ali ergueu um primeiro núcleo defensivo - o embrião da Fortaleza da Barra do Rio Grande, preparando o terreno para a futura cidade do Natal. Feliciano Coelho de Carvalho uniu-se a ele em Abril do ano seguinte (1598), e em Junho ambos retornaram a Pernambuco, deixando os trabalhos da fortaleza e povoação nascentes a cargo de Jerônimo de Albuquerque Maranhão (1548-1618). Em 25 de Dezembro de 1598 foi inaugurada a Igreja Matriz da povoação fundada a cerca de três quilômetros da barra, que passou a ser denominada do Natal.

No contexto da segunda das invasões holandesas do Brasil (1630-1654), o Forte dos Reis Magos foi conquistado (1633) e ocupado até ao final da campanha.

Subordinada ao Governo Geral do Estado do Brasil, na Capitania da Bahia, a Capitania do Rio Grande ficou subordinada à Capitania de Pernambuco a partir de 1701.

Pelo Aviso de 7 de Outubro de 1807 a Coroa portuguesa solicitou ao Governador do Rio Grande do Norte, Tenente-coronel José Francisco de Paula Cavalcanti de Albuquerque, informações do que convinha fazer para a defesa daquela Capitania. A resposta, em um detalhado Memorial, converteu-se em diversas fortificações ligeiras, erguidas no ano seguinte (1808), concomitantes com a chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil no contexto da Guerra Peninsular. Com a elevação do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves (1815), passou a Província. Envolveu-se na Revolução Pernambucana (1817), instalando-se uma junta de governo provisório em Natal. Com a Proclamação da República Brasileira (1889), transformou-se em estado.

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