Canoas de Extremoz seriam os artefatos náuticos mais antigos do Brasil.

Os pedaços compridos de madeira, que em quase nada lembram uma
embarcação, podem contar a evolução socioeconômica e ambiental daquela
região, além de ser fonte de pesquisa sobre tecnologias usadas na
construção de canoas. Estudos da Universidade Federal de Pernambuco
(UFPE) revelam que uma das embarcações é anterior ao descobrimento do
Brasil. Com cerca de 700 anos, a chamada “Extremoz 4” pode ser o
artefato náutico mais antigo do país.

A pesquisa pode “ter obtido a primeira datação de um artefato náutico anterior ao descobrimento do Brasil”, diz a dissertação “arqueologia marítima: a evolução da canoa monóxila em Pernambuco, Brasil (séc. XVI-XX)” . O método do carbono 14 é mundialmente conhecido, com certificação nos Estados Unidos, e neste caso serviu para precisar a datação de quatro embarcações

O fotógrafo e pesquisador Lenilton Lima flagrou, à época, a retirada das embarcações e o transporte para um prédio público. “Estava fazendo um trabalho com o boi de reis na região, quando soube que tinham encontrado e estavam removendo peças indígenas da lagoa. Fui lá e registrei. E a expectativa era saber a idade e a quem pertenciam”, afirma.
Ao retornar ao local, o fotógrafo se surpreendeu com o estado em que encontrou o material. “Não sabia que estava tão deteriorado pela ação do tempo, jogado ao relento”, afirma. Ele contou que, além das embarcações que foram removidas, há relatos de pesquisadores da região de existir cerca de 12 canoas ainda submersas pelas águas. “Espera-se que, se houve outras na lagoa, que sejam tratadas com mais respeito. É uma parte importante da história e do resgate da memória da cidade, das civilizações indígenas e ”,
Convênio
O secretário adjunto de turismo de Extremoz, afirma que apesar de estar ao relento e sem qualquer estrutura de amparo, as canoas indígenas retiradas da Lagoa de Extremoz há cerca de dois anos estão “em condições de preservação”. Mas admite que há um projeto para construção de uma sala para abrigar os artefatos arqueológicos, ainda sem prazo para ser iniciada.
Um convênio entre a Prefeitura e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) foi firmado para estudos sobre a datação e identificação de demais dados sobre a construção, uso e a quem pertenciam as canoas. Além disso, a Prefeitura realiza um trabalho educativo sobre a importância arqueológica e histórica da cidade.

A diretora da Fundação de
Cultura Aldeia Guajiru, Lêda Medeiros, falando por telefone à imprensa, informou que a casa está apenas
com a função de guardar o material e que o trabalho de preservação e
pesquisa está sob cuidados da Prefeitura em parceria com Universidades.
Texto adaptado de reportagem original da Tribuna do Norte (http://tribunadonorte.com.br)
FOTOS: Lenilton Lima
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