terça-feira, 11 de março de 2014

Pesquisadores utilizam georradar em buscas no Forte dos Reis Magos

Da Tribuna do Norte

Magnus Nascimento/celularAparelho foi usado hoje (11) pela primeira vez em pesquisas arqueológicas no RNAparelho foi usado hoje (11) pela primeira vez em pesquisas arqueológicas no RN

Pesquisadores utilizaram hoje (11) pela primeira vez no Estado um georadar em atividades arqueológicas no Forte dos Reis Magos. O trabalho faz parte do processo de pesquisa iniciado em novembro passado e fez escavações em todo o monumento. O trabalho de pesquisa está no último mês, mas será seguido por uma obra de restauração, ainda sem data de início.
 
De acordo com o superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) no Rio Grande do Norte, Onésimo Jerônimo Santos, o equipamento utilizado hoje busca encontrar anomalias subterrâneas. “O equipamento emite ondas que identificam alterações no subsolo, seja de forma ou material. Se for no espaço de areia e houver uma ossada ou pedra, será detectado”, exemplifica.

Onésimo afirma que o radar será utilizado apenas em uma sala do Forte, identificada como Refeitório do Comando, que foi a última atribuição dada ao espaço, além de parte da muralha. “Nesta sala, acreditamos que possa ter sido a primeira capela do Forte, já que onde sabemos que foi uma capela, construída cerca de 30 anos depois do restante da construção, é o único local que também tem janelas no mesmo formato. Entre as muralhas, buscamos possíveis restos de paredes”, detalha. 
Segundo o superintendente do Iphan, a chance de a sala ter sido a primeira capela do Forte é atribuída à forma das janelas, em arcos, assim como a capela no centro do Forte, enquanto as de todos os outros cômodos são quadradas. O processo de escavação será feito apenas na sala e pode começar ainda hoje, já que os resultados a serem interpretados por arqueólogos a respeito do que foi coletado com o radar servirá como base de comparação entre o que foi indicado e o que há sob o piso. Essa atividade não será feita na muralha, já que implicaria no desmonte da estrutura.

Segundo o arqueólogo Marcos Albuquerque, coordenador da pesquisa arqueológica no Forte dos Reis Magos, com as escavações foram encontrados o primeiro piso da fortaleza, o piso utilizado pelos portugueses e outro adotado no século XIX; projéteis de dois tipos de canhão; balas de chumbo utilizadas em mosquetes, uma as primeiras armas de fogo utilizadas pelas infantarias nos séculos XVI e XVII; pedaços de cerâmicas; cachimbos holandeses; e pedaços de ferro diversos, entre eles alguns que remontam às primeiras marcações para construção do Forte.

Durante as atividades de pesquisa, o funcionamento do Forte dos Reis Magos permanece sem alterações, das 8h às 16h.

O Forte
A construção, concluída pelos portugueses em 25 de dezembro de 1599, mesma data da fundação de Natal, foi tomada pelos holandeses em dezembro de 1633. Após quatro dias de combate, e com o capitão-mor Pero Mendes de Gouveia ferido, os soldados negociaram a entrega da fortaleza.

O Forte é rebatizado de Castelo Keulen, e Natal de Nova Amsterdã – os holandeses permaneceram no litoral nordestino até 1654. “O Forte não foi tomado, talvez isso tivesse acontecido se a batalha tivesse se estendido, e o combate se deu por terra”, explicou Onésimo Santos.

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